quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

CARLOS AUGUSTO STRAZZER 1946-1993



Oi!!!

Hoje a gente vai dar uma olhada num personagem bissexual da História do Brasil que travou uma verdadeira guerra pessoal contra a AIDS: o ator e diretor brasileiro Carlos Augusto Strazzer.
Já fiz um post sobre ele uma vez. Mas vamos lembrar
Ele nasceu em São Paulo, em 04 de Agosto de 1946, numa família de antepassados italianos.
O final da adolescência e início da juventude do Carlos pegaram em cheio os anos 60 e a Revolução Sexual. Assim, como ele mesmo reconheceria mais tarde, essa era a geração do sexo livre e sem segurança nenhuma, pois nem se falava em camisinha. E ele viveu seguindo essa mentalidade.
Em 1968, ele estreou no teatro, com a peça As Artimanhas de Escopino.
O 1º trabalho do Carlos na televisão foi na 1ª versão da novela As Pupilas do Senhor Reitor (1977).
O 1º filme dele foi Gaijin, Os Caminhos da Liberdade (1980). Mas a carreira dele como ator de cinema não chegou a se desenvolver muito.
Ao todo, ele teve 23 trabalhos na televisão e no cinema.
Algumas vezes, o nome dele foi creditado como Carlos Augusto Strasser.
Ele sempre assumiu que era bissexual pras pessoas que faziam parte da vida pessoal dele. E ao longo da vida toda, ele se relacionou com vários homens e várias mulheres (sem nem pensar em camisinha). Mas ele também chegou a se casar e teve 3 filhos.
Em 1989, enquanto gravava a novela Que Rei Sou Eu?, o Carlos teve uma crise estranha e foi internado. No início, nenhum médico conseguiu entender do que se tratava, até que, depois de alguns exames, ele descobriu que tava contaminado pelo HIV.
De acordo com ele mesmo, pelos cálculos dele, foi no início dos anos 80 que ele foi contaminado. Mas não dava pra saber quem foi o homem ou a mulher que passou o vírus pra ele.
E o Carlos pegou uma das épocas mais brabas da doença, quando havia uma ignorância quase total sobre a AIDS. E quando ele contou pras pessoas mais próximas que tava contaminado, muitos supostos amigos deles se afastaram dele no mesmo dia em que souberam, outros passaram a ser discriminados por terem se mantido ao lado dele...
Os tratamentos que existiam na época também tavam muito no início. E as condições físicas pelas quais ele passou aí foram as mais dolorosas. Isso sem falar em várias outras doenças que foram se manifestando devido ao enfraquecimento do organismo.
O lado psicológico do Carlos também ficou profundamente afetado pelo tratamento causticante e, principalmente, por toda a rejeição que ele sofreu na época das pessoas em quem ele confiava. E até ele conseguir recolocar a cabeça no lugar, levou um tempo.
O que pareceu melhor foi esconder da maioria das pessoas que tava contaminado.
Finalmente, em 1992, ele decidiu assumir publicamente a condição de saúde em que se encontrava. E dentro do possível, ele continuou trabalhando no teatro, como diretor.
A Globo manteve o Carlos contratado até o fim, apesar de ele não trabalhar mais lá na prática, pagando todo o tratamento dele.
Ele deixou claro que morreria sem guardar ressentimento de certos ‘traidores’ e que, depois de todos os problemas que tinha passado, aprendeu um novo posicionamento: “Amar, apesar de”.
Numa autoavaliação, o Carlos dizia que não tinha sido um grande ator nem um grande nome da História, mas que tinha sido um cara legal e que foi feliz.
Ele morreu aqui no Rio, em 19 de Fevereiro de 1993, 3 meses depois de completar 46 anos.
Os amigos que tinham se mantido ao lado do Carlos antes, permaneceram ao lado dele até o fim. Entre eles, a atriz Maitê Proença.
Today, let’s talk a little about a bisexual Brazilian character who had very serious problems about AIDS: actor and director Carlos Augusto Strazzer.
He was born in an Italian family on August 4th, in 1946.
Carlos’ adolescence was in the 1960s. And he would say later it had been the time of free and not safe sex. And he lived then in this way.
His 1st theater show was As Artimanhas de Escopino (1968).
Carlos was a TV actor for the 1st time in As Pupilas do Senhor Reitor (1977).
His 1st movie was Gaijin, Os Caminhos da Liberdade (1980). But his cinema career wouldn’t go ahead that much.
His closest friends and relatives always knew he was a bisexual. And he had sexual contact to several men and women for all his life. But he also got married and had 3 children.
In the 1980s, he used to have sex very actively and with no condom. So he supposed he was infected then. But he had no idea about who was the man or woman who infected him.

Nel 1989, quando era alla telenovela Que Rei Sou Eu?, Carlos ha avuto dei problemi di salute molto forti e molto strani. E i medici non sapevano dire cos’era. Ma dopo qualche tempo, si è scoperto il virus HIV nel suo corpo.
Carlos ha avuto l’AIDS nell’epoca più difficile, perché nessuno sapeva chiaramente cos’era l’AIDS. E quando lui l’ha detto a alcune persone “amiche”, molte sono andate via, altre hanno ricevuto pregiudizio perché sono rimaste insieme a lui...
Anche la medicina di quell’epoca non sapeva chiaramente cosa fare con chi aveva il virus HIV. E lui ha avuto anche molte altre malattie dovuto alla fragilità del suo corpo.
Carlos è diventato troppo stanco fisicamente e psicologicamente.
Lui ha pensato che il migliore sarebbe non dire più che aveva il virus. Solo 1 anno prima della sua morte lui lo direbbe in pubblico.
Carlos ha avuto 23 lavori come attore in TV e Cinema.

Algunas veces, su nombre fue creditado como Carlos Augusto Strasser.
En 1992, el dijo en público que estaba con SIDA, que algun hombre o mujer le había pasado en los años 80. Pero, dentro de su posible, continuó a trabajar como director teatral.
Carlos fue mantenido por la TV Globo hasta su muerte, aunque no trabajase más allá.
El dijo que se morería sin resentimientos contra algunas personas que lo habían dejado cuando él las necesitaba. Y que sabía amar los que le habían hecho mal.
En su autoevaluación, Carlos dijo que no había sido nunca un gran actor o una persona importante, pero había sido una persona feliz.
El se murió en Rio de Janeiro, el 19 de Febrero de 1993, 3 meses después de cumplir 46 años.
Todos los amigos que se quedaron a su lado estaban allá hasta su muerte. Entre esos, la actriz Maitê Proença.

Até!

2 comentários:

Anônimo disse...

Que história triste...

Sabe Leo, esses dias me peguei pensando uma coisa: pq é tão difícil achar um filme gay que nao seja uma tragedia, ou nao fale de politica, igreja e, sobretudo, AIDS? Ok eu sei que sao temas importantes pra sociedade ainda e tal, mas enche o saco. Parece que só hetero tem direito de se ver representado no cinema com historias normais, o gay tem que sempre aparecer num contexto de polemica ou de lição.

AIDS é o que mais me irrita, porque eu nao conheço um unico filme que fale de hetero tendo hiv, mas filme gay tá cheio disso. Porra os anos 80 já acabaram mas as pessoas ainda têm essa mentalidade de que AIDS é "doença de bicha", que merda. Tem uma puta epidemia de sífilis no mundo agora, a maioria dos infectados são homens hetero, pq nao fazem filme disso pra variar?

Leo Natura disse...

Você tem toda razão.