O Príncipe Orestes era filho do Rei Agamenon e da Rainha Clitemnestra. E tinha 3 irmãs, chamadas Ifianassa, Laódice e Crisótemis ou Ifigênia, Electra e Crisótemis, de acordo com diferentes versões.
Todos eles nasceram de um casamento que teve as origens mais negativas, marcado por atos de ódio e violência (aliás, atos do mesmo tipo que se mantiveram até o fim da vida dos envolvidos): como a Clitemnestra era casada com um inimigo do Agamenon, ele matou o 1º marido dela e o bebê que ela tinha com ele, forçando ela a se casar com ele logo em seguida, pra humilhar o inimigo morto.
O Agamenon era o Rei de Micenas e irmão do Rei de Esparta, chamado Menelau. E desde cedo, os 2 combinaram que, se um tivesse um filho e o outro tivesse uma filha, eles deveriam se casar pra unir os 2 reinos. E como o Menelau teve uma filha chamada Hermione, o Orestes foi declarado noivo dela no mesmo instante em que nasceu.
Devido a um juramento que tinha feito no passado, o Agamenon tinha que ajudar o Menelau a manter o casamento com a esposa dele, chamada Helena. E tal juramento foi cobrado quando a Helena traiu o Menelau com um príncipe troiano e fugiu de Esparta com ele.
O Orestes nasceu exatamente na época em que o Agamenon teve que acompanhar o irmão na guerra que esse declarou contra Tróia. E logo depois de chegar ao porto onde eles embarcariam, o rei mandou uma mensagem a Micenas, exigindo que a Clitemnestra fosse até lá levando a Ifigênia... De acordo com o Agamenon, ele tinha dado a princesa em casamento ao maior guerreiro do exército dele. E como ainda estava amamentando o recém-nascido Orestes, a rainha também levou o bebê com ela.
Logo que chegaram lá, a Clitemnestra teve o Orestes arrancado dos braços pelo Rei da Mísia, que ameaçou matar o bebê se não fosse ouvido ali: ele tinha sido ferido pelo guerreiro Aquiles com a espada mágica dele numa luta anterior e, conforme o encanto, a ferida só cicatrizaria se a mesma espada encostasse na ferida.
O Aquiles, que estava entre os guerreiros ali, fez o que o rei exigia, no que esse devolveu o bebê à mãe. Mas apesar do alívio momentâneo, a Clitemnestra viu que o pesadelo dela só tinha começado! O Agamenon tinha mentido pra ela: ele não queria a Ifigênia ali pra casar a princesa, mas sim pra sacrificar ela no altar da deusa Ártemis!
É que, de acordo com uma oração mal formulada que fez à deusa, querendo acalmar Ártemis depois de ter dito uma blasfêmia contra ela, o rei acabou prometendo isso à deusa, não podendo voltar atrás depois.
No momento do sacrifício, quando todos cobriram os olhos por alguns segundos, Ártemis aproveitou pra executar sua grande vingança contra o Rei de Micenas: a deusa teletransportou a Ifigênia prum templo dela na Táurida, pegou uma corça que ela tinha capturado antes, transformou essa corça em Ifigênia e colocou ela no lugar da princesa.
Quando todos descobriram os olhos, sem nada terem percebido, seguiram em frente com o sacrifício. E a Clitemnestra, que já trazia um profundo ódio contra o Agamenon pelo passado que eles tinha tido, teve esse sentimento potencializado a partir dali, ao pensar que tinha perdido mais uma filha por causa dele.
Voltando a Micenas com o Orestes, a rainha nunca deixou de planejar sua vingança contra o marido. E o ódio dela aumentou mais ainda ao receber a visita de um irmão do guerreiro Palamedes: esse, que queria vingar a morte do irmão, provocada pelo Agamenon, inventou pra Clitemnestra que o rei pretendia fazer ela perder o título de Rainha de Micenas, que seria dado a outra mulher com quem ele pretendia se casar.
Pensando só na desgraça do rei a partir dali, a rainha não demorou muito a receber como amante um inimigo mortal dele, chamado Egisto, obrigando todos em Micenas a reconhecerem esse como o novo rei!
Antevendo que o Egisto e a Clitemnestra iam matar o Agamenon assim que ele voltasse de Tróia, a Electra logo viu que o Orestes também não demoraria a morrer: pelas tradições da época, quando um homem era assassinado, era dever do filho homem mais velho dele vingar a morte do pai. Ou seja, se o Agamenon fosse mesmo assassinado pelo Egisto e/ou pela Clitemnestra, quando o Orestes tivesse idade, seria dever tradicional dele matar eles também. E certamente o Egisto mataria o garoto desde já pra impedir isso.
