terça-feira, 1 de agosto de 2017

56ª ENQUETE



Oi!!!

Bem-vindos a Agosto!
Já vou começar fazendo direto a pergunta da enquete, porque vou ter que explicar melhor o motivo dela depois: você acha que é mais fácil pra alguém que não é heterossexual fazer amizade com um judeu, cristão ou muçulmano de classe social mais alta?

Agora vou explicar melhor...
Caso vocês ainda não tenham percebido, existe uma ligação direta entre o fanatismo religioso e a pobreza. Se você pensar em todos os fanáticos religiosos que você já conheceu até hoje, sejam eles da religião que forem, eu posso afirmar sem medo de errar que a grande maioria era composta por gente pobre. Ou, pelo menos, de classe média-baixa. É ou não é?
Já sei que alguém tá com a língua coçando pra dizer que também existem fanáticos religiosos ricos. Sim. É claro que existem. Mas compare a diferença de quantidade entre os fanáticos religiosos ricos e os fanáticos religiosos pobres que você já conheceu.
Eu DU-VI-DO que os ricos tenham sido a maioria.
Quando um rico é um fanático, geralmente é aquela criatura que é exagerada em TUDO. Ele compra 10 carros novos no mesmo ano, compra 3 mansões novas no mesmo ano, compra um terno diferente pra vestir em cada evento público que ele vai aparecer... Então, ele trata a religião com o mesmo nível de exagero.
Não estou de forma nenhuma inocentando o fanático religioso rico quando ele fala ou faz alguma coisa que não deve. Mas é todo dia que você encontra alguém com esse tipo de comportamento? Acho que não, né?
Também não estou dizendo de forma nenhuma que TODO pobre é fanático. Mas, no caso dos pobres, dá pra ver uma curiosidade: independente de qual seja a religião que ele segue, o pobre tem a tendência de seguir uma versão brutalizada da religião.
Ele passa as 24 horas do dia dele recitando as partes da religião que falam de castigo e punição. Mas lembrando sempre que castigo e punição são só pra quem pensa diferente dele e se comporta diferente dele. Ou seja, ele e as pessoas que pensam da mesma forma que ele já estão com entrada garantida no Céu (ou em alguma coisa parecida com o Céu). E o resto da Humanidade toda já está com entrada garantida no Inferno (ou em alguma coisa parecida com o Inferno).
Se alguém tem alguma dúvida de que é assim, é só dar uma olhada nos muçulmanos, que são o grupo mais acusado de fanatismo religioso no Mundo.
Aquelas manifestações mais extremistas de muçulmanos explodindo embaixadas dos Estados Unidos, queimando bandeiras dos Estados Unidos, gritando que a Cultura Ocidental tem que ser banida da face da Terra por ser a causa de todos os males do Mundo...
Onde acontece todo dia esse tipo de manifestação? Em países miseráveis, onde o povo vive abaixo da linha da pobreza.
Ao mesmo tempo, se você der um passeio pelos hotéis 5 estrelas das cidades mais ricas do Ocidente, uma coisa que você sempre vê ali é algum sheik muçulmano milionário (ou bilionário ou trilionário) levando a vida mais ocidental possível, convivendo numa boa com pessoas que levam a vida mais ocidental possível e não dando a mínima pra isso nem falando sobre as coisas que o Alcorão proíbe. Quando tem que escolher entre a democracia e a religião (pelo menos quando ele lida com uma pessoa que não é muçulmana), ele geralmente escolhe a democracia.
Existe uma diferença entre esse sheik muçulmano e o outro muçulmano que está fazendo uma manifestação extremista num país morto de fome. Mas essa diferença é uma diferença religiosa? Claro que não. Eles são da mesmíssima religião. A diferença entre eles é SOCIAL: um é rico e o outro é pobre.
Querem outro exemplo? Vamos lá:
Deem um passeio por qualquer praça de qualquer capital do Brasil e vocês vão encontrar algum pentecostal ou neopentecostal, que frequenta uma igreja com sede em alguma favela, sacudindo uma Bíblia em tom de fúria, xingando pessoas de outras religiões, xingando pessoas que levam um estilo de vida diferente do deles e achando que têm o direito de converter todo mundo na marra.
Acho pouco provável que você nunca tenha visto isso. Mas, se for o caso, clique aqui e veja com seus próprios olhos:


Bom, eles são protestantes, certo?
Agora vejam:
A Rainha Margrethe II Glücksborg é a chefe da Igreja Luterana da Dinamarca. A Rainha Elizabeth II Windsor é a chefe da Igreja Anglicana.
Elas também são protestantes.
Por acaso você já viu alguma dessas rainhas sacudindo uma Bíblia em tom de fúria, xingando pessoas de outras religiões, xingando pessoas que levam um estilo de vida diferente do delas e achando que têm o direito de converter todo mundo na marra? Fica até difícil de imaginar, né?
A diferença entre esses 2 grupos é religiosa? De jeito nenhum. Os 2 grupos são da mesmíssima religião. A diferença entre eles é SOCIAL: um grupo é rico e o outro é pobre.
Aí alguém vai dizer:

“Ah, é? Mas e os pastores pentecostais e neopentecostais que só falam de forma agressiva, que xingam praticantes de outras religiões, que xingam os homossexuais e que tentam converter todo mundo na marra? Esses pastores não são ricos?”

É claro. Mas esses pastores não são fanáticos. Eles são é aproveitadores mesmo.
Quem é o público-alvo desses pastores? Os pobres e miseráveis. E pelo menos na maioria das vezes, pobre gosta de líder religioso que se expressa exatamente assim: gritando, rosnando, revirando os olhos, batendo os pés no chão com raiva, falando o tempo todo de castigo e punição, dizendo que só aquele grupinho específico é que vai pro Céu enquanto todos os outros vão pro Inferno...
Esses pastores fazem lá o showzinho que o pobre gosta de ver. E em troca, ganham dízimos.
Se vocês prestarem atenção nos líderes religiosos que se manifestam de uma forma mais controlada, mais equilibrada, falando num tom de voz mais tranquilo e pedindo tolerância entre pessoas que pensam de formas diferentes, vocês vão ver que esses só fazem sucesso com um público da classe média pra cima. Pelo menos na maioria das vezes, pobre não gosta disso.
Bom, acho que já esclareci o motivo da pergunta.

2 comentários:

Anônimo disse...

O cristianismo surgiu como uma seita da ralé da Judéia, se espalhou entre as camadas mais pobres e os escravos do império romano, gente ignorante, analfabeta, que adorava a retórica de serem os superiores e os verdadeiros príncipes eleitos e todo aquele fanatismo de fim do mundo. O próprio Jesus era um profeta apocalíptico, e tlvz nem soubesse escrever. O judaísmo tbm já nao era melhor, era uma religião bárbara desprezada por gregos e romanos. Não me espanta que os maiores fanáticos tenham sido sempre as camadas mais vis da população. Nietzsche é que estava certo quando chamou isso de religião de escravos.

Anônimo disse...

Aliás o cristianismo é, essencialmente, uma religião vulgar, surgiu como mais uma seita judaica apocalíptica arrastando atrás as classes mais baixas da Galiléia. Era uma versão anarquista do judaísmo. Não é a toa que condena tanto os escribas e fariseus, já que escribas e fariseus eram parte da classe alta que mandava na Judéia e o povão adora poder condenar os ricos que eles secretamente invejam e se sentir moralmente superior. Paulo era um zelote convertido que pelo menos sabia ler e escrever grego, mas só foi convertendo os pobres no seu caminho pela Ásia Menor, os ricos e os filósofos o desprezavam. Não existe nada de sofisticado ou humanista no Novo Testamento que já não se encontre na cultura helenística, de modo muito melhor, sem superstições ridículas e ódios.

Acredito muito que se o Império Romano não tivesse decaído, se tivesse se mantido como era na época de Augusto e Tibério, ou mesmo Trajano e Adriano, o cristianismo teria morrido como apenas mais uma seita populista do oriente. Mas infelizmente Roma decaiu, social, política e culturalmente; ficou grande demais pra se administrar, os bárbaros ameaçavam, generais se encarniçavam pelo poder, havia usurpação, corrupção etc enquanto a massa do cristianismo ia só fermentando. Quando Constantino deu seu golpe de estado adotando a religião cristã, foi o começo do fim. As classes altas começaram a adotar o cristianismo, ele foi envenenando o mundo greco-romano de baixo pra cima, fagocitou o que lhe convinha de Platão e Aristóteles, os padres da Igreja (todos educados nos padrões gregos) começaram a cozinhar filosofias pra emprestar uma dignidade intelectual fajuta ao cristianismo, ao mesmo tempo em que a Igreja ia absorvendo todas as coisas mais populares dos cultos pagãos e deturpando tudo pra fazer seu marketing. E o resto é história...

Os cristãos progressistas da classe média com certeza não gostariam de ouvir isso, mas em minha opinião, as igrejas mais vulgares e fanáticas são justamente as que estão mais próximas do que o cristianismo era quando o próprio Jesus pregou. Os padres católicos da classe média e os pastores protestantes liberais, no fundo, estão muito mais perto de Platão do que de Jesus...