E hoje a gente também vai falar sobre o filme Papillon.
O filme foi inspirado no livro com o mesmo nome, lançado pelo francês Henri Charrière em 1969.
Embora esse livro seja sempre lembrado como uma autobiografia, contando as várias tentativas que esse homem fez pra fugir de uma prisão, os historiadores e geógrafos que analisaram o texto acharam muito pouco provável que a mesma pessoa tenha passado por todas as situações descritas ali. E ainda mais se deslocando entre lugares tão pouco acessíveis com tanta facilidade e sem manifestar nenhum esgotamento físico.
Além disso, o autor afirmou ali que passou por certos lugares. Mas ele descreveu tais lugares com uma aparência física completamente diferente da aparência que esses lugares tinham na prática, o que dá a entender que ele nunca foi até ali, mas sim que descreveu esses lugares da forma como entendeu que eles eram.
E se o livro já tem uma veracidade duvidosa, o filme tem mais ainda, já que mudou algumas passagens da história, como vamos ver mais abaixo.
Claro que a imagem do personagem principal aqui foi bastante fantasiada: o verdadeiro Henri Charrière foi um pós-adolescente que conviveu no contato mais direto possível com a ralé de Paris até ser preso quando tinha 25 anos. Então, é claro que um garoto que andava todo dia pelos bairros mais barra pesada da cidade junto com cafetões, prostitutas, ladrões e todos os demais rejeitados pela sociedade francesa tava longe de ser tão “inocente” e “preocupado com o próximo” quanto a figura que aparece no filme, né?
Mas vamos lembrar que isso aqui era um filme feito nos padrões hollywoodianos. Então, tinha que ter um protagonista de personalidade heroica. Até porque o público tinha que simpatizar com ele e torcer pra ele se dar bem no final.
Tem até uma cena em que ele tem um sonho no qual um tribunal condena ele. Não por ter cometido crimes, mas por ter desperdiçado a vida dele. E nesse ponto, ele se declara culpado diante do tribunal (embora ele nunca explique exatamente como ele desperdiçou a vida dele).
Já que mencionamos a idade do personagem, como o Steve McQueen, que protagonizou o filme, já tinha mais de 40 anos na época das filmagens, muita gente criticou a escolha dele pra interpretar o personagem (que seria uns 20 anos mais jovem do que ele).
O personagem Louis Dega foi retratado no livro como um personagem completamente secundário. Mas no filme ele é 2º personagem mais importante da história.
Parece que isso foi proposital, já que o Dustin Hoffman interpretaria o personagem e ficaram com medo de que ele rejeitasse o trabalho se achasse que o personagem era muito simples.
Outro presidiário chamado Joanes Clousiot, que é retratado no livro como o melhor amigo que o Henri fez enquanto ficou preso, foi quase ignorado no filme, sendo retratado como pouco mais do que um figurante.
O diretor de Papillon foi o Franklin J. Schaffner. E os roteiristas foram o Dalton Trumbo, o Lorenzo Semple Jr. e o William Goldman. Mas o Henri também foi consultado enquanto o roteiro era escrito.
O filme foi produzido pelos Estados Unidos e França. Mas também teve algumas cenas filmadas na Espanha e Jamaica. E foi exibido pela 1ª vez nos Estados Unidos, em Dezembro de 1973.
Papillon começa mostrando o pátio de um presídio na França europeia, onde o diretor comunica aos presos que eles foram condenados ao exílio na Guiana Francesa, território da América do Sul (até hoje) pertencente à França. Os condenados à prisão perpétua vão ficar lá pra sempre; os condenados a um determinado número de anos vão ser obrigados a ficar na Guiana Francesa até a pena acabar, podendo depois se mudar pra algum outro país. Mas pra todos eles a regra é a mesma: esqueçam os territórios europeus da França, pois não são mais bem-vindos ali!
Os presos ouvem o discurso pelados da cabeça aos pés. Mas quando o diretor termina o discurso, são autorizados a se vestir e se preparar pra viagem.
Aviso aos tarados de plantão: não dá pra ver nada, já que tão todos de costas pra câmera e são mostrados de longe.
Depois de atravessar a cidade em marcha se dirigindo pros navios, enquanto seus amigos e conhecidos fazem tímidos gestos de despedida entre a multidão que olha a marcha, os presos embarcam.
Um deles, chamado Henri Charrière, foi apelidado de Papillon, porque ele tem uma borboleta tatuada no tórax (‘papillon’ é ‘borboleta’ em Francês).
E sim: ele é o herói da história.rsrs
É verdade que ele é um criminoso de baixa periculosidade (é um ladrão, pra ser exato). Mas ele foi condenado por ter sido falsamente acusado do assassinato de um cafetão.
