Oi!!!
Hoje a gente vai se lembrar do programa de entrevistas Jô Soares Onze e Meia.
Na 2ª metade dos anos 80, quando o Carlos Alberto de Nóbrega era um dos diretores principais do SBT, ele concluiu que a emissora já tinha muitos programas populares, mas, com exceção do próprio programa do Sílvio Santos, não tinha um programa comandado por uma pessoa mais considerada pela grande mídia.
Assim, o Carlos teve a ideia de convidar o Chico Anysio e o Jô Soares pra apresentar um.
Mas trabalhar com o Chico Anysio era muito difícil: ele não aceitava que nenhum diretor mandasse mais do que ele, ele queria dar a palavra final sobre tudo, ele não se submetia nem às ordens que vinham da direção principal da emissora...
O Jô Soares era muito mais maleável. Então, o Carlos acabou chamando ele.
Bom, entre 1981 e 1987, o Jô tinha apresentado um programa humorístico na Globo chamado Viva o Gordo. Mas desde que ele chegou no SBT, ele manifestou desde o início a vontade de fazer um programa de entrevistas.
O Sílvio Santos concordou, mas achou melhor ele estrear no SBT com o mesmo tipo de programa que ele tinha na Globo. E no ano seguinte, eles veriam como seria esse programa de entrevistas.
Assim, eles lançaram em Fevereiro de 1988 o programa Veja o Gordo, que não passava de um Viva o Gordo genérico.
Em Agosto do mesmo ano, conforme o combinado, foi lançado o programa de entrevistas que ele queria, chamado Jô Soares Onze e Meia.
A princípio, o Jô ficou com os 2 programas no ar: o Veja o Gordo passava em 1 dia por semana e o Jô Soares Onze e Meia passava em 4 dias. Até que, no início de 1990, ele decidiu parar com o Veja o Gordo, pra ficar com o Jô Soares Onze e Meia de Segunda a Sexta.
Embora no título do programa constasse a expressão “Onze e Meia”, na prática os episódios do programa começavam nos horários mais variados da noite entre as 22h e as 2h.
Isso deu origem a muitas piadas, já que esse era visto como o único programa que nunca começava no horário em que tava previsto.
Quase sempre o último entrevistado era um cantor.
O programa logo passou a ser considerado um clássico entre os programas de entrevistas. Principalmente por apresentar um formato diferente dos outros programas desse tipo que tinham sido vistos no Brasil até aquela época, frequentemente mais sérios, exibidos menos vezes por semana e sempre sem plateia.
O Jô Soares Onze e Meia contava ainda com um conjunto de músicos e um garçom, que frequentemente eram abordados pelo Jô durante as entrevistas.
Apesar das novidades trazidas pelo programa, o princípio de ‘entrevistar aquele convidado específico’ nem sempre funcionava.
Em 1º lugar, porque o Jô sempre interrompia a pessoa que tava sendo entrevistada pra contar alguma situação da vida dele... Não que haja algum problema no entrevistador mencionar algum evento da vida dele durante a entrevista. Mas não é ele que tá em destaque na entrevista, e sim o entrevistado.
Aí nós chegamos talvez no problema principal do programa: o Jô nunca aceitou que o convidado se destacasse mais do que ele.
Existem várias e várias entrevistas em que ele chamou especialistas nos mais variados assuntos. E quando a pessoa em questão explicava como alguma coisa da área dela funcionava, ele interrompia a pessoa e dizia:
“Não. Isso não funciona assim. Eu vou te explicar por quê...”
Gente, venhamos e convenhamos, se eu sou um grande especialista num determinado assunto, com pós-doutorado naquele assunto (ou quase), já dei palestras e já escrevi livros sobre aquele assunto, e um leigo com mania de grandeza me interrompe e me diz uma frase desse tipo, eu vou simplesmente me levantar, sair e deixar ele falando sozinho.
O Jô tinha mania de grandeza? Não é preciso observar muito o comportamento dele pra constatar isso.
Evidentemente que eu não estou colocando em questão os conhecimentos eruditos do Jô: se você comparar o conteúdo intelectual dele com o de 99% de todos os outros artistas brasileiros, ele ganhava de longe.
Tanto que ninguém do meio artístico nunca se atreveu a desafiar ele e dizer abertamente que ele tinha feito alguma coisa errada.
Quando algum artista queria discordar de alguma coisa que ele tinha feito, primeiro fazia uma introdução com várias rasgações de seda, chamando ele de “gênio” e adjacências. E só depois, discordava timidamente do que ele tinha feito.
Entretanto, ter mais erudição e mais intelectualidade do que a grande maioria das pessoas não significa que você sabe TUDO melhor do que TODOS. E me parece que ele acabou chegando exatamente a essa conclusão sobre si mesmo.
Inclusive, quando ele dava alguma explicação errada e o convidado respondia provando que a explicação dele estava errada, acabava a entrevista: ele passava o resto do tempo só sacaneando a pessoa e debochando da pessoa. E com bastante exagero.
A não ser, é claro, quando ele estava entrevistando alguma pessoa do alto escalão da sociedade.
Se alguém tem alguma dúvida disso, podem procurar na Internet que vocês acham facilmente entrevistas do programa. É só ver as entrevistas prestando atenção no que eu disse aqui.
