quinta-feira, 1 de agosto de 2019

80ª ENQUETE



Oi!!!

Bem-vindos a Agosto!
E vamos à enquete...
Muitos homossexuais e bissexuais, principalmente os mais jovens, têm uma dúvida frequente sobre contar ou não contar à família sobre a sexualidade deles, porque acham que vão ter problemas por causa disso.

Eu poderia fazer um textão aqui falando sobre famílias que têm gente de alguma religião mais miso-hômica (pentecostais e muçulmanos, por exemplo) que rejeitam os homossexuais e bissexuais por motivos religiosos e aí os problemas começam por causa disso... E não tenho problema em escrever textos sobre isso. Mas essa não é a ideia hoje, porque acho que isso já é discutido com toda a frequência em incontáveis sites que a gente conhece (inclusive aqui) e também porque hoje quero tocar num outro ponto. Hoje eu não vou falar de famílias que não aceitam.
É que às vezes a sua família aceita que você seja gay ou bi. Mas, mesmo assim, os problemas aumentam depois que você conta.
O que acontece é o seguinte: qualquer segredo mais íntimo seu (sobre sexo ou sobre qualquer outro assunto) só deve ser compartilhado com pessoas que você sabe que vão reagir racionalmente. Não adianta você contar aquilo a uma pessoa que você sabe que, mesmo que aceite depois, vai ter um chilique na hora em que ela ouvir aquilo; a uma pessoa que você sabe que vai contar aquilo a mais alguém; a uma pessoa que você sabe que vai começar a querer se meter nisso cada vez mais a partir daí...
Essa última reação, a meu ver, é a pior. E eu vejo isso acontecer muito quando a pessoa tem uma família mediterrânea típica (cheia de mulheres superprotetoras, infantilizadoras, intrometidas...). Porque aí você vai encontrar pessoas que podem até concordar com o que você contou, mas vão querer se meter em tudo que acontece com você nessa situação. Ou seja, você vai ser posto de lado e essas pessoas é que vão querer decidir tudo por você sobre esse assunto a partir daí.
Se você dá valor à sua privacidade e às suas liberdades pessoais, conte os seus segredos mais íntimos só a uma pessoa que você sabe que vai reagir racionalmente. Você sabe até que ela não vai concordar com o que você vai contar, mas você também sabe que ela não vai ter nenhum ataque histérico na hora em que você contar, não vai sair contando aquilo a outras pessoas, não vai querer assumir o comando daquela situação mais do que você mesmo a partir do momento em que ela souber...
Então, contar a alguém que você é gay e ser aceito por essa pessoa sendo gay não significa que você não vai ter problemas com essa pessoa. Isso pode resultar na sua mãe se metendo em tudo a partir daí, na sua avó se metendo em tudo a partir daí ou outra situação parecida com essas.
Bom, a pergunta desse mês não é muito objetiva, mas é válida: o que você acha sobre essa questão que eu levantei aqui?

Um comentário:

Anônimo disse...

De fato você tem razão.
Conheço muita gente que não vai concordar se eu contar que sou gay. Mas também não vai ter nenhum chilique nem vai tentar me levar para a igreja para me "curar". Apenas não vai concordar.
Muito boa essa reflexão que você levantou.