Entre os poucos presos de quem ele se aproxima durante viagem tá o Louis Dega, que foi condenado por falsificações e estelionatos.
E como o Papillon é mais fortão e o Louis é mais velho e franzino, além de todo mundo saber que ele tá carregando uma quantia considerável de dinheiro com ele, eles fazem um acordo: o Papillon vai servir como guarda-costas do Louis, se em troca ele ajudar o outro a fugir quando eles chegarem à Guiana Francesa.
Embora o Louis concorde em ajudar o Papillon a fugir, ele não tem a intenção de tentar fugir, já que ele tem a fantasia de que a esposa dele, que agora é rica porque ficou com o dinheiro quase todo dele, vai falar com os advogados pra dar um jeito de tirar ele de lá (isso que é ilusão né?).
Durante a viagem, os presos são tratados como poucos mais do que animais e recebem comida e água suficiente pra não morrer de fome e sede.
Quando desembarcam, o Papillon e o Louis são mandados a um campo de trabalhos forçados no meio de um pântano. E a coisa funciona num regime de escravidão mesmo, com um guarda dando chicotadas neles durante o trabalho e alguns presos morrendo de exaustão e sendo enterrados ali mesmo na hora em covas rasas.
De vez em quando, eles também têm que se desviar de algum jacaré ou sucuri.
Um dos trabalhos mais inusitados dos presos é caçar as borboletas do pântano, já que um homem que produz tinta feita com asas de borboleta vai até ali todo mês pra comprar material.
E o Papillon aproveita pra dar uma grana a ele, combinando uma possível fuga quando isso for possível.
Numa das vezes em que cabe ao Papillon e ao Louis enterrar um dos mortos, eles veem que se trata de um amigo do Louis, que visivelmente foi degolado e teve a barriga rasgada a faca recentemente. E ao ver isso, o Louis se afasta correndo alguns metros pra vomitar.
Furioso ao ver que ele abandonou o trabalho, um dos guardas começa a espancar o Louis. E o Papillon vai defender o Louis, acabando por ferir seriamente o guarda. E como ele sabe que isso não vai ficar impune, sai correndo pelo meio do pântano. Mas acaba sendo recapturado pouco depois e condenado à solitária por 2 anos.
É proibido falar nas celas da solitária e frequentemente aparecem moscas, baratas e morcegos ali. E em circunstâncias normais, os presos só recebem por dia meia cambuca com uma sopa rala e um barrilzinho com água (tanto pra beber quanto pra se lavar). Mas o Louis dá um jeito de mandar cocos pro Papillon dentro do barrilzinho, permitindo que ele se alimente melhor.
Quando isso é descoberto pelos guardas, eles botam um caranguejo dentro do barrilzinho pra ferir ele e exigem que ele identifique quem mandou os cocos pra ele.
Ele se recusa a falar. E em resposta, os guardas cobrem a cela dele com uma tábua, impedindo que entre luz ali e também passam a dar a ele só a metade da quantidade de comida que ele recebia pelos 6 meses seguintes.
Pra não morrer de fome, ele come as baratas e lacraias que encontra na cela.
Terminado o período de 2 anos, ele tá muito fisicamente fraco e sofrendo de alucinações e falta de memória. E assim, mandam ele pra enfermaria de prisão, em St-Laurent-du-Maroni.
O Louis, que nesse meio tempo se tornou um dos presos mais privilegiados da Guiana Francesa, desfrutando da simpatia de autoridades locais, vê o Papillon sendo levado pra enfermaria.
Ele providencia que um enfermeiro gay chamado Maturette leve sopa de carne pro Papillon e depois vai visitar ele pessoalmente.
O Papillon insiste em fugir e pede pro Louis conseguir um barco pra ele. E o Louis manda ele falar com o médico que faz raio X, dizendo que ele pode fazer isso.
Outro preso, chamado Clusiot, se apresenta ao Papillon, dizendo que quer fugir junto com ele.
O Papillon fala com o tal médico do raio X e combina com ele a noite em que vai ter um homem pra guiar eles até o tal barco.
Enquanto isso, ele vê que um guarda muçulmano tá assediando sexualmente o Maturette e tem uma ideia: o Papillon oferece dinheiro ao Maturette pra levar o muçulmano pro banheiro e distrair ele lá dentro por uns 10 minutos, enquanto o Papillon e o Clusiot fogem.
A princípio, o Maturette fica indignado com isso (até porque ele sente nojo do muçulmano). Mas depois ele concorda em ajudar o Papillon com algumas mudanças nos planos: em vez de receber dinheiro, ele quer fugir junto com o Papillon e o Clusiot; e em vez de transar com o muçulmano, ele vai só fingir que aceita isso, mas no último minuto os outros têm que ajudar ele a matar o muçulmano antes que aconteça qualquer coisa.