Assim, sem que ninguém soubesse, a Electra mandou o irmão pra ficar aos cuidados da irmã do Agamenon, chamada Anaxíbia. Essa tinha se casado com o Rei de Cirra, chamado Estrófio, e terminou de criar o sobrinho.
Outras versões contam a mesma coisa, mas substituem a Electra por outros personagens nessa passagem do mito.
Uma versão afirma que, já fora de si devido ao ódio compulsivo que sentia contra o Agamenon, a Clitemnestra tentou matar o Orestes com as próprias mãos, enxergando nele tão somente o herdeiro legítimo do marido. E foi em função disso que a Electra decidiu mandar o garoto pra longe.
Depois de saberem que o Orestes tinha sido mandado pra Cirra, o Egisto e a Clitemnestra, com exceção das reclamações dessa última contra a Electra, não parecem ter se incomodado, pois não tomaram nenhuma medida pra eliminar o príncipe em Cirra (aparentemente, viram o afastamento dele de Micenas como a resolução do problema). E assim como a Electra imaginava, eles se livraram do Agamenon no mesmo dia em que ele voltou de Tróia.
Em Cirra, o Orestes foi educado ao lado do Príncipe Pílades, filho do Estrófio e da Anaxíbia. E na adolescência, os 2 se tornaram amantes.
Até aquela época, o Orestes nunca soube com clareza do passado dele. Mas então, o deus Apolo fez uma aparição ao jovem príncipe, explicando a ele tudo o que tinha acontecido e, pela tradição já mencionada, ordenando que ele se mobilizasse pra vingar a morte do pai imediatamente.
Outra versão diz que a Electra sempre manteve contato com o Orestes através de cartas e mensageiros, explicando a ele desde sempre tudo o que se passava no Palácio Real de Micenas.
Tais notícias não eram nada animadoras: o Egisto e a Clitemnestra tinham posto no Mundo uma filha chamada Erigone e um filho chamado Aletes (e esse último tinha sido reconhecido como herdeiro do Trono de Micenas!); a Crisótemis, embora fosse contra o que a mãe tinha feito com o pai, preferia não se rebelar contra ela e se curvar diante do padrasto pra viver em paz; e a Electra, por ter se rebelado abertamente contra o assassinato do Agamenon e contra o casamento da Clitemnestra com o Egisto, foi obrigada por esses a se casar com um pobre pastor de ovelhas, indo morar num barraco no campo afastado do palácio, passando a viver na miséria.
E quando o Orestes chegou à idade adulta, a Electra explicou que tinha chegado a hora de ele vingar a morte do pai.
Nessa versão, ele só fez um ritual pra pedir a autorização de Apolo pra cumprir o dever dele. Mas, mesmo assim, seguiu em frente sob as bênçãos desse deus.
Na companhia do Pílades, o Orestes foi pra Micenas, se mantendo disfarçado até pensar no que podia fazer. Mas não foi só contra o rei e a rainha que ele descarregou sua ira: o irmão do Palamedes, que tinha dado aquela falsa notícia à Clitemnestra e piorado mais ainda a situação, foi morto pelo Orestes e pelo Pílades.
Indo visitar o túmulo do Agamenon, o Orestes esbarrou com a Electra, que também tinha ido visitar o túmulo do pai.
Embora não visse o Orestes há anos, a Electra reconheceu o irmão por ele deixar no túmulo do pai como oferenda uma mecha de cabelos. Ou, segundo outra versão, por um anel que ele usava. Ou ainda, de acordo com uma 3ª versão, porque um velho que ia passando, ao olhar pro jovem desconhecido, se espantou e comentou com ela como aquele rapaz tinha o rosto igual ao do falecido rei quando era jovem.
De qualquer forma, foi ali que eles se reuniram.
Sob as instruções da Electra, o Orestes foi ao palácio ainda disfarçado e pediu pra falar com a rainha, se identificando como um mensageiro do Rei de Cirra que trazia uma notícia pra ela. E ao ser recebido, revelou que a mensagem era a morte do Príncipe Orestes. Mas ao falar isso, ele viu que a mãe, embora fizesse uma superficial encenação de tristeza, não conseguia esconder a alegria por ter se livrado pra sempre da ameaça de ser morta como vingança.
