Oi!!!
Bem-vindos a Fevereiro!
Como sempre, vamos começar o mês com uma enquete. Mas a pergunta que eu vou fazer vai bater de frente contra uma ideia muito fantasiosa que eu tenho visto alguns ativistas GLBT divulgando na mídia: eles afirmam categoricamente que vai chegar o dia em que o casamento entre 2 pessoas do mesmo sexo vai ser visto por todos exatamente da mesma forma que o casamento entre 2 pessoas de sexos diferentes.
Então, eu pergunto: você não acha que eles tão dando um tiro no pé ao afirmar isso?
Vou explicar:
Pense num amigo homem que você tem e numa amiga mulher que você tem. Agora se imagine contando uma notícia cabeludíssima pro homem e, com as mesmas palavras, contando a mesma notícia cabeludíssima pra mulher... Eles reagiriam 100% da mesma forma ao que você disse? Tenho certeza de que não.
Agora, pense num grande risco de morrer que você passou. E se imagine contando isso pro seu pai e contando exatamente a mesma coisa com as mesmas palavras pra sua mãe... Eles reagiriam 100% da mesma forma? Tenho certeza de que não.
Agora, pense numa situação muito íntima da sua vida sexual e se imagine contando isso prum homem e contando exatamente a mesma coisa com as mesmas palavras pruma mulher... Você se sentiria confortável da mesma forma e falaria com a mesma espontaneidade pros 2? Provavelmente também não.
O que eu quero dizer com isso é que, em qualquer tipo de relação que você tem com outra pessoa, não vai ser a mesma coisa se essa pessoa for homem ou mulher.
Um homem não vai reagir às situações da mesma forma que uma mulher reagiria. E você mesmo não vai se sentir à vontade no mesmo peso e na mesma medida falando sobre certas coisas com um homem e com uma mulher.
E relações românticas na são exceção: namorar um homem não é a mesma coisa que namorar uma mulher.
Quanto a quem está em volta ver da mesma forma, também não vai ver.
Use a amizade como exemplo: quando você é amigo de um homem, quem está em volta vê essa situação 100% da mesma forma que vê quando você é amigo de uma mulher? Posso afirmar que não, sem medo de errar.
E quando se trata de um namoro, todos nós sabemos que a situação é mais contrastante ainda: experimente chegar em casa e apresentar um namorado pra sua família e chegar em casa e apresentar uma namorada pra sua família e veja se a reação deles sequer passa perto de ser a mesma. E até a reação dos amigos mesmo não vai ser 100% a mesma.
Então, gente, temos que continuar lutando pelos nossos direitos, não podemos nos deixar pisar por miso-hômicos... Mas não faz sentido achar que um dia um casamento gay vai ser visto e tratado por todos 100% da mesma forma que um casamento hétero, porque não vai.
Em 1º lugar porque não é a mesma coisa na prática. E em 2º lugar porque quem está em volta também não está vendo essas 2 situações da mesma forma.
2 comentários:
Eu até concordo em termos, aliás tem uns contos da Anais Nyn (se não conhece, devia!) em que ela trata disso, falando como uma personagem bissexual assume na relação com uma mulher comportamentos que jamais ousaria assumir com um homem. Por outro lado, por mais que pareça meio voluntarismo achar que um dia a sociedade vai aceitar de boa o casamento gay, tb não é um sonho absurdo; culturas e sociedades passadas e presentes, melhores que a nossa (pense Canadá, Holanda, índios brasileiros antes de Cabral etc) já aceitam ou aceitaram.
Eu sou elitista e não acredito em resolver a sordidez humana, os preconceitos, na base do diálogo e da educação; apesar de votar na esquerda (afinal, qual a opção? votar na direita? nem que eu fosse hétero, santos deuses!) não engulo esse papo de que todo mundo nasce bonzinho e a sociedade corrompe. A maioria das pessoas são fracas e acreditam no que o costume social manda acreditar; só uma minoria pode realmente ser educada; pros outros resta o condicionamento. Num Canadá, ser miso-hômico é socialmente reprovado, um cara assim é visto como um tipo desagradável e nocivo; no Brasil, ele pode até ser visto como herói, ser eleito. É mais do que uma questão de economia, governo, educação, IDH - é toda a qualidade do fermento que é posto na massa. Ingredientes de qualidade são raros em qualquer latitude.
Meu comentário ficou meio confuso, então quero explicar melhor. Eu concordo e apóio e luto pela igualdade legal, social, política, moral de héteros e não-héteros; isso é uma esperança sensata e justa. Porém, não acredito em igualdade ERÓTICA. A Nélida Piñon uma vez falou contra o igualitarismo radical que propõe que homens e mulheres são iguais (não são, são diferentes; não melhores ou piores, DIFERENTES). Ok, muita coisa é socialmente inventada, é injusta, e a diferença entre os sexos não é uma coisa definitiva, rígida, escrita em pedra e bronze, conforme todos os regimes fascistas e sexistas sempre tentam impingir. Mas ainda vai subsistir a diferença. O mesmo vale pra relações entre pessoas. Claro que a base é comum, paixão, amor, tesão, são forças humanas universais, mas mesmo deixando de fora a reação social e considerando apenas as duas pessoas envolvidas, amor hétero e amor gay se desdobram em coisas diferentes, o tipo de apego é diferente, a atração, a expectativa. Os grandes poetas bissexuais cantaram coisas diferentes quando se apaixonavam por um homem ou uma mulher, não era só uma mera mudança de pronome. E querer fazer tábula rasa disso não é progressismo, é ignorância.
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