Os 3 fazem exatamente isso.
E vão nocauteando os guardas que vão encontrando pelo caminho.
Enquanto isso, do lado de fora do prédio, o Louis sabe de tudo. E assim, ele fica puxando conversa com os guardas que tão ao redor da enfermaria, pra que não prestem atenção nos 3 homens fugindo.
Como tão apresentando um show musical pras autoridades da prisão, a música também não deixa ninguém prestar muita atenção em barulhos eventuais que eles fazem enquanto saem do prédio.
O Papillon e o Maturette conseguem pular o muro da prisão. Mas o Clusiot se atrasa e, tentando seguir os outros, acaba se envolvendo numa briga com um guarda que tava no caminho e é morto por ele.
Enquanto isso, o Louis entrou no meio pra tentar defender o Clusiot e acaba matando o guarda também durante a luta. E como o barulho acorda um dos presos que tavam na enfermaria, ele aparece na janela e começa a gritar.
Sabendo que o que aconteceu ali não vai ficar impune, o Louis se vê obrigado a seguir o Papillon e o Maturette. Mas ele quebra um pé quando pula o muro da prisão.
O homem com quem o Papillon negociou o barco encontra os 3 do lado de fora do muro, guia eles até um barco à margem do rio próximo e, ao amanhecer, desembarca com eles em outro lado do pântano. E ali ele aponta um barco pra eles a alguns metros de distância da margem, exige o dinheiro cominado e se retira logo depois.
Enquanto o Maturette cuida do pé do Louis, o Papillon anda até o barco e, pra frustração de todos, vê que aquilo não passa de ruínas do que já foi um barco.
Pouco depois, eles escutam uma galinha d’angola cantando. E o Papillon segue o som, pensando em conseguir pelo menos uma refeição pros 3. Mas a galinha d’angola tá presa numa armadilha e o caçador que prendeu ela aparece e ameaça o Papillon com uma arma.
O cara pergunta se ele é um dos 3 presos que fugiram na noite anterior, pois a notícia da fuga já se espalhou pelas redondezas. E quando o Papillon confirma, o caçador se dispõe a ajudar eles.
O caçador mostra que ele matou 2 caçadores de recompensas que tavam ali de madrugada esperando por eles. E diz que o cara que vendeu o barco pra eles já aplicou esse golpe várias vezes antes.
O caçador também explica que o máximo que eles podem fazer agora é ir até uma ilha ali perto que é usada pra isolar leprosos. Eles têm barcos em boas condições lá e, se o Papillon tiver dinheiro, pode comprar um e usar isso pra navegar pra algum país próximo.
Os 3 fazem isso e, ganhando um certa simpatia dos leprosos, ainda ganham uma certa quantia em dinheiro deles como presente quando deixam a ilha.
Eles pretendem ir pra Honduras. Mas uma tempestade lança o barco deles numa área florestal do litoral da Colômbia.
Pro azar deles, desembarcam numa praia em que um grupo de policiais tinham acabado de prender um criminoso. E achando que os 3 homens ali eram comparsas do bandido, os policiais decidem prender eles.
O Papillon joga uma faca contra um dos policiais e tenta correr com o Maturette pra dentro de uma floresta próxima. Mas os policiais abrem fogo contra eles e acertam o Maturette, enquanto o bandido que eles prenderam antes aproveita a confusão e foge dali.
Ele encontra o Papillon um pouco à frente no meio da floresta e oferece parceria pra que ambos se ajudem na fuga. Mas os policiais mandam 2 caçadores indígenas atrás deles. E depois que o outro cara morre ao cair numa armadilha, os índios cercam o Papillon e atingem ele com dardos com algum tipo de líquido sonífero.
Isso faz ele perder os sentidos e cair num rio ali do lado.
O Steve McQueen fez questão de dispensar o dublê e fazer essa cena pessoalmente. E ele sempre disse que foi uma das experiências mais emocionantes da vida dele.
Mas enfim: o Papillon acorda no meio de uma aldeia indígena, sem ter ideia de como chegou ali (pela lógica, os caçadores indígenas desistiram de pegar ele achando que ele se afogou ao cair no rio e, mais à frente, algum índio daquela aldeia recolheu ele).
Ele passa algum tempo vivendo tranquilamente entre os índios, que são coletores de ostras e, consequentemente, vivem bem abastecidos com pérolas.
Uma manhã, quando acorda, o Papillon vê que todos os índios misteriosamente sumiram da aldeia. Mas deixaram um saquinho cheio de pérolas pra ele.
