sábado, 30 de março de 2013

MITOLOGIA GREGA 3

O Príncipe Atreu era filho do Rei Pélopes e da Rainha Hipodâmia.
A quantidade de irmãos que ele tinha varia de acordo com as versões do mito, mas o mais famoso era o Tiestes. E junto com eles, o Atreu formava a Família Real de Pisa.
Devido a um ato de ingratidão cometido pelo Pélopes contra o cocheiro Mírtilo, esse lançou uma maldição contra todos os descendentes do rei. E logo essa maldição começaria a fazer vítimas: entre todos os descendentes do Pélopes, alguns sofreriam grandes violências físicas (e eventualmente morreriam em consequência delas); outros não seriam atingidos fisicamente, mas padeceriam ao testemunhar a desgraça dos seus pais, filhos ou irmãos.
Um dia, chegou ao palácio um adolescente chamado Crisipo, afirmando ter nascido de uma transa sem compromisso que o Pélopes tinha tido com uma ninfa no passado.
O rei acolheu esse filho no Palácio Real de Pisa, o que provocou a fúria da Hipodâmia. E pra se livrar do Crisipo, ela chamou o Atreu e o Tiestes e mandou eles matarem o irmão.
Como os garotos se recusaram, a própria Hipodâmia pegou uma espada e feriu mortalmente o Crisipo. Mas o Pélopes ainda teve tempo de encontrar o filho caído no chão com vida. E assim, ele contou o que tinha se passado ao pai, que exilou a Hipodâmia de Pisa.
Outra versão conta que o Atreu e o Tiestes acataram a ordem da mãe e mataram o Crisipo. E quando o Pélopes soube, matou a Hipodâmia e exilou os 2 filhos de Pisa.
De qualquer forma, o Crisipo foi a 1ª vítima da maldição do Mírtilo.
Depois de vagar mendigando pelas estradas da Grécia, os 2 adolescentes chegaram à cidade de Micenas, onde foram acolhidos pelo Rei Estênelo, marido de uma das irmãs deles.
Em Micenas, o Atreu conheceu a Princesa Aerope, filha do Rei de Creta, que tinha sido exilada de lá pelo pai... Acontece que a Aerope era uma menina sapeca que adorava brincar com os cacetes dos escravos do pai. E quando o rei descobriu, irritado, expulsou a filha de Creta.
O Atreu se casou com a Aerope. Mas, desde o início, ela começou a olhar com um certo interesse pro cunhado Tiestes. E não demorou a ir ver qual era o gosto do cacete dele.
De qualquer forma, a Aerope teve com o Atreu 2 filhos, chamados Agamenon e Menelau, e 1 filha, chamada Anaxíbia.
Outra versão conta que, no início da adolescência, o Atreu teve um filho com uma mulher de nome não mencionado. E garoto, de saúde frágil, foi chamado de Plistenes.
Igualmente no início da adolescência, o Plistenes se casou com a Aerope, tendo com ela o Agamenon e o Menelau. Mas, com seus problemas de saúde, ele morreu poucos anos depois do casamento. E o Atreu se casou com a Aerope pra amparar ela, adotando os 2 netos como filhos.
Como seja, além da Aerope, o Tiestes tinha como amante uma ninfa, com quem ele teve 3 filhos e 1 filha mais velha. E essa filha, chamada Pelópia, foi mandada logo depois pra cidade de Sicione por motivos desconhecidos, não chegando a ter contato com o tio nem com os primos.
Pouco depois da chegada dos príncipes a Micenas, o Rei Estênelo morreu, sendo sucedido no trono pelo filho Euristeu, que conquistou a cidade de Midéia, mandando pra lá os 2 príncipes pra governarem a cidade em nome dele.
Parece que, na época, o Atreu começou uma criação de carneiros. E prometeu à deusa Ártemis que sacrificaria a ela o carneiro mais bonito que encontrasse ali, achando, logo depois, um carneiro com pelo de ouro entre os demais do rebanho.
