segunda-feira, 1 de agosto de 2016

44ª ENQUETE



Oi!!!

Bem-vindos a Agosto!
Vamos à enquete do mês. E eu já vou fazer direto a pergunta, porque depois tenho alguns comentários a fazer sobre o assunto: o que você faria se fosse morar num prédio onde a maioria dos moradores são evangélicos?

Antes que alguém responda, eu gostaria que pensasse em algumas questões.
Antes de mais nada, temos que lembrar que, num desentendimento entre pessoas que moram no mesmo prédio, os recém-chegados são os que geralmente perdem, mesmo que tenham mais razão. A tendência dos outros moradores do prédio é darem razão ao morador mais antigo, mesmo quando sabem que ele é (pra usar um termo gentil) uma pessoa difícil.
Não tô dizendo que você tem que aturar TUDO que o outro diga ou faça contra você. Mas se o que rolou foi só uma provocação simples, um olhar meio torto dirigido a você ou alguma coisa do tipo, durante os seus primeiros 6 meses no prédio o melhor que você tem a fazer é fingir que não viu ou fingir que não entendeu o que aconteceu ali e não responder nada.
Lembre-se que uma certa rejeição inicial contra um recém-chegado, desde que não passe de certos limites e não dure muito tempo, é algo relativamente comum de se ver em qualquer grupo.
Se houve uma agressão direta contra você, claro que aí já é outra história.
Passada essa fase inicial, aí é que a gente chega ao tema da enquete. Porque, depois disso, se continuar uma implicância do vizinho contra você, aí a gente já pode afirmar sem medo de errar que ele tem algo pessoal contra você. E se ele é evangélico e percebe que você não é heterossexual, é muito provável que tenha mesmo.
É bom lembrar que, quando o vizinho é de uma igreja protestante histórica (um luterano, um presbiteriano, um batista...), provavelmente você vai ver nas reações dele que ele não quer muita aproximação com você. Mas também é pouco provável que ele cause problemas a você, desde que a devida distância seja mantida.
Claro que cada caso é um caso. Inclusive tem uma quantidade grande de protestantes desse tipo que não tão nem aí pro que você faz na cama e aceitam até fazer amizade com você. Mas, quando acontece discriminação vinda de protestantes históricos, ela geralmente se resume a isso: ele não se mete na sua vida, você não se mete na dele e vocês vivem em paz assim.
Já quando o vizinho é um pentecostal ou um neopentecostal, uma das primeiras impressões que você tem é que aquela criatura só existe pra falar mal da vida pessoal dos outros. E não vamos negar que muitas vezes, na prática, é isso mesmo. Principalmente quando se trata de um membro de uma daquelas seitas pentecostais ou neopentecostais em que os homens só usam aqueles ternos com a gola abotoada até o queixo e as mangas abotoadas até os dedos e as mulheres só usam aqueles cabelões enormes, aquelas blusas com golas de babado 100% fechadas e aqueles saiões desbotados e quase arrastando no chão (os famosos uniformes de evangélico fanático, né?).
Quando a maioria dos moradores de um lugar é de uma seita evangélica desse tipo e chega ali um novo morador que não é, a gente costuma ver 2 resultados básicos: a rejeição direta ou a tentativa de conversão a qualquer preço.
No 1º caso, nada do que você disser ou fizer vai ser visto como certo. Ou seja, mesmo que você não fale alto no corredor, mesmo que você sempre apareça nas áreas públicas do prédio só com roupas discretas, mesmo que você nunca tenha falado nenhuma palavra desagradável na frente de outros moradores do prédio, mesmo que você não faça nenhum barulho muito alto dentro do seu apartamento, prepare-se pra ouvir todos os julgamentos e condenações contra você (provavelmente acompanhados de passagens bíblicas ligadas a castigos e punições).
Isso tudo só porque você não é da seita deles. Se além de você não ser da seita deles eles também descobrirem que você não é heterossexual, imediatamente eles vão associar você a prostituição, tráfico de drogas, corrupção de menores, satanismo... Afinal, evangélicos desse tipo têm certeza absoluta de TODOS esses assuntos fazem parte integrante da homossexualidade.
Lembre-se também que não adianta tentar explicar a diferença entre uma coisa e outra, porque você está lidando ali com criaturas que não fazem a mínima questão de ouvir nada do que você tem a dizer. A não ser, é claro, que você comece a repetir as mesmas coisas que o pastor da igreja delas diz.
No 2º caso, em todas as vezes em que você esbarrar com essas criaturas no corredor, no elevador do prédio ou mesmo na portaria, elas vão começar um discurso ‘explicando’ por que você tem que concordar com o que o pastor da igreja delas diz, por que você tem a obrigação e o dever de ir à igreja delas e por que é SÓ na igreja delas que você vai “encontrar Jesus”.

Também não tente argumentar, porque TUDO o que você disser vai entrar por um ouvido e sair pelo outro. Se é que vai entrar. E as criaturas vão continuar insistindo, insistindo, insistindo, insistindo, insistindo, insistindo, insistindo, insistindo, insistindo, insistindo em que você tem que dar razão a tudo o que elas estão dizendo e que você tem que ir pra igreja delas.
Agora, eu gostaria que vocês respondessem à enquete levando em conta as questões que eu lembrei.

Um comentário:

Anônimo disse...

Eu moro em Brasília que é uma cidade bastante carola, quase interiorana, pelo menos fora do ambiente mais burgues do Plano (nao sou rico o bastante pra morar lá então moro numa cidade satélite). O vizinho do corredor é um pastor que mora com a família toda, mas eu não sinto problema nenhum, nao me relaciono com vizinhos, é só "bom dia" e "boa noite". O fato de eu ser adulto independente e ter me mudado pra cá sozinho ajuda, não devo satisfações a ninguém e tb sou discreto na minha vida, já trouxe homens no meu apto e nunca tive problemas, ninguém me olhou torto ou ficou de fofoca que eu saiba. Pessoalmente o que me afeta neste ambiente é que as pessoas aqui, principalmente rapazes mais jovens que ainda moram com a família, são muito paranoicos e enrolados e mal resolvidos, morrem de medo de serem descobertos, chegam até a namorar mulheres, e muitas vezes desmarcam planos etc é uma merda conseguir sair com alguém. Não tem o anonimato de uma São Paulo pra te proteger. Eu entendo o lado deles, mas frustra. Basicamente tenho que viajar pra SP pra conseguir transar...