Algum tempo depois, já tendo conseguido comprar roupas com as pérolas que ganhou, ele pega um ônibus na direção de uma cidade. Mas num certo ponto, a polícia manda o ônibus parar pra pedir documentos aos passageiros.
Ao ver uma freira ali perto pedindo doações pro convento dela, o Papillon dá uma pérola a ela, pedindo, através de mímica, que ela leve ele prum lugar seguro.
A freira leva o Papillon pra falar com a madre superiora do convento dela, em Santa Marta. E como ela não demonstra querer ajudar muito, ele entrega a ela as pérolas que ganhou, pedindo que ela devolva isso a ele quando ele for embora.
Na manhã seguinte, a madre superiora não só não devolve as pérolas a ele como também chama a polícia. E ele acaba sendo preso e deportado de volta pra Guiana Francesa.
Sentenciado a mais 5 anos na solitária, o Papillon termina essa nova reclusão com a aparência de um velho.
Ele vê o Maturette também sendo libertado da solitária na mesma ocasião. Mas ele já tá doente e enfraquecido demais. E segundos antes de morrer, ele diz que pelo menos agora tá livre.
O Papillon vê o corpo do Maturette sendo jogado pros tubarões. E depois o Papillon é mandado pra Ilha do Diabo, que parece funcionar como uma espécie de asilo pros presos já velhos e combalidos. E por isso mesmo, os guardas dali nem prestam muita atenção no que os presos fazem ou deixam de fazer.
Ele encontra o Louis, já meio esclerosado, vivendo na ilha.
A princípio, o Louis pensa que o Papillon é um fantasma e foge dele. Mas depois, eles acabam retomando a amizade.
O Louis revela que a última notícia que ele teve da esposa dele é que ela se casou com o advogado dele. E também revela que o dinheiro todo que ele tinha trazido da Europa já acabou. Então, fugir da prisão é uma ideia que ele já abandonou definitivamente.
O Papillon, pelo contrário, insiste nisso. E depois de chegar num canto da ilha onde vê um paredão de pedra com uma entrada circular, ele percebe que, quando as ondas batem ali, elas voltam pra direção do mar aberto com a mesma força. Ou seja, se alguém puser uma embarcação ali, ela vai ser empurrada pro mar aberto pelas próprias ondas que batem no paredão de pedra.
Ele mostra isso ao Louis, mas esse explica a ele que é impossível jogar um barco na água de cima daquele paredão. Mas o Papillon diz que não pretende jogar um barco, e sim um saco de pano cheio de cocos secos. E depois, ele pode se jogar na água também, nadar até o saco e, sobre esse saco, remar com as mãos até chegar à praia mais próxima.
Ele joga um saco de cocos nessas condições pra ver o que acontece. Mas o saco se despedaça.
Depois, observando melhor o movimento da água, ele vê o momento exato em que tem que jogar o saco. E decide seguir em frente.
O Louis, a princípio, até se mostra disposto a ir com ele. Mas mostra que há uma possibilidade muito grande de que nada daquilo funcione. E o Papillon responde que, àquela altura, isso não faz mais diferença.
Depois que eles preparam 2 sacos de pano cheios de cocos secos e chegam na beira do paredão, o Louis começa a revelar que vai desistir. Mas o Papillon interrompe o amigo e diz que ele nem precisa continuar: ele já sabia que ele ia desistir.
O Louis ainda alerta o Papillon mais uma vez sobre o risco de morrer e pede pra ele não ir. Mas o outro já se decidiu. E entre morrer afogado e ficar ali, ele prefere morrer afogado.
Os 2 amigos se abraçam pela última vez e o Papillon joga o saco de pano lá embaixo e depois se joga também. E nadando até o saco, ele consegue fazer o que pretendia.
O Louis continua na beira do paredão olhando ele por mais algum tempo. E depois, volta pra casa dele, decidido a ficar lá fazendo hora pro resto da vida.
Na cena em que o Papillon se afasta deitado sobre o saco de cocos flutuando no Mar, dá pra ver um mergulhador embaixo do saco e segurando ele (provavelmente pra manter o saco pelo menos alguns centímetros acima da superfície da água).
Mas enfim: enquanto ele se afasta, a voz de um narrador conta ao público que, dessa vez, o Papillon conseguiu fugir. E não só viveu livre até o fim dos dias dele como também chegou a ver o fim do uso da Guiana Francesa como colônia penal.
Aí entram os créditos finais, ao mesmo tempo em que vemos imagens das ruínas que sobraram do presídio, sendo aos poucos devoradas pela selva.
E o filme acaba.
