terça-feira, 17 de maio de 2016

DIA INTERNACIONAL CONTRA A MISO-HOMIA


Oi!!!

Como a maioria de vocês devem saber, hoje, 17 de Maio, é o Dia Internacional Contra a Miso-Homia. Então, claro que eu não posso deixar de falar aqui sobre o assunto.
Infelizmente, eu vou ter que bater na mesma tecla: o grupo que se manifesta de uma forma mais extremista e mais radical contra os homossexuais e bissexuais no Brasil são os evangélicos, principalmente os pentecostais e os neopentecostais.

Vai ter gente que vai dizer:

“Vai falar de evangélico de novo?”

Eu respondo: o tema do post NÃO é esse. Mas não podemos tapar o Sol com a peneira e fingir que eles não fazem nem falam nada contra nós. E pra chegar ao tema real do post, eu tenho que começar mencionando isso.
Acontece que uma das reclamações que eu mais vejo os evangélicos fazendo aí pela Internet são coisas mais ou menos assim:

“Os homossexuais podem falar mal dos evangélicos e ninguém fala nada. Mas se um evangélico falar mal de um homossexual, todo mundo acha um absurdo, todo mundo quer processar ele...”

“Os homossexuais estão querendo privilégios, e não direitos. Porque eles podem falar mal da fé dos evangélicos, mas não aceitam que os evangélicos falem mal das práticas deles.”

Bom, lembrando que nós estamos num Estado democrático (ou, pelo menos, que se diz democrático), temos que concordar que, em qualquer situação, um lado falar contra o outro e não permitir que o outro fale nada contra ele realmente está errado. E se tem homossexuais levando as coisas pra esse lado, realmente eles estão sendo antidemocráticos.
Quero deixar bem claro: NINGUÉM AQUI ESTÁ DIZENDO PRA NÓS CONCORDARMOS COM OS EVANGÉLICOS NEM PRA PASSARMOS A SEGUIR OS ABSURDOS QUE ELES DIZEM!!! Entretanto, no mesmo peso e na mesma medida em que nós temos o direito de manifestar em público a nossa opinião contra a religião deles, eles também têm o direito de manifestar em público a opinião deles contra o nosso comportamento sexual.
Isso é democracia, gente. Você não tem a obrigação de concordar com nenhuma palavra do que o outro indivíduo esteja falando quando ele dá a opinião dele, mas ele tem o direito de dar essa opinião.
Se alguém está passando dos limites e já está partindo pra ofensa gratuita em vez de apenas dar uma opinião, aí já é outra história. Se ele falou aquilo na frente de testemunhas ou se você teve a oportunidade de filmar ou gravar o que ele falou e você se sentiu ofendido com aquilo, você tem todo o direito de expor em público o que aconteceu ali (aliás, não deixe de fazer isso) e entrar com um processo contra ele. Mas se tudo o que ele fez foi dizer que não concorda com o que você faz, que não acha legal o que você faz, que não acha certo o que você faz, ele está apenas exercendo o direito democrático dele, assim como você deve exercer o seu.
E venhamos e convenhamos, o fato de alguém não gostar daquilo que você faz vai impedir que você faça aquilo? Óbvio que não, né? Você vai fazer do mesmo jeito. Então, vamos parar de dar tanta importância ao fato de alguém simplesmente não concordar com o que nós fazemos. A opinião dele não vai nos limitar em nada.
Se um evangélico acha que quando eu morrer eu vou pro Céu, que eu vou pro Inferno ou que eu vou pro Planeta Abobrinha, deixem ele achar. O que é que isso muda na minha vida? Eu não sou obrigado a acreditar na mesma coisa em que ele acredita.
É claro que se ele está tentando IMPOR a opinião dele, e não apenas manifestar a opinião dele, ou seja, se ele começa a tentar forçar você a concordar com a opinião dele, aí já é outra história. Claro que isso você não pode aceitar. E mais da metade dos pentecostais e neopentecostais levam as coisas pra esse lado. Principalmente os de classe social mais baixa que ficam pregando em lugares públicos ou que eventualmente se aproximam da gente por motivos aleatórios.
Quanto aos pastores midiáticos que aparecem em público pra fazer discursos contra nós (alguns de forma menos explícita e outros de forma mais explícita, como se vê claramente), é só a gente tratar eles da forma como eu acabei de dizer: se qualquer um desses pastores apenas diz que não concorda com a gente ou que acredita que a gente vai pro Inferno, problema dele, isso não muda nada na vida da gente; mas se ele está tentando impor as coisas em que ele acredita ou se ele está agressivamente partindo pra ofensa gratuita e você se sentiu ofendido com aquilo, exponha em público tudo o que aconteceu ali (com a Internet não é nem um pouco difícil fazer isso).
Os evangélicos, assim como todos os cidadãos brasileiros, têm o direito de acreditar no que eles quiserem e de expor a opinião deles. Mas não de tentar forçar os outros a concordar com o que eles acreditam nem de agredir quem não acredita nas mesmas coisas que eles. E nem preciso dizer que a mesmíssima coisa vale pros homossexuais e bissexuais.
Aliás, peço a quem ler esse texto que divulgue onde quiser: no seu blog, na sua página do Facebook ou em qualquer outro site. Porque é essa mensagem que nós temos que transmitir.

Até a próxima!

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