segunda-feira, 11 de março de 2013

QUEM GOSTA DE DEMOCRACIA É INTELECTUAL; POBRE GOSTA DE DITADURA

Oi!!!

Vou fazer esse post só em Português porque acho que a tradução dele pra outras línguas ficaria meio complicada.
Como todo mundo já sabe, o Hugo Chávez morreu no último dia 05. E assim, acho que devo dar uma palavrinha aqui sobre as reações à morte dele.
Mas antes, tenho que lembrar a vocês uma máxima de autoria do falecido Joãosinho Trinta:

“Quem gosta de pobreza é intelectual; pobre gosta de luxo.”

Essa frase nos faz pensar também na diferença como o pobre e o intelectual pensam em outras áreas. E exatamente na área política, a gente pode aplicar a mesma frase com outras palavras:

QUEM GOSTA DE DEMOCRACIA É INTELECTUAL; POBRE GOSTA DE DITADURA.

Uma das várias vezes em que tivemos a confirmação disso foi exatamente na morte do Hugo Chávez. A classe Z da sociedade da Venezuela ficou deprimidíssima com a morte dele.
Se você pesquisar sobre a morte de outros ditadores (como o Getúlio Vargas, o Kim Jong-il ou qualquer outro), você vai ver que, durante as cerimônias funerárias deles, a classe Z daquela sociedade se mostrava na rua chorando, se esgoelando, arrancando os cabelos...
Depois disso, você vai ver imagens de quando esse ditador ainda era vivo... Bom, quando ele aparecia na sacada do palácio presidencial e abria os braços pro povo (ou fazia qualquer outro gesto correspondente a esse), os membros da classe Z ali presentes entravam num ataque histérico! Eles tinham orgasmos múltiplos ao ver aquela criatura que eles amavam acima de todas as coisas se apresentando diante deles.
Muito bem. Quem é que não tem esse tipo de manifestação quando morre um ditador? Os intelectuais, é claro. Porque quem se manifesta contra os ditadores e a favor da democracia são os intelectuais.
O povão, a classe Z da sociedade, geralmente acha ótimo ter um ditador decidindo o que é melhor e o que é pior pra todos. Afinal, pensar dá muito trabalho, né? Questionar as ideias que você ouve pra concluir se elas estão certas ou erradas dá muito trabalho. Analisar as situações e aí, depois de refletir, chegar a uma conclusão do que é melhor e do que é pior pra si mesmo dá muito trabalho. Fica mais fácil deixar outra pessoa fazer tudo isso por você.
Você acha um absurdo pensar assim? Ué! Mas o posicionamento da classe Z da sociedade geralmente é esse.
Vamos lembrar também que o discurso de um ditador geralmente vem todo enfeitado com palavras de “cuidado”. Passa sempre aquela mensagem de “Eu só faço tudo o que faço porque estou cuidando de vocês”, “Eu só faço tudo o que faço pra impedir que a sociedade caia em erro”...
Como é que o pobre vai responder a isso:

“Meu Deus! Esse homem é tão bom que quem for contra ele merece mesmo ser punido!”

Vejam as manifestações que a blogueira cubana Yoni Sánchez recebe contra ela por falar contra o Castrismo. São manifestações vindas de gente que responde à ditadura da forma que eu acabei de descrever acima.
É claro que o amor do pobre pelo ditador não é motivado apenas pelos discursos bonitos e pelo comodismo de não precisar pensar. Também entra uma outra questão: 99% dos sistemas repressores fazem algum tipo de assistencialismo. Ou seja, chegam pra casse Z da sociedade e dão comida de graça, dão roupa de graça...
Bom, acho que o povão não precisa de mais motivos do que esses pra endeusar os ditadores, né?
Vemos a mesmíssima situação, e pelos mesmíssimos motivos, em relação à religião:

QUEM GOSTA DE RELIGIÕES MAIS FILOSÓFICAS E QUE RESPEITAM MAIS O LIVRE ARBÍTRIO É INTELECTUAL; POBRE GOSTA DE RELIGIÕES REPRESSORAS.