Tentando controlar a ira que sentiu ao ver isso, o Orestes continuou falando com a Clitemnestra, dizendo que, em Cirra, queriam saber o que fazer com o cadáver do príncipe. Mas a rainha se limitou e mandar que o “mensageiro” esperasse ali e mandou chamar o rei pra falar com ele.
O Orestes foi deixado sozinho numa sala do palácio até que o Egisto chegasse pra conversar com o “mensageiro”. E assim que isso aconteceu, o príncipe sacou a espada e cravou no rei, que soltou um sonoro urro de dor.
Ouvindo isso, a Clitemnestra foi correndo até a sala, encontrando o cadáver do marido caído no chão e o filho de espada em punho olhando furioso pra ela.
Nesse momento, chegaram o Pílades e a Electra, que encorajaram o Orestes a seguir em frente, embora a rainha se jogasse aos pés do filho implorando clemência. E ele, apesar de ficar em dúvida sobre o que fazer na hora, acabou cumprindo o destino e decepando a cabeça da mãe com um golpe de espada.
Encontrando logo depois a Erigone, o Orestes tentou matar ela também. Mas Ártemis, de quem a princesa era devota, teletransportou ela pra Atenas e salvou a princesa.
O Aletes, aparentemente, fugiu ao ver o que ocorria, esperando pra voltar e tentar pegar o trono quando tivesse oportunidade.
Outra versão conta a mesma coisa até a chegada do Orestes ao palácio, mas explica que o Egisto e a Clitemnestra estavam num jardim do palácio, só na companhia dos guardas, fazendo um ritual religioso, quando o Orestes chegou.
Ele matou o rei imediatamente, revelando no mesmo instante quem era e por quê tinha feito aquilo. E os guardas avançaram nele, mas foram mortos também.
Mas quando ele se aproximou da rainha pra fazer o mesmo, ela lembrou a ele que era a mãe dele e que ele deveria se lembrar do que acontece a quem mata a própria mãe... A Clitemnestra se referia às Erínias, terríveis deusas carrascas que atormentam infinitamente os filhos que cometem atos contra as mães.
Mas essa advertência da Clitemnestra não impediu que o Orestes degolasse ela. Como também não impediu que as Erínias se manifestassem no mesmo segundo em que ele matou a rainha. As deusas apareceram rodando em volta dele e espetando ele profundamente com terríveis agulhões, que provocavam uma dor devastadora.
A partir dali, ninguém entendia os gestos do Orestes querendo espantar alguma coisa em volta dele e menos ainda se entendia os gritos de dor dele, já que tanto as Erínias quanto as feridas que elas causavam só eram enxergadas pelo próprio Orestes.
Embora não soubesse o que acontecia, a Electra se colocou ao lado do irmão e foi ajudando ele no que podia.
Seguido pela irmã, o príncipe saiu correndo desorientado pelas estradas da Grécia até chegar ao templo de Apolo, em Delfos, onde foi pedir a ajuda do deus. Só que, nem usando todo o seu poder, Apolo conseguiu fazer as Erínias se afastarem e pararem a tortura. Mas elas disseram ao deus que deixariam o Orestes em paz se ele fosse julgado em público e conseguisse ser absolvido pelos juízes desse julgamento.
Assim, Apolo chamou a deusa Atena e, junto com ela, organizou tal tribunal de julgamento.
O pai da Clitemnestra e a filha que ela teve com o Egisto, ou seja, o Rei Tíndaro e a Princesa Erigone, além de um primo dela chamado Períleo, também queriam esse julgamento, furiosos com o assassinato da Clitemnestra e querendo que o Orestes fosse condenado. E foram dar seus testemunhos contra ele na ocasião.
O tribunal era composto por 12 jurados e o que a maioria decidisse seria o veredicto. Mas, depois de ouvir as testemunhas, 6 deles declararam o Orestes inocente e os outros 6 declararam ele culpado. Assim, pediram que Atena desse um voto de desempate. E ela declarou o príncipe inocente, absolvendo ele e fazendo a Erínias se afastarem.
Mesmo assim, pra se certificar que essas deusas deixariam ele em paz dali pra frente, o Orestes sacrificou uma porca como oferenda a elas.
Ao ouvir e não aceitar o veredicto, o Erigone se suicidou enforcada.
Uma versão diz que, no último segundo, o Orestes chegou e impediu o enforcamento, propondo à irmã que eles vivessem em paz dali pra frente e se casassem (na Grécia Antiga, o casamento entre irmãos era permitido se eles fossem filhos só do mesmo pai ou só da mesma mãe). E desse casamento eles chegaram a ter um filho.