Bom, o filme não mostra tudo o que se passa no livro. Como vimos, o filme termina no momento em que o Papillon foge da ilha; o livro continua contando a história dele por mais um tempo considerável depois disso, enquanto ele vai fugindo cada vez mais pro Oeste (termina quando ele vai parar na Venezuela, país em que se fixou dali pra frente).
Oggi parleremo un po’ del film Papillon.
Il film è stato ispirato dal libro omonimo, pubblicato dal francese Henri Charrière nel 1969.
Sebbene questo libro sia sempre ricordato come un’autobiografia, raccontando i vari tentativi che questo uomo ha fatto per evadere da una prigione, storici e geografi che hanno analizzato il texto hanno trovato molto improbabile che la stessa persona avesse attraversato tutte le situazioni ivi descritte. Soprattutto con quella persona a muoversi tra luoghi così inaccessibili così facilmente e senza manifestare nessuna stanchezza fisica.
Inoltre, l’autore ha affermato nel libro di aver attraversato determinati luoghi. Ma ha descritto tali luoghi con un aspetto fisico completamente diverso da come apparivano in pratica, quello che suggerisce che lui non ci sia mai andato, ma piuttosto ha descritto questi luoghi come li intendeva dopo averne sentito parlare.
E se il libro ha già una dubbia veridicità, il film ne ha ancora di più, perché ha cambiato alcuni passaggi della storia, come vedremo in seguito.
Certo, l’immagine del personaggio principale qui è piuttosto addolcita: il vero Henri Charrière era un post-adolescente che viveva a stretto contatto possibile con la gente socialmente più mal vista di Parigi. Questa situazione si è interrotta solo quando è stato arrestato a 25 anni. Quindi, è chiaro che un ragazzo che era presente ogni giorno nei quartieri più pericolosi della città insieme a magnaccia, prostitute, ladri e tutti gli altri scarti della società francese era ben lungi dall’essere così innocente e preoccupato per il suo vicino come il personaggio mostrato nel film, giusto?
Ma ricordiamoci che questo era un film realizzato secondo gli standard di Hollywood. Quindi, il film doveva avere un protagonista dalla personalità eroica. Soprattutto perché il pubblico doveva simpatizzare con lui e sperare che avesse un lieto fine.
C’è anche una scena in cui fa un sogno in cui un tribunale lo condanna. Non perché abbia commesso crimini, ma perché ha sprecato la sua vita. E a quel punto si dichiara colpevole davanti al tribunale (anche se non spiega mai esattamente come ha sprecato la sua vita).
Dato che abbiamo menzionato l’età del personaggio, Steve McQueen, che ha recitato nel film, aveva già più di 40 anni al momento delle riprese. E così, molte persone hanno criticato la sua scelta di interpretare il personaggio (che sarebbe di circa 20 anni più giovane di lui).
Il personaggio di Louis Dega è stato ritratto nel libro come un personaggio del tutto minore. Ma nel film è il secondo protagonista.
Sembra che fosse apposta, perché Dustin Hoffman interpreterebbe il personaggio e avevano paura che lui rifiutasse il lavoro se avesse pensato che il personaggio fosse troppo semplice.
Un altro detenuto di nome Joanes Clousiot, che è ritratto nel libro come il migliore amico che Henri aveva mentre era imprigionato, è stato quasi ignorato nel film, essendo interpretato come poco più di un extra.
Il film non mostra tutto ciò che accade nel libro. In effetti (SPOILER AVANTI!), il film finisce proprio mentre Papillon fugge dall’Isola del Diavolo; il libro continua a raccontare la sua storia per un considerevole lasso di tempo dopo, mentre continua a fuggire sempre più a Ovest (il libro finisce dopo che lui arriva in Venezuela, il paese dove si è stabilito da quel momento in poi).
Il regista di Papillon è stato Franklin J. Schaffner. E gli sceneggiatori erano Dalton Trumbo, Lorenzo Semple Jr. e William Goldman. Ma anche il vero Henri è stato consultato durante la stesura della sceneggiatura.
Il film è stato prodotto da Stati Uniti e Francia. Ma aveva anche alcune scene girate in Spagna e in Giamaica. Ed è stato proiettato per la prima volta negli Stati Uniti, nel Dicembre del 1973.
Papillon comincia mostrando il patio di una prigione della Francia europea, dove il guardia carceraria dice ai prigionieri che sono stati condannati all’esilio nella Guyana Francese, territorio del Sud America (ancora oggigiorno) appartenente alla Francia. I condannati all’ergastolo vi rimarranno per sempre; i condannati a un certo numero di anni saranno costretti a rimanere nella Guyana Francese fino al termine della pena, dopodiché potranno trasferirsi in un altro paese. Ma per tutti la regola è la stessa: c’è bisogno di dimentica i territori europei della Francia, perché lì non sono più i benvenuti!