Ele sacrificou o carneiro a Ártemis, como tinha prometido. Mas, dominado pela ambição, guardou pra ele a pele de ouro, em vez de depositar no altar da deusa, como deveria ser.
A partir dali, o Atreu já começou a ganhar uma certa antipatia por parte dos deuses...
Sabendo do que tinha acontecido, a Aerope roubou a pele de ouro do lugar onde o marido tinha deixado e deu de presente ao amante Tiestes.
Quando o Euristeu morreu, não deixando herdeiros pro trono, os sacerdotes celebraram uma série de rituais pra saber quem deveria ser o novo Rei de Micenas... Os deuses responderam com sinais que desejavam que um estrangeiro, filho do Pélopes, governasse Micenas. Mas os sacerdotes não conseguiam ler nos sinais QUEM seria esse homem. E assim, comunicaram ao Atreu e ao Tiestes que os 2 deveriam disputar o trono. Até lá, a cidade seria governada por uma assembleia de moradores.
Sem perda de tempo, o Tiestes propôs à assembleia que reconhecesse como rei aquele que mostrasse ao povo a pele de um animal de ouro. E o Atreu, ouvindo isso e pensando que ainda tinha a pele guardada, aceitou imediatamente a proposta, achando que seria declarado rei facilmente assim.
Então, Zeus, que desejava ver o Atreu como rei, se manifestou, impondo que os habitantes de Micenas esquecessem a história da pele e se curvassem diante do Tiestes se o Sol seguisse seu rumo normal, mas que reconhecessem o Atreu como rei se o Sol voltasse pro nascente.
Espantados, todos olharam pro Céu pra ver o que aconteceria a seguir... E pelo poder de Zeus, o Sol voltou pro nascente.
Apesar de ser aclamado Rei de Micenas sob o reconhecimento do próprio Zeus, o Atreu decidiu exilar o Tiestes e os filhos dele de Micenas, com medo de, por algum motivo, perder o trono pra eles.
Algum tempo depois, sabendo das trepadas da Aerope com o Tiestes, o Atreu mandou jogar ela no Mar e matou ela afogada. E começou a desenvolver um ódio contra o Tiestes que nunca mais se aquietou!
Depois disso, o 1º e mais perverso ato do rei contra o irmão foi um plano macabro...
Fingindo querer se reconciliar com o irmão, o Atreu convidou ele pra ir a Micenas, dizendo que estava preparando um banquete em homenagem a ele. Mas pediu que o Tiestes mandasse primeiro os 3 filhos dele irem a Micenas. E sem suspeitar de nada fora do comum, ele aceitou.
Quando os 3 garotos chegaram ao Palácio de Micenas, o Atreu sacou a espada e foi pra cima deles. As crianças saíram correndo e foram se refugiar junto a um altar de Zeus, onde, pelos dogmas do Helenismo, ninguém que buscasse proteção podia ser perseguido. Mas o Atreu, num ato de sacrilégio extremo, matou as crianças ali mesmo e ainda cortou em pedaços!
E assim outras vítimas foram atingidas pela maldição do Mírtilo, ao mesmo tempo em que Zeus abandonava o rei, furioso com o sacrilégio e com o ato perverso dele.
O Atreu jogou os pedaços das crianças num caldeirão e cozinhou. E quando o Tiestes chegou, o rei ofereceu a ele o tal banquete, dando como prato principal o conteúdo do tal caldeirão. Mas o Atreu deixou o irmão comer sozinho, sem nem tocar na comida. E quando o Tiestes terminou de comer, o Atreu mandou os escravos trazerem uma bandeja com as cabeças e braços decepados das 3 crianças, dizendo que aqueles foram os animais que ele tinha comido.
Sem reação, o Tiestes foi exilado de Micenas de novo pelo Atreu, acabando por ir se refugiar junto da filha Pelópia em Sicione.
Passado o estado de choque, o Tiestes consultou os deuses através de um ritual, querendo saber de que forma podia destruir o irmão pra vingar a morte dos filhos. E ficou sabendo que o destino do Atreu era ser morto por um sobrinho nascido de um estupro incestuoso.
