Oi!!!
Amanhã, 17 de Maio, é o Dia Mundial Contra a Miso-Homia. E achei interessante lembrar de um assunto atual: a vinda de refugiados sírios homossexuais e bissexuais pro Brasil.
Sim. Porque, além de enfrentar os mesmos problemas que os refugiados sírios heterossexuais enfrentam, eles também têm que enfrentar a miso-homia. E como estamos combatendo a miso-homia no geral, temos que nos preocupar com o que eles passam também. E vamos tentar tornar a permanência deles no Brasil menos difícil.
Se alguém disser que isso é perda de tempo, porque não existem refugiados sírios no Brasil, vou ter que dizer que essa pessoa está meio desinformada. É claro que a quantidade que tem aqui é o mínimo do mínimo que tem na Europa. Mas aqui no Rio tem sido meio comum encontrar alguns deles trabalhando como camelôs e vendendo esfirras, quibes e outras comidas árabes.
Na Igreja de São João Batista da Lagoa, em Botafogo, o Padre Alex Sampaio tem recebido vários deles no abrigo pra refugiados que fica nos fundos da igreja.
Então, isso é, sim, um assunto pra se discutir no Brasil.
Bom, em 1º lugar, vamos lembrar que homossexuais e bissexuais do Oriente Médio que vêm buscar refúgio no Ocidente não são nenhuma novidade.
Com a Revolução Sexual dos anos 60, trazendo a ideia de que quem manda na vida sexual do indivíduo é o próprio indivíduo, é claro que os homossexuais e bissexuais que moravam no Oriente Médio passaram a ver o Ocidente como um lugar melhor pra viver. E desde aquela época se registra a vinda de muitos deles pra cá por questões de comportamento sexual.
Mas, apesar de não ser novidade, é um assunto que se intensificou nos últimos tempos por causa da vinda em massa de sírios (de todas as preferências sexuais possíveis) pro Ocidente, certo? Então, não estranhe se você encontrar um sírio homossexual ou bissexual recém-chegado morando na sua cidade.
E se você começar a conviver mais de perto com um deles e, de repente, vislumbrar a possibilidade fazer uma amizade com ele, como agir?
1º a religião tem que ser lembrada: a grande maioria dos sírios são muçulmanos, a religião que é mais contrária aos homossexuais e bissexuais. Ou seja, um sírio que não é heterossexual certamente tem uma grande dificuldade em se aceitar e também uma série de complexos em relação a isso. Então, não tente expor ele diretamente a situações sexuais nem tente arranjar um namorado pra ele logo de cara, porque ele vai se intimidar e pode até se sentir ofendido. E não fique contando pra ele logo nos primeiros contatos como é que você se masturba, o que é que você gosta de fazer na cama nem fique perguntando a ele como é que ele faz isso.
Sexo, como um todo, não é um assunto discutido abertamente em público no Oriente Médio.
Vamos lembrar que os heterossexuais de lá estranham quando veem o comportamento dos héteros daqui. Então, no mesmo peso e na mesma medida, os homossexuais de lá também estranham quando veem o comportamento dos gays daqui.
Claro que, se você está falando sacanagem com um amigo brasileiro na frente de um sírio, aí é outra história. Você não tem que mudar o seu estilo de vida porque tem alguém de fora presente.
2º use a roupa que você quiser usar na frente de um sírio, mas não fique pressionando ele pra ele usar roupas mais curtas. Povos do Oriente Médio geralmente sentem vergonha de usar roupas muito curtas, mesmo no calor.
Ir à praia ou à piscina e ficar de sunga num lugar público... Provavelmente ele não vai nem cogitar a ideia de fazer isso. Então, também não insista, né?
3º na hora de comer, a mesma coisa: coma e beba o que você quiser na frente dele, mas não fique pressionando ele pra comer e beber coisas que ele não quer. A religião muçulmana tem certas restrições em relação a comida e bebida (eles não podem comer carne de porco, não podem beber bebida alcoólica...).
4º pra encerrar, não fique insistindo pra ele deixar a religião dele e procurar uma religião mais compreensiva e que não seja tão agressiva contra quem não é hétero, porque, prum muçulmano, e principalmente prum muçulmano que foi criado no Oriente Médio, isso não é tão simples quanto é pra nós.
Quando nós, ocidentais, somos membros de uma religião e não concordamos mais com o que essa religião diz, nós simplesmente mudamos de religião, certo? Mas no Oriente Médio não existe exatamente essa ideia. O comum lá é o indivíduo ficar a vida inteira na religião em que ele nasceu. Mesmo que ele sinta que a religião está fazendo mal a ele.
Além disso, a Sharia (conjunto de leis muçulmanas) diz que deixar a religião muçulmana é um crime que deve ser punido com a morte. Então, certamente ele tem essa ideia na cabeça dele.
Pode ser que, com o tempo, ele comece a pensar de uma forma mais abrasileirada e acabe mesmo procurando outra religião. Mas certamente isso não vai acontecer logo de cara.
Com o tempo, o sírio vai criando mais intimidade com você e aí você pode ser mais espontâneo com ele.
Claro que se ele já mora há 1 ou mais anos no Brasil, você não precisa tomar tantos cuidados assim. Provavelmente ele já sabe mais ou menos como a gente vive por aqui, né? Mas, mesmo assim, você pode usar o que eu disse aqui como um padrão de comportamento pra se aproximar dele.
Bom, até a próxima!


6 comentários:
pra quem é fã,coleção completa Brigitte Montfort ZZ7
http://savajo.blogspot.com.br/
???
Tá.
Eu li que muitos refugiados no ocidente, depois de passar um tempo aqui, estão se convertendo ao catolicismo, por vontade própria, porque se sentem mais amparados por uma religião mais tolerante, sobretudo depois de sofrerem na pele as conseqüências do fanatismo islâmico, e tbm porque muitos deles querem se integrar e vêem nisso uma forma de facilitar a integração.
Mas é como você disse, não pode pressionar nem querer ficar debatendo e questionando a pessoa. É uma coisa que ela só pode fazer quando e se quiser.
Não é bem que o Catolicismo seja mais tolerante. Ele simplesmente não tem o mesmo nível de violência que você vê no Islamismo.
Eu não diria que os homossexuais e bissexuais são bem-vindos no Catolicismo. Mas é que ali eles não são apedrejados até a morte, não são enforcados, não levam 80 chibatadas...
E o Catolicismo da forma como é praticado no Brasil é bastante fácil de ser posto em prática, né? Se você é um católico brasileiro, você pode fazer basicamente tudo o que quiser, escolher o santo que você quiser pra ser devoto dele, rezar pra esse santo de vez em quando... E geralmente fica nisso, né?
É raro você encontrar um católico brasileiro que seja fervorosíssimo. A não ser as beatas (aquelas velhas desocupadas que passam o dia inteiro na igreja).
Por isso que, às vezes, uma pessoa que foi criada numa religião mais rígida e nunca se sentiu feliz com isso fica mais à vontade no meio de católicos.
Bom, claro que quando eu falei do catolicismo tolerante eu quis dizer relativamente. Nenhuma religião monoteísta é de fato tolerante (David Hume já dizia isso mais de 200 anos atrás), mas o catolicismo é muito brando comparado com o islamismo e, pelo menos neste momento sob o papa Francisco, está mais sensível às mudanças sociais.
Aliás, foi uma super virada depois que o Bento XVI saiu e o Francisco I entrou.
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