De qualquer forma, em agradecimento a Atena, o príncipe construiu um altar dedicado ela no mesmo lugar em que tinha sido realizado o julgamento.
Outra versão conta que, minutos depois de matar a Clitemnestra, o Orestes foi preso pelo povo que Micenas, que não aceitou ver um filho matando a mãe. E sendo julgado logo depois, ele foi condenado à morte. Mas conseguiu fugir da cidade antes que a sentença se cumprisse.
Uma 3ª versão conta a mesma coisa, mas diz que a condenação dele foi só ser exilado de Micenas.
Tendo em mente que o assassinato da mãe traria energias negativas pra ele praticamente pelo resto da vida, o Orestes fez um ritual pra saber como se livrar definitivamente dessas energias. E Apolo respondeu no ritual que ele deveria ir até o litoral da Táurida, se apossar de uma estátua de Ártemis que ficava num templo ali e levar a estátua pra Atenas.
Desde a volta do Orestes a Micenas até esse ponto, a Electra tinha acompanhado ele sempre. Mas nessa viagem à Táurida, acharam que seria melhor ela ficar em Micenas. E foi na companhia do Pílades que o Orestes foi cumprir a exigência de Apolo.
Só que eles não sabiam que o culto de Ártemis na Táurida girava em torno de sacrifícios humanos. E pelas tradições de lá, quando um estrangeiro de aproximava do templo de Ártemis, deveria ser sacrificado à deusa!
Conclusão: assim que eles chegaram lá, foram presos e postos como vítimas de sacrifício. Mas a sacerdotisa que realizaria o ritual veio falar com eles antes, pois a forma como o sacrifício era feito variava de acordo com o passado da vítima. E ao ouvir o Orestes e o Pílades contarem suas histórias e mencionarem os nomes dos seus pais e mães, a sacerdotisa reconheceu eles e revelou a própria identidade: ela era a Ifigênia, a irmã do Orestes teletransportada pra Táurida muitos anos antes, na ocasião do sacrifício a Ártemis! Ao chegar à Táurida naquela época, ela tinha se iniciado no sacerdócio de Ártemis e agora dirigia o templo da deusa.
Decidida a ajudar o irmão, a sacerdotisa armou um plano, explicando ao Rei da Táurida que, devido ao passado dos estrangeiros, eles tinham que ser levados à praia pra serem lavados com água do Mar antes de serem sacrificados. E que a estátua de Ártemis tinha que ir junto, pois esse ritual precisava da presença dela.
O rei concordou e mandou alguns guardas ajudarem a sacerdotisa a armar tudo isso na praia. Mas quando já estava tudo do jeito que a Ifigênia explicou, ela ordenou que os guardas se afastassem, alegando que só sacerdotes podiam ver o ritual. E assim que eles caminharam pra longe, o Orestes, o Pílades e a Ifigênia saíram correndo e levando a estátua da deusa junto.
Quando os guardas viram, os 3 já estavam num barco, remando pra longe da praia. Mas, pouco depois, ondas fortes empurraram eles de volta pra lá.
Informado do que ocorria, o rei foi correndo até a praia, disposto a matar os 3. Mas Atena fez uma aparição diante dele na hora, ordenando que deixasse os 3 irem embora em paz.
Apesar de ter obedecido a deusa a princípio, o rei continuou a perseguir os jovens depois disso. E os 3 foram correndo pelas terras do Oriente Próximo em busca de refúgio, até que chegaram às proximidades da casa de um sacerdote de Apolo e, se identificando, pediram ajuda a ele. Mas não sabiam que, durante a Guerra de Tróia, o Agamenon tinha raptado uma filha daquele sacerdote, chamada Criseis, e usado ela como escrava, só devolvendo ela ao pai por exigência do próprio Apolo.
Mais tarde (talvez querendo ganhar a simpatia do rei pra que ele não fizesse nada contra eles), o sacerdote mandou a Criseis voltar pra junto do Agamenon. Mas, quando se desinteressou dela, o rei mandou ela de volta pra junto do pai, com 1 filho e 1 filha dele.
Querendo se vingar das poucas e boas que tinha passado por causa do Agamenon, o sacerdote pensou em entregar os jovens ao Rei da Táurida. Mas a Criseis lembrou a ele que Apolo se enfureceria se o sacerdote fizesse isso, pois os jovens estrangeiros eram irmãos de netos dele.