Gli uomini ascoltano il discorso nudi dalla testa ai piedi. Ma quando il guardia carceraria finisce il suo discorso, possono vestirsi e prepararsi per il viaggio.
Avvertenza per i maniaci del sesso: non si vede niente perché sono tutti di spalle alla telecamera e mostrati da lontano.
Dopo aver attraversato la città verso le navi, mentre i loro amici e parenti fanno timidi gesti di addio tra la folla che assiste alla marcia, i prigionieri salgono a bordo.
Uno di loro, di nome Henri Charrière, è stato soprannominato Papillon, perché ha una farfalla tatuata sul petto (“papillon” significa “farfalla” in Francese). E sì: è lui l’eroe della storia.
È vero che è un criminale a basso rischio (è un ladro, per l’esattezza). Ma è stato condannato per esser stato accusato ingiustamente dell’omicidio di un magnaccia.
Tra i pochi prigionieri a cui si avvicina durante il suo viaggio c’è Louis Dega, condannato per falso e appropriazione indebita. E siccome Papillon è più forte e Louis è più vecchio e più magro, oltre a che tutti sanno che lui porta con sé una notevole quantità di denaro, fanno un patto: Papillon fungerà da guardia del corpo di Louis, se in cambio lui aiuterà l’altro a fuggire quando raggiungono la Guyana Francese.
Sebbene Louis accetti di aiutare Papillon a scappare, non ha intenzione di tentare la fuga, perché immagina che sua moglie, che ora è ricca perché ha tenuto la maggior parte dei suoi soldi, parlerà con i suoi avvocati per trovare un modo per tirarlo fuori di lì (che illusione, vero?).
Durante il viaggio, i prigionieri vengono trattati come poco più che animali e ricevono soltanto il cibo e l’acqua che basta per non morire di fame e di sete.
Quando atterrano, Papillon e Louis vengono mandati in un campo di lavoro forzato nel mezzo di una palude. E la cosa funziona in un regime di vera e propria schiavitù, con una guardia che li colpisce con una frusta durante il lavoro e alcuni prigionieri che muoiono di sfinimento e vengono sepolti proprio lì sul posto in fosse poco profonde.
Di tanto in tanto, devono anche schivarsi di qualche alligatore o anaconda.
E passeranno ancora anni e anni prima che uno di loro veda la libertà...
In Papillon (1973), Henri Charrière, nicknamed Papillon, was arrested and sent to the penal colony of French Guiana. Just like Louis Dega.
They’re sent to a forced labor camp in a swamp. And one of the prisoners’ most unusual jobs is to hunt for butterflies in the swamp, because a man who produces paint made from butterfly wings goes there every month to buy material.
And Papillon takes the chance to give him money, arranging a possible escape when that’s possible.
In one of the times when it’s up to Papillon and Louis to bury one of the dead prisoners, they see it’s a friend of Louis, who visibly had his neck and belly torn open with a knife recently. And looking at it, Louis runs away a few meters to throw up.
Furious that he has abandoned his job, one of the guards begins to beat Louis. And Papillon goes to defend Louis, ending up seriously injuring the guard. And since he knows this won’t go unpunished, he takes off running across the swamp. But he’s recaptured shortly afterwards and sentenced to solitary confinement for 2 years.
It’s forbidden to talk in solitary confinement cells. And often flies, cockroaches and bats get in there. And under normal circumstances, prisoners only receive half a cup a day with thin soup and a small barrel of water (both for drinking and washing). But Louis manages to send Papillon coconuts into the barrel, allowing him to eat better.
When this is discovered by the guards, they put a crab inside the barrel to injure Papillon and they demand that he identify who sent him the coconuts.
He refuses to speak. And in response, the guards cover his cell with a board, preventing light from entering there and they also start giving him only half the amount of food he received for the next 6 months.
In order not to starve to death, he eats the cockroaches and centipedes he finds in his cell.
At the end of his 2 year period, he is very physically weak and suffering from hallucinations and poor memory. And so he’s sent to the prison infirmary at St-Laurent-du-Maroni.
Louis, who in the meantime has become one of the most privileged prisoners in French Guiana, enjoying the sympathy of local authorities, sees Papillon being taken to the infirmary.
He arranges for a gay nurse named Maturette to bring Papillon meat soup, and then he goes to visit his friend in person.
Papillon insists on running away and he asks Louis to get him a boat. And Louis sends him to the doctor who works with X-rays, saying he can do it.
