quarta-feira, 1 de março de 2017

51ª ENQUETE



Oi!!!

Bem-vindos a Março!
Vamos à enquete do mês.
Já levantei esse assunto em vários outros posts. Mas tenho percebido que muitos homossexuais e bissexuais manifestam uma certa dúvida sobre uma situação. É algo que eles veem acontecendo em alguns casos numa boa e em outros casos se mostrando mais do que impossível.
Bom, você que tá lendo esse post muito provavelmente é gay ou bi, certo?
Ou, se você é hétero, minimamente se interessa pelo assunto. Então, se coloque no lugar de um gay ou de um bi.
Vamos dizer que você, sendo gay, vê outros gays e bis fazendo amizade com cristãos sem problemas. Só que, quando você tenta fazer amizade com outros cristãos e você não esconde deles que você não é hétero, você não consegue.
Aí você fica com aquelas dúvidas se a amizade entre um não-hétero e um cristão é possível ou impossível.
Então, a minha pergunta desse mês é exatamente essa: se alguém é homossexual ou bissexual esse alguém pode ter uma amizade sincera com um cristão?

Agora vou dar a minha opinião (um pouco longa rs):
Eu diria que depende muito do tipo de igreja que o cristão em questão frequenta.
Os católicos romanos, pelo menos em sua maioria, não são um grupo religioso extremista no Brasil. A maioria não vive de acordo com o que pregam as correntes mais conservadoras do Catolicismo Romano.
Os piores exemplos de católicos radicais no Brasil geralmente são as beatas. Aquelas velhas desocupadas que passam o dia inteiro na igreja tomando conta da vida de todo mundo. Com elas provavelmente você não vai encontrar nenhuma boa recepção se elas souberem que você não é hétero.
No caso dos protestantes históricos (ou seja, anglicanos, batistas, luteranos, metodistas, presbiterianos...), você costuma encontrar basicamente a mesma coisa que entre os católicos.
Eu mesmo já entrei pessoalmente em igrejas desse tipo e não vi nada de radical nem de extremista.
A grande maioria dos protestantes históricos frequentam lugares comuns, se vestem com roupas comuns, conversam com você sobre qualquer assunto...
Muitos tiveram experiências sexuais antes de casar. E apesar de defenderem que o sexo antes do casamento não é o mais adequado, eles também não tratam isso como uma tragédia nem como uma condenação inegociável ao Inferno.
Aliás, é bem raro ver um protestante histórico de 5 em 5 segundos apontando o dedo pra outra pessoa e dizendo que ela está pecando porque ela está fazendo isso, aquilo ou aquilo outro.
Sem dúvida que eles vão concordar com você em alguns assuntos e discordar em outros. Mas essa é uma situação que você encontra conversando com qualquer pessoa.
E claro que você vai encontrar alguns extremistas ali no meio. Mas a maioria entende que as doutrinas das igrejas deles dizem respeito a quem escolheu fazer parte dessas igrejas. E só. Não é algo pra ser imposto a ferro e fogo e a unhas e dentes a toda a Humanidade.
Então, sim: pelo menos com a maioria deles dá pra fazer amizade.
Então, me parece que o problema principal é com os pentecostais e neopentecostais.
ESSES, só devido à ética proselitista deles de fazer todos os seres humanos DO MUNDO passarem a acreditar na mesma coisa que eles, pensar da mesma forma que eles e se comportar da mesma forma que eles, já se tornam pessoas extremamente difíceis de lidar.
E só se aproximar de um deles já vai ser difícil, a não ser que você fale só coisas que ele quer ouvir.
E é claro: pra se aproximar de um deles você também tem que gostar de todas as passagens da Bíblia que falam de castigo e punição, porque eles recitam essas partes da Bíblia 24 horas por dia.
Você também vai ver eles sempre julgando os outros. Mas dizendo que não estão julgando, e sim repetindo o que a Bíblia diz.
E principalmente: qualquer comportamento relacionado a sexo com o qual eles não concordem vai ser taxado de “demoníaco”, “diabólico”, “luciferiano”, “satânico” e adjacências.
Mas vamos dizer que você encontre um pentecostal ou neopentecostal que seja um pouco menos agressivo...
Se você tentar fazer amizade com ele, ele vai tentar levar você pra igreja dele? Podemos afirmar com 99% de certeza que sim. Aliás, falando por experiência minha, nunca vi um pentecostal ou neopentecostal que nunca tenha tentado fazer isso quando encontra um ateu ou uma pessoa de outra religião. Na melhor das hipóteses, tem aqueles que não insistem quando veem que não adianta. Mas tentar uma vez ou outra eles sempre tentam.
Ou então, quando outros amigos ou parentes dele estiverem por perto, ele vai pedir pra você evitar falar sobre “certas coisas” na frente deles. E “certas coisas” significa novela, praia, corte de cabelo, tipos diferentes de roupa... Não se esqueça de que, pra eles, você só pode ir aos lugares “que a Bíblia permite”, só pode usar as roupas “que a Bíblia permite” e só pode cortar os cabelos do tamanho “que a Bíblia permite”.
Aos olhos dele, você não é dono do seu nariz. O pastor da igreja dele é que sabe o que é certo ou errado pra você.