Não é à toa que, no Brasil, o nicho social em que as igrejas pentecostais e neopentecostais mais repressoras crescem com mais força são exatamente as favelas. A adoração que o pobre faz ao pastor repressor é o mesmo tipo de adoração que faz a um ditador. E como eu disse, pelos mesmos motivos que eu já expliquei.
Vejam os países muçulmanos, onde a política e a religião se misturam de forma indissolúvel. Lá, as ditaduras florescem com a maior facilidade. Quando algum partido político desfila com o pôster de um ditador na rua, os muçulmanos se agarram na foto do ditador, beijam a imagem do ditador na boca compulsivamente...
Como na maioria dos países muçulmanos a quase totalidade da população é pobre e os ditadores lá são sempre uma mistura de líder político repressor com líder religioso repressor, tem como as ditaduras não florescerem lá?
Por tudo isso, não me surpreende que a classe Z da Venezuela se sinta órfã sem o seu “redentor”.
Bom, fica aí algo pra refletir.

Até!

4 comentários:

Wanderley Elian Lima disse...

Oi Leo
Acredito não se tratar apenas de ter alguém decidindo por eles. Acontece que toda ditadura é populista, e as classes menos favorecidas, sem cultua e com fome, acabam tendo no ditador sua única alternativa.
Bjux

Leo Natura disse...

Bom, é claro que quando a pessoa não tem nem o que comer, ela acaba sendo forçada a apelar pra saídas alternativas. Mas esse não é bem o caso das situações que eu mencionei aqui...
Você mencionou a falta de cultura. Tudo bem. Realmente a classe Z de uma sociedade (seja lá a sociedade que for) nunca é o grupo mais favorecido em termos de cultura. Mas você já viu o que acontece na maioria das vezes em que você oferece cultura ao referido grupo?
Vou dar um exemplo cinematográfico, só pra ilustrar melhor a situação:
No filme Mentes Perigosas, com a Michelle Pfeiffer, ela é uma professora que tenta inovar as aulas numa escola pra alunos pobres. E como 2 alunos de repente somem, ela vai à favela onde eles moram pra ver o que houve. Aí a mãe dos garotos (se não me engano), responde alguma coisa mais ou menos assim:

´´Você é a cadela que tá botando minhoca na cabeça dos meninos. Eles só têm é que trabalhar e mais nada. Não precisam pensar.``

Posso garantir a você que já vi situações desse tipo na vida real. Quando você estende a mão pra classe Z da sociedade, oferecendo cultura e melhores condições de vida, tem INDIVÍDUOS ESPECÍFICOS aceitam e pegam a sua mão. Mas a maioria prefere ficar parada no lugar onde está. E ainda responde alguma coisa do mesmo tipo que a mãe dos garotos respondeu no filme.
Por mais precárias que sejam as condições de vida em que eles se encontram, dá muito trabalho reprensar ideias, retomar posições... Eles preferem deixar que um líder assistencialista (político e/ou religioso) pense por eles e decida o que é melhor pra eles. Com exceção, como eu já disse, de INDIVÍDUOS ESPECÍFICOS que aceitam ajuda. Esses, geralmente, são futuros intelectuais.
Conhece o Mito da Caverna, do Platão? Pois é isso.
Bom, beijos também!

Iziel disse...

Infelizmente o povo tem preguiça de se manifestar, pensar e estudar para conseguir algo na vida. É mais fácil para as pessoas carentes e de baixa renda aceitar o assistencialismo desses "ditadores" ditos como santos. É bastante confortável para essas pessoas viver nessa realidade.

Leo Natura disse...

Exatamente.
Uma coisa que eu costumo dizer é, se você tiver a oportunidade de ajudar alguém mais pobre do que você, ajude, é claro. Mas ajude indivíduos específicos, que querem estudar, que querem trabalhar, que querem ter melhores condições de vida. Não tente ajudar a massa porque vai ser um esforço inútil. Eles podem até reclamar das condições em que vivem, mas na prática não querem sair dessas condições.