Another prisoner, named Clusiot, approaches Papillon, saying he wants to run away with him.
Papillon talks to that X-ray doctor and he arranges with him the night there will be a man to guide them to that boat.
Meanwhile, he sees a muslim guard is sexually harassing Maturette. And he has an idea: Papillon offers Maturette money to take the muslim to the restroom and distract him there for about 10 minutes, while Papillon and Clusiot escape.
At first, Maturette is outraged by this (not least because he’s disgusted by that muslim). But later he agrees to help Papillon with some changes in plans: instead of receiving money, he wants to run away along with Papillon and Clusiot; and instead of having sex with the muslim, he will just pretend to go along with it, but at the last minute the others have to help him kill the muslim before anything happens.
The 3 men do just that. And they knock out the guards they see along the way.
Meanwhile, outside the building, Louis knows everything. And so, he keeps striking up a conversation with the guards that are around the ward, so they don’t pay attention to the 3 men running away.
As they’re putting on a musical show for the prison authorities, the music also doesn’t let anyone pay much attention to occasional noises they make as they exit the building.
Papillon and Maturette manage to jump over the prison wall. But Clusiot is late and, trying to follow the others, he ends up getting involved in a fight with a guard who was in the way and he’s killed by the man.
Meanwhile, Louis approaches to try to defend Clusiot and he ends up killing the guard as well during the fight. And as the noise wakes up one of the prisoners who were in the infirmary, he arrives at the window and starts screaming.
Knowing what happened there will not go unpunished, Louis is forced to follow Papillon and Maturette. But he breaks a foot when he jumps over the prison wall.
The man with whom Papillon negotiated the boat meets the 3 of them outside the wall, he guides them to a boat on the bank of the nearby river and, at dawn, he disembarks with them on another side of the swamp. And there he points the boat to them a few meters away from the shore, demands the money agreed and leaves soon after.
While Maturette takes care of Louis’ broken foot, Papillon walks over to the boat and, to everyone’s frustration, sees it’s nothing more than the ruins of what was once a boat.
Shortly after, they hear a guinea fowl screaming. And Papillon follows the sound, thinking of getting at least a meal for them 3. But the guinea fowl is already in a trap and the hunter who trapped it arrives there and threatens Papillon with a gun.
The guy asks if he is one of the 3 prisoners who escaped the night before, as the news of their escape has already spread around. And when Papillon confirms this, the hunter is willing to help them.
The hunter shows he killed 2 bounty hunters who were there late at night waiting for them. And he says the guy who sold them the boat has pulled this scam several times before.
The hunter also explains the most they can do now is going to a nearby island used to isolate lepers. They have boats in good condition there, and if Papillon has money he can buy a boat and use that to sail to some nearby country.
The 3 men do this and, gaining some sympathy from the lepers, they even get a certain amount of money from them as a gift when they leave the island.
But despite that successful start, it would take years for Papillon to find his freedom...
En Papillon (1973), Henri Charrière, apodado Papillon, es enviado a la colonia penal de la Guayana Francesa. Pero una vez logró escapar de allí en bote, junto con su amigo Louis Dega y otro prisionero llamado Maturette.
Pretenden huir a Honduras. Pero una tormenta lanza su bote hacia un área boscosa de la costa de Colombia.
Para su mala suerte, aterrizan en una playa donde un grupo de policías acababa de detener a un delincuente. Y pensando que los 3 hombres allí eran cómplices del bandido, la policía decide arrestarlos.
Papillon arroja un cuchillo a uno de los policías y luego intenta correr junto con Maturette hacia un bosque cercano (Louis no puede correr porque está herido). Pero la policía abre fuego contra ellos y hiere a Maturette, mientras que el bandido que arrestaron antes se aprovecha de la confusión y huye.
Encuentra a Papillon un poco más adelante en el bosque y le ofrece una sociedad para que ambos puedan ayudarse mutuamente en su escape. Pero la policía envía 2 cazadores indígenas tras ellos. Y después de que el otro tipo muere al caer en una trampa, los indios rodean a Papillon y lo golpean con jabalinas con algún tipo de líquido para dormir.
Eso lo hace perder el conocimiento y caer a un río por un costado.
Steve McQueen quiso actuar él mismo en esa escena. Y siempre dijo que fue una de las experiencias más conmovedoras de su vida.
Pero bueno: Papillon se despierta en un pueblo indígena, sin saber cómo llegó allí (por lógica, los cazadores indígenas desistieron de atraparlo, pensando que se ahogó al caer al río y, más tarde, algún indio de ese pueblo lo recogió).
Pasa algún tiempo viviendo tranquilamente entre los indios, que son recolectores de ostras y por lo tanto bien provistos de perlas.