Discordar do que o pastor diz não é um direito seu, já que, pros pentecostais e neopentecostais, o pastor só fala tudo o que fala e só faz tudo o que faz inspirado pelo que eles chamam de “espírito santo”. Então, se você discordar do pastor, você está discordando do “espírito santo”.
Simplificando: você só vai conseguir ser amigo de um deles se você defender RADICALMENTE as mesmas ideias que eles.
Some-se isso ao fato de eles sempre se comunicarem na base do exagero e do escândalo.
Quanto a isso, basta lembrar que os pastores midiáticos que se expressam de forma mais agressiva (o Marco Feliciano, o Silas Malafaia e adjacências) são exatamente desse tipo de igreja.
Já sei que alguém vai dizer que conhece um pentecostal ou um neopentecostal que não é assim.
Bom, resta saber se já faz alguns anos que você convive com essa pessoa todo dia em situações pessoais e se, ao mesmo tempo, você observa essa pessoa sob uma ótica racional (é só assim que se CONHECE propriamente alguém).
Se for esse o caso, veja se ele trata todo mundo com respeito e educação (independente das diferenças de religião e de comportamento sexual) e veja se ele não fica compulsivamente tentando controlar a forma como as outras pessoas pensam e se comportam.
Só um aviso: se você tem uma imagem muito idealizada desse seu amiguinho penteca ou neopenteca e agora vai passar a analisar ele sob uma ótica só racional, se prepare pra decepções. Provavelmente bem grandes!

4 comentários:

XAVERICO disse...

Olá amigo LÉO.
Eu tinha um amigo de infância que sofria ( e ainda sofre!) muito nas mãos da mãe autoritária.O coitadinho não podia brincar com crianças de outras religiões,ele era um escravo,não tinha liberdade.Inclusive sua mãe não falava comigo por eu não pertencer a sua religião e proibia meu amigo de falar comigo.
O tempo passou e hoje ele está lá,não casou porque é gay enrustido,tem 44 anos,não pode nem chegar perto de homem que a mãe fica uma fera,só pode ir pro trabalho e igreja.Ele é muito infeliz.
Abraços!

Anônimo disse...

Nietzsche disse que o cristianismo, nas suas origens dentro do império romano, estava fadado a se tornar uma crença doentia, vulgar e baixa, na medida em que se espalhava para uma massa de escravos e outras pessoas rudes que tinham necessidades doentias, vulgares e baixas. 2000 anos depois, acho que isso se aplica perfeitamente às correntes pentecostais de hoje quando contrastadas com o catolicismo e os protestantes históricos, como você falou.

Anônimo disse...

Desculpe se isso soa grosseiro, Leo, mas pra quê que eu vou querer fazer amizade com crente? Eu desprezo, repudio todas as superstições, ignorâncias, repressões antinaturais e preconceitos deles, desprezo os políticos em que votam, desprezo sua atitude julgadora e proselitista, desprezo o efeito dessas religiões na sociedade. Estou num desacordo tão profundo com tudo isso que só sendo louco pra querer algo deles além de distância. Que se lixem!

Ro Fers disse...

Acho que depende da mentalidade de ambos...
Há alguns cristãos com a mentalidade aberta, que não se intromete na vida alheia e não se acha do porta voz de Deus.