Com a ajuda do irmão que descobriu naquelas terras, o Orestes matou o rei que perseguia ele. Depois, na companhia do Pílades e da Ifigênia, voltou a navegar na direção da Grécia.
Chegando lá, ele construiu um novo templo de Ártemis perto de Atenas, onde depositou a estátua da deusa. E depois, ainda na companhia do Pílades e da Ifigênia, foi pra Delfos (aparentemente pra fazer os últimos rituais dedicados a Apolo e declarar que a missão dada pelo deus tinha sido cumprida).
Alguns meses antes, a notícia do que tinha acontecido na Táurida tinha chegado a Micenas, mas de forma alterada: diziam que o Orestes e o Pílades tinham sido sacrificados pela Ifigênia.
Fora de si ao ouvir isso, a Electra saiu correndo pelas estradas da Grécia durante meses, até chegar ao templo de Delfos. E lá encontrando a Ifigênia, atacou ela ferozmente com uma tocha acesa, só não provocando outra tragédia porque o próprio Orestes, ao ver o que se passava do outro lado do templo, veio correndo na direção das irmãs e segurou a Electra, explicando a ela o que tinha acontecido de verdade e fazendo ela se acalmar.
Enquanto isso, ao ficar sabendo da aparente morte do Orestes, o Aletes voltou a Micenas e se declarou o novo rei, como filho e herdeiro do falecido Egisto.
Ao saber disso, o Orestes voltou pra lá com as irmãs e o amante e matou o Aletes, finalmente assumindo o poder como Rei de Micenas.
Depois de tudo isso, o Orestes decidiu realizar o antigo sonho do pai e do tio de se casar com a Hermione pra unir os reinos de Micenas e Esparta. Mas ela, devido a negociações que o Menelau tinha sido forçado a fazer, agora estava casada, contra a vontade, com outro homem.
Aproveitando uma oportunidade em que a Hermione e o marido estavam viajando por Delfos, o Orestes armou uma confusão pelo lugar por onde eles passariam. E durante o tumulto, ele levou a princesa, sob o consentimento dela, pra longe dali, tendo tempo ainda de matar o marido dela.
Alguns afirmam que foi a própria Hermione que, tendo conseguido se comunicar antes com o Orestes, pediu a ele que livrasse ela do marido e planejou o assassinato junto com ele.
Do casamento do Orestes com a Hermione nasceu um filho chamado Tisâmeno.
Declarado Rei de Esparta depois desse casamento, o Orestes também foi reconhecido como rei pelo povo de Argos.
Depois disso, ele se despediu do amante Pílades, que voltou pra Cirra pra assumir o poder como novo rei. E a Electra, se casando com o Pílades, foi junto com ele.
Todas as tragédias pelas quais o Orestes e a família dele passaram eram consequências de uma antiga maldição lançada sobre eles por um cocheiro chamado Mírtilo, vítima de uma traição cometida pelo bisavô do Orestes...
E a última desventura que ele teve que enfrentar foi uma epidemia de peste que se abateu sobre todos os reinos dele.
Consultando Apolo através de um ritual religioso, o Orestes ficou sabendo que a peste se devia à ira dos deuses nativos dos territórios que tinham sido arrasados pelos gregos durante a Guerra de Tróia. E como os 2 comandantes gregos principais tinham sido o Agamenon e o Menelau e o Orestes era o herdeiro dos 2, esses deuses agora estavam castigando ele.
Sem perder tempo, o jovem rei mandou colonos pros territórios mencionados com ordens de reconstruir as cidades que ficavam ali e restaurar o culto dos deuses locais. E feito isso, a epidemia sumiu.
Depois disso, a paz se instalou nos reinos do Orestes, que governou por 70 anos até morrer de velhice, com quase 100 anos de idade.
O corpo dele se agigantou depois da morte, atingindo mais de 4 metros da cabeça aos pés. E isso foi visto como um sinal dos deuses de que a cidade onde ele fosse sepultado ficaria protegida contra qualquer guerra enquanto os ossos dele permanecessem lá
Assim, sobre o local onde o Orestes foi sepultado, uma versão diz que foi em Tégea. Por isso, mais tarde, quando Esparta declarou guerra a essa cidade, os espartanos se preocuparam em roubar os ossos do rei do túmulo onde ficava, conseguindo, só depois disso, dominar Tégea.
Outra versão diz que o corpo dele foi mandado pra Roma, onde foi sepultado no subsolo do templo do deus Saturno.