Una mañana, cuando Papillon se despierta, ve que todos los indios han desaparecido misteriosamente del pueblo. Pero le dejaron una bolsa llena de perlas.
Tiempo después, habiendo logrado ya comprar ropa con las perlas que ganó, él toma un autobús en dirección a una ciudad. Pero en cierto momento, la policía detiene el autobús para pedir documentos a los pasajeros.
Al ver a una monja cerca pidiendo donaciones para su convento, él le entrega una perla, pidiéndole, a través de gestos, que lo lleve a un lugar seguro.
La monja lleva a Papillon a hablar con la madre superiora de su convento en Santa Marta. Y como ella no parece querer ayudar mucho, él le da las perlas que ganó, pidiéndole que se las devuelva cuando se vaya.
A la mañana siguiente, la madre superiora no solo no le devuelve las perlas, sino que también llama a la policía. Y él termina siendo arrestado y deportado a la Guayana Francesa.
Condenado a 5 años en régimen de aislamiento, Papillon termina su encarcelamiento con el aspecto de un anciano.
El ve a Maturette también siendo liberado de su confinamiento solitario al mismo tiempo. Pero ya está enfermo y demasiado debilitado. Y segundos antes de morirse, él dice que al menos ahora es libre.
Papillon ve que arrojan el cuerpo de Maturette a los tiburones. Y luego Papillon es enviado a la Isla del Diablo, que parece funcionar como una especie de asilo para los ya viejos y debilitados prisioneros. Y por eso mismo, los guardias allí ni siquiera prestan mucha atención a lo que hacen los prisioneros.
El encuentra a Louis, ya un poco esclerótico, viviendo en la isla.
Al principio, Louis piensa que Papillon es un fantasma y huye de él. Pero luego, terminan retomando su amistad.
Años antes, Louis esperaba que sus abogados lo rescataran, pero ahora lo ha olvidado. Y escapar de la prisión es una idea que ha abandonado para siempre.
Papillon, por el contrario, insiste en ello. Y tras llegar a un rincón de la isla donde ve un muro de piedra con una entrada circular, se da cuenta de que cuando las olas golpean allí, regresan hacia el mar abierto con la misma fuerza. Es decir, si alguien pone allí una barca, será empujada mar adentro por las mismas olas que chocan contra el muro de piedra.
Le muestra eso a Louis, pero este le explica que es imposible lanzar un bote desde lo alto de ese muro. Pero Papillon dice que no tiene la intención de lanzar un bote, sino una bolsa de tela llena de cocos secos. Y luego él también puede tirarse al agua, nadar hacia la bolsa y, sobre ella, remar con sus manos hasta llegar a la playa más cercana.
El lanza una bolsa de cocos en esas condiciones para ver qué pasa. Pero la bolsa se rompe.
Entonces, observando mejor el movimiento del agua, ve el momento exacto en el que tiene que tirar la bolsa. Y decide seguir adelante.
Louis, al principio, incluso está dispuesto a ir con él. Pero muestra que existe una posibilidad muy fuerte de que nada de eso funcione. Y Papillon responde que, llegados al punto actual, eso ya no hace ninguna diferencia.
Después de que preparan 2 bolsas de tela llenas de cocos secos y llegan al borde del muro, Louis comienza a revelar que no quiere ir. Pero Papillon interrumpe a su amigo y le dice que ni siquiera necesita continuar: ya sabía que se iba a rendir.
Louis todavía advierte a Papillon una vez más sobre el riesgo de morir y le pide que no se vaya. Pero el otro ya se ha decidido. Y entre ahogarse y quedarse ahí, prefiere ahogarse.
Los 2 amigos se abrazan por última vez y Papillon tira la bolsa de tela ahí abajo y luego él también salta. Y nadando hacia la bolsa, hace lo que pretendía.
Louis permanece en el borde del muro de piedra mirándolo por un rato más. Y luego regresa a su casa, decidido a quedarse allí por el resto de su vida.
En la escena en la que Papillon se aleja acostado sobre la bolsa de cocos flotando en el Mar, se puede ver a un buzo debajo de la bolsa y sosteniéndola (probablemente para mantener la bolsa al menos unos centímetros por encima de la superficie del agua).
Pero de todos modos: mientras se aleja, la voz de un narrador le dice a la audiencia que, esa vez, Papillon logró escapar. Y no solo vivió libre hasta el final de sus días como también vio el fin del uso de la Guayana Francesa como colonia penal.
Ahora vemos los créditos finales, al mismo tiempo que vemos imágenes de las ruinas que quedan de la prisión, siendo poco a poco devoradas por la selva.
Y la película termina.
Até Julho!