quarta-feira, 7 de novembro de 2018

SERÁ QUE ALGUÉM EM SÃ CONSCIÊNCIA VAI CHAMAR ISSO DE “ESTUPRO”?



Oi!!!

Hoje a gente vai dar uma olhada no performer brasileiro Wagner Schwartz.
Wagner Miranda Schwartz nasceu no Estado do Rio de Janeiro, em 02 de Dezembro de 1972.
Na pós-adolescência, ele se formou em Letras pela Universidade Federal de Uberlândia.
Atualmente, o Wagner tem uma casa no Brasil e outra na França, viajando constantemente de um país pro outro.
Em Setembro de 2017, ele participou da performance La Bête, na qual ele ficava nu e imóvel no centro de uma sala do Museu de Arte Moderna de São Paulo.
A ideia era de que o público manipulasse o corpo do Wagner como se fosse uma peça a ser movimentada à vontade da pessoa que estivesse movimentando ele na hora.
Então, obviamente, não era nada com conotação sexual.
Vamos lembrar que o museu mantinha uma série de placas avisando que a performance continha cenas de nudez total. Portanto, quem entrou ali entrou sabendo o que ia ver.
Menos ainda alguém entrou ali forçado.
Numa dessas ocasiões, uma mulher tocou na perna do Wagner, acompanhada pela filha pequena.
Só isso foi o suficiente pra ele ser chamado de “pedófilo” na Internet e receber uma série de comentários dos mais agressivos. Cerca de 200, inclusive, com ameaças de morte.
É claro que pelo menos metade desses ataques vieram de pentecostais e neopentecostais. Mas uma grande parte também partiu de católicos conservadores.
A mãe da menina, os curadores do museu e o próprio Wagner foram intimados a prestar depoimentos na delegacia.
Depois de um certo ‘disse me disse’, o caso foi arquivado. Mas foi arquivado só na delegacia. Porque, na Internet, ele continua recebendo ataques até hoje.
Agora prestem atenção nessa parte:

Tudo isso só aconteceu porque uma MENINA tocou numa perna de um HOMEM nu.

Só pra início de conversa: perna, que eu saiba, não tem como ser usada num estupro. Nunca ouvi dizer que ninguém estuprou ninguém com a perna. Então, será que é um estupro uma pessoa botar a mão na perna da outra com o consentimento da outra?
E a menina só tocou na perna dele. Não tocou em nenhuma outra parte do corpo.
Vamos ver qual é a definição jurídica de estupro no Brasil?

“Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso.”

Acho que está bastante evidente que não foi isso que aconteceu.
Agora vamos ver mais a fundo:
Como eu disse, quem estava envolvido nessa situação era uma MENINA e um HOMEM...
E se fosse uma mulher nua? Será que a revolta ia ser tão grande assim?
Já vi vários filmes convencionais famosos, lançados por Hollywood, em que aparece uma mulher nua na frente de uma criança, uma mulher nua carregando uma criança no colo... Alguém fala alguma coisa contra isso? Que eu saiba, não. Geralmente as pessoas acham esse tipo de cena até maternal.
Ou então, quando é um menino que toca no corpo de uma mulher nua, a gente ouve aquele tipo de comentário:

“Ah, que lindo! O menino está virando homem!”

Então, me parece que o que incomoda a maioria das pessoas não é nem o fato da criança ter contato direto com uma cena de nudez. O que incomoda é a imagem do HOMEM nu.
Outra coisa que a gente tem que levar em consideração é que a “estuprada” (como disseram alguns) era uma menina. E a gente sabe que colocar uma pessoa do sexo feminino como vítima sempre pega bem, sempre é bem visto, sempre enfeita a imagem pública de quem fala isso...
Fica aí algo pro refletir.

Até!

2 comentários:

Anônimo disse...

Isso tbm levanta a velha retórica dos fascistas, principalmente evangelicos, de que o fascismo deles é pra "proteger as criancinhas"

Da mesma laia dessa histeria de estupro e pedofilia nasce aquela fofoca retardada da mamadeira de piroca, kit gay etc que só os dementes apoiadores do bolsolixo acreditam

É um clichê tão surrado que virou até meme com a Helen Lovejoy dos Simpsons

https://en.wikipedia.org/wiki/Think_of_the_children

Leo Natura disse...

Na verdade, até agora eu não entendi o que é que tinha lá nos tais dos livros do kit gay, porque cada um diz uma coisa.
Mas enfim: vou aproveitar pra dar um pouco mais a minha opinião sobre a exposição...
Como já ficou bem claro no texto, o Wagner em si não teve culpa nenhuma de uma menina chegar lá e botar a mão nele. Não foi ele que levou a menina lá, não foi ele que incentivou a menina botar a mão nele... Então, qual é o sentido em chamar ELE de “pedófilo”? É só pensar com um pouquinho de lógica que você vai concordar comigo.
Se tem gente achando essa situação tão errada e se essa gente está tão ansiosa assim pra encontrar um “culpado”, culpem os pais da menina. Foram eles que levaram a menina lá e foram eles que incentivaram a menina a botar a mão num artista que estava se apresentando (mesmo depois de terem passado por cartazes advertindo que a performance continha cenas de nudez).
Se EU estivesse levando um grupo com uma ou mais crianças a um museu e se eu soubesse que teria uma exposição desse tipo numa sala desse museu, eu não entraria ali com esse grupo. Não que eu ache nada de errado no fato de ter nudez total exposta. Mas eu saberia claramente que daria esse tipo de problema botar uma criança no mesmo recinto que um adulto nu.
Se eu estivesse com uma criança e a mãe dela no grupo e a mãe dissesse que não tinha importância, eu ia responder:

Tudo bem. Mas aí você, que é mãe e responsável pela criança, vai com a criança e assume qualquer responsabilidade. Porque pode ter certeza de que vão encher muito o seu saco depois.