Oi!!!
Bem-vindos a Agosto!
E vamos à enquete...
Muitos homossexuais e bissexuais, principalmente os mais jovens, têm uma dúvida frequente sobre contar ou não contar à família sobre a sexualidade deles, porque acham que vão ter problemas por causa disso.
Eu poderia fazer um textão aqui falando sobre famílias que têm gente de alguma religião mais miso-hômica (pentecostais e muçulmanos, por exemplo) que rejeitam os homossexuais e bissexuais por motivos religiosos e aí os problemas começam por causa disso... E não tenho problema em escrever textos sobre isso. Mas essa não é a ideia hoje, porque acho que isso já é discutido com toda a frequência em incontáveis sites que a gente conhece (inclusive aqui) e também porque hoje quero tocar num outro ponto. Hoje eu não vou falar de famílias que não aceitam.
É que às vezes a sua família aceita que você seja gay ou bi. Mas, mesmo assim, os problemas aumentam depois que você conta.
O que acontece é o seguinte: qualquer segredo mais íntimo seu (sobre sexo ou sobre qualquer outro assunto) só deve ser compartilhado com pessoas que você sabe que vão reagir racionalmente. Não adianta você contar aquilo a uma pessoa que você sabe que, mesmo que aceite depois, vai ter um chilique na hora em que ela ouvir aquilo; a uma pessoa que você sabe que vai contar aquilo a mais alguém; a uma pessoa que você sabe que vai começar a querer se meter nisso cada vez mais a partir daí...
Essa última reação, a meu ver, é a pior. E eu vejo isso acontecer muito quando a pessoa tem uma família mediterrânea típica (cheia de mulheres superprotetoras, infantilizadoras, intrometidas...). Porque aí você vai encontrar pessoas que podem até concordar com o que você contou, mas vão querer se meter em tudo que acontece com você nessa situação. Ou seja, você vai ser posto de lado e essas pessoas é que vão querer decidir tudo por você sobre esse assunto a partir daí.
Se você dá valor à sua privacidade e às suas liberdades pessoais, conte os seus segredos mais íntimos só a uma pessoa que você sabe que vai reagir racionalmente. Você sabe até que ela não vai concordar com o que você vai contar, mas você também sabe que ela não vai ter nenhum ataque histérico na hora em que você contar, não vai sair contando aquilo a outras pessoas, não vai querer assumir o comando daquela situação mais do que você mesmo a partir do momento em que ela souber...
Então, contar a alguém que você é gay e ser aceito por essa pessoa sendo gay não significa que você não vai ter problemas com essa pessoa. Isso pode resultar na sua mãe se metendo em tudo a partir daí, na sua avó se metendo em tudo a partir daí ou outra situação parecida com essas.
Bom, a pergunta desse mês não é muito objetiva, mas é válida: o que você acha sobre essa questão que eu levantei aqui?

Um comentário:
De fato você tem razão.
Conheço muita gente que não vai concordar se eu contar que sou gay. Mas também não vai ter nenhum chilique nem vai tentar me levar para a igreja para me "curar". Apenas não vai concordar.
Muito boa essa reflexão que você levantou.
Postar um comentário