Oi!!!
Bem-vindos a Novembro!
Observando as favelas do Rio, que tão se tornando lugares cada vez mais perigosos, apesar de terem passado por um processo de pacificação em anos recentes, eu pensei em falar sobre o programa Esquenta, que foi exibido pela Globo até o Ano Novo de 2017.
Pra quem não tem o hábito de ver a Globo, era um programa de auditório que passava 1 vez por semana e que pretendia expor as culturas de subúrbio e de favela.
Eventualmente, outros tipos de atração eram mostrados. Mas sempre passando a ideia de que as culturas de subúrbio e de favela tinham que vir em 1º plano.
Enquanto rolava a festa, entre uma atração musical e outra, a apresentadora Regina Casé fazia seu costumeiro discurso de favela utópica, dizendo que a gente tem que deixar de ter preconceito contra as favelas, porque favela é um paraíso, favela é um lugar lindo, favela é um lugar maravilhoso, favela é um lugar onde só acontecem coisas maravilhosas...
Bom, só se forem as favelas do planeta de onde ela veio, né? Porque as favelas da Terra, pelo menos, não são assim.
Os moradores das favelas eram retratados como criaturas que não faziam nada além de cantar e dançar 24 horas por dia, usando roupas que fazem as roupas da Elke Maravilha parecerem uniformes de colegial e sempre achando que a vida é bela.
Simplificando, o programa vendia uma imagem de alienação relacionada às favelas.
Já sei que muita gente vai dizer que o programa tem que ser valorizado porque ele sempre levava convidados GLBT pra participarem da festa e adjacências.
Bom, o programa ficou no ar de 2011 até 2017. Naquela fase, vários programas levaram convidados GLBT pra participarem das suas apresentações. Isso não foi nenhum mérito SÓ do Esquenta. Então, não acho que a gente deva nada de tão significativo assim ao programa só por causa disso. E mesmo que a gente devesse, um programa não é isento de receber críticas só porque ele leva convidados GLBT pra participarem dele.
O Superpop da Rede TV!, por exemplo, sempre levou convidados GLBT, mas também sempre proporcionou brigas e discussões deles com convidados evangélicos.
Mas, voltando ao assunto, a minha pergunta desse mês é: o que você acha da imagem das favelas que o Esquenta passava?

2 comentários:
A Regina Casé tem que fazer esse teatrinho em primeiro lugar porque isso é um personagem que ela criou ela vem mantendo há muitos anos. Mostrando que ela anda no meio do povo, que ela entra em qualquer lugar, que ela não tem preconceito contra nada...
E em segundo lugar porque o programa era dirigido ao público classe z mesmo. O público que mora em favela. Então, se você faz um programa querendo chamar a atenção dos favelados, você vai falar que favela é uma merda? Claro que não.
Dizem até que ela nunca quis fazer esse programa. Ela tinha em mente outro programa com outra temática totalmente diferente, mas o Boninho não deixou passar. Ele queria um programa que mostrasse pobre, periferia... Porque era esse público que eles estavam querendo chamar na época. Aquilo que eles chamam de “classe c”.
Eu uma vez ouvi uma moça, inteligente, negra, e de origem de favela, descrever muito bem o que esse programa alienante da Regina Casé representava: era um teatro com duas funções: primeiro, feito pra classe média liberal se sentir "consciente" e "livre de preconceitos", e, pior ainda, glamurizava o que é problema social. A adolescente que a Regina Casé louvava num dia, a "princesa da comunidade", amanhã tava grávida e sem estudo.
E ao mesmo tempo encorajava um conformismo social. O pobre da favela via aquilo, se sentia representado, e pensava "ah, morar na favela é bom, olha só, até a Globo reconhece a gente".
Favela não é bom. Não é algo que devia existir. Ninguém devia ter que morar num lugar precário, sem saneamento, sem saúde e escola que preste, trabalhando em empregos ruins e mal remunerados. Ninguém deveria ficar numa vida alienada de funk e batucada e achar isso bom.
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