E já que hoje, 25 de
Agosto, é comemorado o Dia do Soldado, vamos lembrar aqui de um filme de
temática gay sobre isso: Sargento Garcia.
O filme foi inspirado
num conto do Caio Fernando de Abreu e adaptado pro cinema pelo Tutti Gregianin,
que começou a projetar isso ainda no final dos anos 90.
O ator Gedson Castro,
que interpretou o personagem Hermes, tinha ainda 17 anos quando o filme começou
a ser produzido. E como ele tinha que aparecer numa cena de nu frontal e depois
numa cena de sexo, tiveram que esperar até ele fazer 18 pra poder começar a
gravar o filme.
E assim, Sargento Garcia foi lançado em Agosto do
ano 2000.
O filme começa
mostrando um garoto brincando com os amigos. E por outras cenas que vemos mais
tarde (cenas assim aparecem ao longo do filme todo), ficamos sabendo que isso
são lembranças de infância do personagem Hermes.
Logo depois, vemos um
grupo de rapazes nus sendo avaliados por um sargento num quartel, nos anos 70.
Esse sargento comete
aquelas costumeiras humilhações contra os soldados. Mas ele se prende mais a um
rapaz chamado Hermes, que responde a ele com medo, mas tentando se controlar.
Enquanto responde as
perguntas do sargento, o Hermes pensa na vida pessoal dele, querendo trabalhar
como artista plástico e tendo essa ideia rejeitada pela família, se masturbando
na cama de madrugada quando não consegue dormir, lamentando a total falta de
amigos na vida dele...
Ao saber que o Hermes
vai cursar Filosofia, o sargento visivelmente se surpreende. Mas tudo o que ele
faz é dispensar o garoto do serviço militar, enquanto esfrega na cara dos
outros rapazes que o Hermes não pertence ao mundo deles, mas tem um destino
melhor esperando por ele.
Aparentemente alguns
minutos depois, enquanto o Hermes volta pra casa, o sargento chega de carro e
para ao lado dele, oferecendo uma carona.
Até ali, o sargento
tinha exigido ser chamado pelo Hermes de “Meu Sargento”. Mas a partir dali,
pede pra ser chamado de “Garcia”.
Ele deixa claro que
admira pessoas mais cultas e eruditas, mas também explica que não entende nada
de cultura e que sabe que o caminho que ele segue é outro.
Aí ele convida o Hermes
pra ir a um certo lugar, enquanto começa a passar a mão no saco do garoto e
fazer o garoto passar a mão no saco dele.
O Hermes pede um
cigarro ao Garcia, demonstrando ter uma certa admiração pela forma como o
sargento fuma sem se incomodar com a fumaça. Mas, na 1ª tragada, o garoto
começa a tossir...
Uma cena de flashback
mostra que ele não tem boas experiências com cigarro, já que, quando ele era
mais novo, o pai dele obrigava ele a fumar pra ele “provar que era homem”.
De qualquer forma, ele
topa ir com o Garcia pro tal lugar que ele sugeriu, que é simplesmente um motel
pobre, administrado por um travesti.
Pelo papo do Garcia com
o travesti, ele parece frequentar o lugar sempre, acompanhado por rapazes.
Bom, eles vão pro
quarto e, em meio a muitos beijos, o Hermes dá a bunda pro Garcia.
Mas foge assustado logo
depois que eles terminam de transar.
Ele chega no meio de
uma praça, onde encontra estátuas de deuses do Helenismo. E chegando à
conclusão de que a vida dele mudou dali pra frente, lembrando do Garcia
fumando, ele declara:
“Amanhã sem falta eu
começo a fumar.”
Bom, os problemas que o
Hermes enfrenta são bem costumeiros de qualquer gay adolescente: o pai tentando
forçar ele a “virar macho”, a família querendo impedir ele de trabalhar numa
profissão que eles consideram “coisa de viado”, a dificuldade em encontrar amigos,
a masturbação usada pra acalmar ao mesmo tempo o desejo sexual e a incerteza
sobre o futuro, a vontade de ser mais forte, a satisfação misturada com espanto
total quando acaba de ter a 1ª experiência sexual...
Já os problemas que o
Garcia enfrenta são costumeiros do gay que teve que se embrutecer pra não ser
pisado: ele sabe que existe uma erudição no Mundo que ele nunca alcançou e
nunca vai conseguir alcançar porque ele enveredou por outro caminho e agora já
chegou longe demais pra voltar atrás, ele admira essa cultura e as pessoas que
se dedicam a ela, ele tem que manter uma imagem de autoritarismo em todas as
situações menos quando tá se relacionando com algum parceiro sexual, ele tem
uma vida sexual que tem que ser vivida 100% escondida...
Enfim, os 2 personagens
são extremamente realistas, né? Eu aposto que muita gente com esses 2 tipos de
experiência de vida já passou aqui pelo blog. Sem falar nos que a gente
encontra pessoalmente por aí.
Mas o que chama a
atenção no caso do Garcia é quantos homossexuais e bissexuais militares se
encontram exatamente na mesma situação dele, né?
Outra curiosidade do
filme é a libertação que o Hermes encontra ao ficar diante das imagens de
deuses que não odeiam os homossexuais nem condenam os homossexuais, ao contrário
do deus judaico-cristão.
Podemos entender que
nessa cena ele se liberta da repressão do Cristianismo e aí vai viver as
alegrias e tristezas da vida dele (lembrando que TODOS os estilos de vida que
existem vêm com alegrias e tristezas incluídas: não há como fugir disso), e não
o que a família dele escolheu pra ele viver contra a vontade dele.
Bom, até mais!
5 comentários:
ainda não vi na íntegra, apenas as cenas picantes ...
Eu também só vi o filme TODO há pouco tempo.
Aliás, ele tá todo no YouTube.
um deve acontecer muito isso tem muito sargento q come os recrutas
Na verdade, a gente vê isso mais entre oficiais já de uma certa idade, que são casados com mulheres, têm filhos...
Eles mantêm relações com outros oficiais nas mesmas condições. E aí, teoricamente, ninguém desconfia de nada.
Já ouvi falar de vários casos.
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