Oi!!!
Vou fechar o mês fazendo algumas análises sobre uma questão que geralmente incomoda muita gente e geralmente surte pouco ou nenhum efeito: o ato de gritar sem necessidade.
Existem situações em que a gente é obrigado a gritar? Com certeza.
A principal é a necessidade de se fazer ouvir pela outra pessoa num ambiente barulhento. Porque, nesse caso, se a sua voz não se sobressair acima do barulho, a pessoa não vai ouvir nada do que você vai falar. Ou, se ouvir, vai entender errado. Você vai falar “A banda da brigada” e ela vai entender “A bunda da empregada”.
Pode parecer brincadeira, mas é isso mesmo.
Aí você só tem 2 opções: gritar ou se aproximar mais da pessoa e falar perto do ouvido dela (e dependendo do lugar onde você está, nem sempre é fisicamente possível usar a 2ª opção).
Com exceção dos casos de poluição sonora, em que o barulho no ambiente não permite que você seja ouvido sem gritar (ou então faz com que você seja ouvido de forma deturpada), são raras as outras situações em que você é obrigado a gritar.
E na grande maioria das vezes, gritar só faz com que você perca a razão.
Vou dar um exemplo que eu acho que todo mundo já viu:
Quando você era criança e/ou adolescente, uma mulher mais velha da sua família (provavelmente a sua mãe ou a sua avó) proibiu você de fazer alguma coisa, porque, por motivos puramente emocionais, ela não queria que você fizesse aquilo. Aí você respondeu com um argumento racional que ela não teve como contradizer isso usando uma resposta racional. Qual foi o resultado? Provavelmente ela começou a gritar frases do tipo:
“QUEM MANDA AQUI SOU EU!!! VOCÊ TEM QUE FAZER O QUE EU QUERO!!! CALA A BOCA E ME OBEDECE!!!”
Qual é a lição que fica desse tipo de situação? É que, quando você começa a gritar, você está praticamente assinando uma declaração de que você não tem argumentos racionais. Aí você se descontrola emocionalmente.
A mulher mais velha que eu usei no exemplo acima pode até ter conseguido ser obedecida naquela ocasião. Mas ela conseguiu fazer com que você passasse a concordar com ela só porque ela começou a gritar? Óbvio que não.
Se qualquer pessoa falou alguma coisa pra você num tom de voz normal e você não concordou com o que ela disse, não é gritando a mesma coisa na sua cara que ela vai fazer você passar a concordar.
E quando você tem certeza de que o que você está falando está certo, você não precisa levantar a voz pra outra pessoa. Você apenas explica o que você quer dizer com aquilo e por qual motivo aquilo está certo. E se mesmo assim a pessoa quiser se fazer de desentendida, não vai adiantar você insistir. E menos ainda gritar.
Outra coisa: já percebeu que, quando uma pessoa grita o tempo todo, as outras pessoas começam a parar de prestar atenção nela?
“Ah, deixa ela gritar porque ela é chata mesmo...”
E quem falar isso vai simplesmente virar as costas e deixar ela gritando sozinha.
Então, adianta alguma coisa?
Claro: não vamos esquecer que todos nós temos momentos de descontrole emocional e, nesses momentos, mesmo sem querer, nós acabamos gritando. Só que uma coisa e ter momentos específicos de descontrole emocional e outra coisa é passar uma imagem pros outros de que você está em estado permanente de descontrole emocional. E isso não é só uma imagem que você passa: se você só fala com as pessoas sempre gritando, então você está mesmo em estado permanente de descontrole emocional.
Fica aí algo pra refletir.

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