Se aproveitando de uma ocasião em que a Pelópia foi sozinha a um lugar deserto de madrugada pra fazer um ritual, o Tiestes seguiu ela e estuprou ela, querendo assim gerar aquele que tinha as condições de matar o Atreu. E fugiu logo depois, sem perceber que tinha deixado a espada dele cair ao lado da filha quando estuprou ela.
Se levantando do chão, a Pelópia percebeu a arma caída ali. E como não chegou a ver a cara do estuprador por causa da escuridão, guardou a espada, na esperança de um dia identificar ele.
Desnorteada ao perceber que tinha engravidado do estuprador, a Pelópia esperou o filho nascer, abandonou ele num campo de Sicione logo depois do parto e saiu andando sem rumo pelas estradas da Grécia, até chegar a Micenas, provavelmente guiada por Zeus e Ártemis, querendo castigar o Atreu pelos sacrilégios que ele tinha cometido contra eles.
Quando o rei viu a adolescente recém-chegada e desorientada andando por Micenas, sem saber de quem se tratava, resolveu acolher ela, talvez por piedade. E acabando por desenvolver um certo afeto pela Pelópia, se casou com ela.
Assim que pôde, ela contou ao marido sobre o passado dela e, arrependida por ter abandonado o filho, pediu que o Atreu mandasse procurar o garoto. E esse foi encontrado sendo criado por uma família de camponeses e levado pra Micenas, onde foi adotado pelo Atreu como filho.
Os camponeses que adotaram ele tinham dado o nome de Egisto. E o Atreu resolveu manter esse nome.
Sem mais esperanças de achar o estuprador que tinha atacado ela, a Pelópia acabou dando ao filho a espada que tinha recolhido na madrugada do estupro.
Cerca de 15 anos depois, ainda obcecado por levar a desgraça ao Tiestes, o Atreu mandou o Egistou sair pelo Mundo, achar ele, levar ele pra Micenas e matar...
De acordo com algumas versões, o Menelau e o Agamenon também participaram dessa busca.
Encontrado, e agora velho e acabado depois de tudo o que já tinha passado, o Tiestes foi facilmente preso e levado pra Micenas pra ser executado. E o Atreu foi à praia fazer uma oferenda aos deuses do Mar pra agradecer.
Mas o Tiestes, ficando sozinho com o Egisto no lugar onde seria a execução, ao ver a espada que ele carregava, reconheceu a arma. E aí, perguntou ao garoto onde ele tinha conseguido aquilo. Ele contou o que sabia e acabou mandando chamar a mãe pra contar o resto da história. E no encontro entre o Tiestes e a Pelópia, todas as dúvidas foram esclarecidas.
Surtada ao conhecer toda a tragédia de que tinha sido vítima, a Pelópia tomou a espada das mãos do Egisto e se matou com ela, se tornando mais uma vítima da maldição.
Fora de si, o Egisto tirou a espada do cadáver da mãe-irmã e foi até a praia falar com o Atreu. E esse, ao ver o garoto segurando a espada suja de sangue, começou a delirar de prazer, concluindo que ele tinha matado o Tiestes.
Furioso com a reação do Atreu, o Egisto matou ele com um golpe da mesma espada, dando mais uma vítima à maldição. E soltando o Tiestes, entregou a ele o Trono de Micenas e exilou o Agamenon e o Menelau da cidade.
Mas novas tragédias ainda se abateriam sobre as próximas gerações dessa família...

2 comentários:

Pedroca West disse...

Tragédia (grega) pouca é bobagem...
Pela quantidade de mortes dá até pra fazer um filme slasher.

Leo Natura disse...

É mesmo.
Bom, se você quiser dar uma olhada, a 1ª e a 2ª partes dessa história tão nos arquivos de Janeiro e Fevereiro.