Oi!!!
Ontem, 25 de Setembro, ocorreu em Copacabana a 9ª Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa.
Então, aproveitando a oportunidade, vamos falar hoje sobre um dos vários curtas-metragens lançados pela produtora de vídeos Porta dos Fundos, porque depois eu tenho alguns comentários a fazer sobre ele.
Se trata de Deus (2013), dirigido pelo Ian SBF e escrito pelo Fábio Porchat.
O curta começa com uma mulher chamada Judith aparecendo de repente no meio de um grande espaço em branco.
Depois de alguns segundos sem entender nada, ela vê uma figura vestida com roupas típicas de povos florestais, que explica que ela morreu.
A Judith pergunta quem é a figura, que responde que é Deus.
Ele explica que cada civilização acredita numa coisa diferente sobre o Divino. Alguma dessas civilizações tinha que estar certa em relação a essa crença. E a que estava certa eram os habitantes de uma tribo da Polinésia.
Deus explica que, como a Judith não seguiu à risca os dogmas que ele determinou pra tribo da Polinésia, ela está condenada a arder no infinito.
Ela se defende, perguntando como ela poderia saber que SÓ AQUELE era o deus certo. E Deus responde que ela não ia saber, mas estava condenada assim mesmo.
Deus deixa claro que no Céu só tem polinésios. Mas, como ele gosta muito da Hebe Camargo, deixou ela entrar no Céu também.
A Judith reclama pelo fato do caminho apresentado por Deus como o ÚNICO caminho verdadeiro não ser conhecido por quase ninguém. Mas ele responde que tem certeza de que um dia a palavra dele vai chegar a todos. Até lá, quem ainda não tiver ouvido a palavra dele que se foda.
A Judith finalmente se mostra resignada. Mas pede só um favor: quando o Silas Malafaia morrer, ela quer voltar pra Terra pra dar a notícia.
E o filme acaba.
Bom, não é preciso fazer uma análise muito profunda do filme pra ver que se trata de uma crítica explícita contra os fundamentalistas pentecostais e neopentecostais, que repetem compulsivamente que a tal da “salvação” só é possível através da igreja deles e da interpretação que o pastor deles faz da Bíblia.
“SÓ O DEUS EVANGÉLICO É QUE ESTÁ CERTO!!!”
Essa é uma das frases que todos nós ouvimos com mais frequência vinda de pentecas e neopentecas.
Você pode ser uma pessoa altruísta, honesta, justa, pacifista, responsável, solidária, trabalhadora, amorosa com todo mundo... Aos olhos dos pentecostais e dos neopentecostais, nada disso tem valor nenhum. Se você não adorar o “deus evangélico”, você pode ter todas essas características positivas e muitas outras mais positivas ainda, mas você vai pro Inferno assim mesmo.
E ser evangélico é ter uma passagem garantida pro Céu. Afinal, de acordo com os pentecostais e neopentecostais, no Céu do “deus evangélico” só tem evangélicos.
Se alguém morreu sem ter conhecido a palavra do “deus evangélico”, problema desse alguém. Os pentecostais e neopentecostais estão se lixando pra esse alguém. A ética do “deus evangélico” é exatamente essa: ele cria leis que não podem ser mudadas, permite que milhões de pessoas morram ao longo dos milênios sem nunca nem terem ouvido falar nessas leis e manda todas essas pessoas pro Inferno pelo resto da eternidade só porque nunca ouviram falar nessas leis.
Se você disser a um pentecostal ou a um neopentecostal que isso é injusto ou que você simplesmente não acredita nisso ou não concorda com isso, muitas vezes você provoca um ataque histérico na criatura. Principalmente entre os de classes sociais mais baixas.
“O QUE VAI ACONTECER NA TUA VIDA PORQUE TU NÃO CONCORDA COM ISSO... TU VAI SE ARREPENDER... AI DE QUEM BRINCA... CAI POR TERRA SATANÁS... ESPÍRITO DE SATANÁS... EU TE REPREENDO... O CASTIGO É CERTO... TU VAI PROCURAR A IGREJA EVANGÉLICA PEDINDO PERDÃO... VAI SE CONVERTER...”
É essa a resposta que qualquer um deles vai dar, provavelmente sacudindo uma bíblia numa das mãos e se retorcendo violentamente pra lá e pra cá enquanto grita.
O filme também deixa claro que aqueles ridículos pastores midiáticos que só falam de forma agressiva, fazendo sempre escândalos, na verdade não passam de merda. Vão pro mesmo ‘buraco’ que todo mundo vai, apesar de se autodefinirem como “ungidos do senhor”, como “aqueles que já estão salvos” e por aí vai.
Bom, fica aí algo pra refletir.
Até a próxima!



2 comentários:
Essa lógica de "povo eleito" é uma das coisas que acho mais repulsivas e destrutivas no monoteísmo, por mim essa ideologia devia ser declarada ilegal por ser socialmente danosa. Amei o video do Porta dos Fundos.
Exatamente.
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