Então, por tudo isso, muitas vezes o entrevistado era deixado em 2º ou 3º plano. Mas o programa não deixou de ter seus fãs por causa disso.
O último episódio foi ao ar em Dezembro de 1999, totalizando mais de 6500 entrevistas.
Oggi ricorderemo il talk show Jô Soares Onze e Meia.
Nella seconda metà degli anni 80, quando Carlos Alberto de Nóbrega era uno dei principali direttori della TV SBT, lui ha concluso che quella stazione televisiva aveva già molti show popolari, ma, a parte lo show di Sílvio Santos, non c’era nessun show condotto da una persona più rispettata dai media tradizionali.
Così, Carlos ha avuto l’idea di invitare Chico Anysio e Jô Soares.
Ma lavorare con Chico Anysio era molto difficile: lui non avrebbe accettato che un regista si occupasse di uno show più di lui, voleva sempre avere l’ultima parola su tutto, non si sarebbe nemmeno sottomesso agli ordini che provenivano dalla direzione principale della stazione...
Jô Soares era molto più flessibile. Così, Carlos ha finito per invitarlo.
Beh, dal 1981 al 1987, Jô aveva condotto uno show comico sulla TV Rede Globo chiamato Viva o Gordo. Ma fin da quando è arrivato all’SBT, ha espresso il desiderio di avere un talk show.
Sílvio Santos era d’accordo, ma ha pensato che sarebbe stato meglio per Jô debuttare sull’SBT con lo stesso tipo di show televisivo che aveva avuto su Globo. E l’anno seguente, penserebbero come sarebbe questo talk show.
Così, nel Febbraio 1988, hanno pubblicato Veja o Gordo, che non era altro che una nuova versione di Viva o Gordo.
Ad Agosto dello stesso anno, come concordato, è usciso il talk show che lui desiderava: Jô Soares Onze e Meia.
All’inizio, Jô ha mantenuto entrambi gli show in TV: Veja o Gordo andava in onda 1 giorno alla settimana e Jô Soares Onze e Meia andava in onda 4 giorni alla settimana. Finché, all’inizio del 1990, lui ha deciso di interrompere Veja o Gordo e di restare con Jô Soares Onze e Meia dal Lunedì al Venerdì.
Although the title of the TV show included the expression “Onze e Meia” (which means “11h30min pm”), in practice the episodes of Jô Soares Onze e Meia started at various times of the night around 10 pm and 2 am. This gave rise to many jokes, because it was seen as the only TV show that never started at the scheduled time.
The last person interviewed was almost always a singer.
The show soon came to be seen as a classic among Brazilian talk shows. Mainly because it presented a different format from other shows of this type that had been seen in Brazil up until that time, which were often more serious, aired less times per week and always without an audience.
Jô Soares Onze e Meia also had a group of musicians and a waiter, who were often approached by Jô during the interviews.
Despite the novelties brought by the show, the principle of ‘interviewing that specific guest’ did not always work.
Firstly, because Jô would always interrupt the person being interviewed to tell the audience about a situation in his life...
Not that there’s anything wrong with the interviewer mentioning an event in his life during the interview. But it’s not him who’s the focus of the interview, it’s the interviewee.
Now we come to perhaps the main problem with this show: Jô never accepted that a guest would stand out more than him.
There are several and several interviews in which he invited experts in the most varied subjects. And when one of these people explained how something in his area worked, he would interrupt the person and say:
"No. It doesn’t work like that. I’ll teach you why..."
Guys, let’s face it, if I’m a great expert in a certain subject, if I have a post-doctorate in that subject (or almost), if I’ve given lectures and written books on that subject, and if a layman with delusions of grandeur interrupts me and says something like that, I’ll simply get up and leave.
¿Jô Soares tenía delirios de grandeza? No es necesario observar mucho su comportamiento para ver eso.
Por supuesto, no cuestiono los conocimientos eruditos de Jô: si se compara su contenido intelectual con el del 99% de los demás artistas brasileños, él ganaría con diferencia.
Tanto es así que nadie en el mundo artístico se atrevió jamás a desafiarlo y decir abiertamente que había hecho algo mal.
Cuando otro artista quería estar en desacuerdo con algo que había hecho, primero lo presentaban con muchos halagos, llamándolo “genio” y cosas parecidas. Y sólo después decía tímidamente no estaba de acuerdo con lo que él había hecho.
Sin embargo, tener más erudición y más intelectualidad que la gran mayoría de las personas no significa que alguien sepa TODO mejor que TODOS. Y me parece que él acabó llegando exactamente a esa conclusión sobre sí mismo.
De hecho, cuando daba una explicación equivocada y la persona que entrevistaba respondía demostrando que su explicación era incorrecta, la entrevista terminaba: él pasaba el resto del tiempo simplemente provocando a la persona y burlándose de ella. Y de manera bastante exagerada.
Excepto, por supuesto, cuando estaba entrevistando a alguien de alto nivel en la sociedad.
Si alguien tiene alguna duda al respecto, puede buscar en Internet y podrá encontrar fácilmente entrevistas del programa. Solo mira las entrevistas y presta atención a lo que dije aquí.
Entonces, debido a todo eso, sus entrevistados a menudo quedaban en segundo o tercer lugar en sus entrevistas. Pero el programa no perdió seguidores por eso.
El último episodio se emitió en Diciembre de 1999 y totalizó más de 6.500 entrevistas.
Até!