Todos eles nasceram de um casamento que teve as origens mais negativas, marcado por atos de ódio e violência (aliás, atos do mesmo tipo que se mantiveram até o fim da vida dos envolvidos): como a Clitemnestra era casada com um inimigo do Agamenon, ele matou o 1º marido dela e o bebê que ela tinha com ele, forçando ela a se casar com ele logo em seguida, pra humilhar o inimigo morto.
O Agamenon era o Rei de Micenas e irmão do Rei de Esparta, chamado Menelau. E desde cedo, os 2 combinaram que, se um tivesse um filho e o outro tivesse uma filha, eles deveriam se casar pra unir os 2 reinos. E como o Menelau teve uma filha chamada Hermione, o Orestes foi declarado noivo dela no mesmo instante em que nasceu.
Devido a um juramento que tinha feito no passado, o Agamenon tinha que ajudar o Menelau a manter o casamento com a esposa dele, chamada Helena. E tal juramento foi cobrado quando a Helena traiu o Menelau com um príncipe troiano e fugiu de Esparta com ele.
O Orestes nasceu exatamente na época em que o Agamenon teve que acompanhar o irmão na guerra que esse declarou contra Tróia. E logo depois de chegar ao porto onde eles embarcariam, o rei mandou uma mensagem a Micenas, exigindo que a Clitemnestra fosse até lá levando a Ifigênia... De acordo com o Agamenon, ele tinha dado a princesa em casamento ao maior guerreiro do exército dele. E como ainda estava amamentando o recém-nascido Orestes, a rainha também levou o bebê com ela.
Logo que chegaram lá, a Clitemnestra teve o Orestes arrancado dos braços pelo Rei da Mísia, que ameaçou matar o bebê se não fosse ouvido ali: ele tinha sido ferido pelo guerreiro Aquiles com a espada mágica dele numa luta anterior e, conforme o encanto, a ferida só cicatrizaria se a mesma espada encostasse na ferida.
O Aquiles, que estava entre os guerreiros ali, fez o que o rei exigia, no que esse devolveu o bebê à mãe. Mas apesar do alívio momentâneo, a Clitemnestra viu que o pesadelo dela só tinha começado! O Agamenon tinha mentido pra ela: ele não queria a Ifigênia ali pra casar a princesa, mas sim pra sacrificar ela no altar da deusa Ártemis!
É que, de acordo com uma oração mal formulada que fez à deusa, querendo acalmar Ártemis depois de ter dito uma blasfêmia contra ela, o rei acabou prometendo isso à deusa, não podendo voltar atrás depois.
No momento do sacrifício, quando todos cobriram os olhos por alguns segundos, Ártemis aproveitou pra executar sua grande vingança contra o Rei de Micenas: a deusa teletransportou a Ifigênia prum templo dela na Táurida, pegou uma corça que ela tinha capturado antes, transformou essa corça em Ifigênia e colocou ela no lugar da princesa.
Quando todos descobriram os olhos, sem nada terem percebido, seguiram em frente com o sacrifício. E a Clitemnestra, que já trazia um profundo ódio contra o Agamenon pelo passado que eles tinha tido, teve esse sentimento potencializado a partir dali, ao pensar que tinha perdido mais uma filha por causa dele.
Voltando a Micenas com o Orestes, a rainha nunca deixou de planejar sua vingança contra o marido. E o ódio dela aumentou mais ainda ao receber a visita de um irmão do guerreiro Palamedes: esse, que queria vingar a morte do irmão, provocada pelo Agamenon, inventou pra Clitemnestra que o rei pretendia fazer ela perder o título de Rainha de Micenas, que seria dado a outra mulher com quem ele pretendia se casar.
Pensando só na desgraça do rei a partir dali, a rainha não demorou muito a receber como amante um inimigo mortal dele, chamado Egisto, obrigando todos em Micenas a reconhecerem esse como o novo rei!
Antevendo que o Egisto e a Clitemnestra iam matar o Agamenon assim que ele voltasse de Tróia, a Electra logo viu que o Orestes também não demoraria a morrer: pelas tradições da época, quando um homem era assassinado, era dever do filho homem mais velho dele vingar a morte do pai. Ou seja, se o Agamenon fosse mesmo assassinado pelo Egisto e/ou pela Clitemnestra, quando o Orestes tivesse idade, seria dever tradicional dele matar eles também. E certamente o Egisto mataria o garoto desde já pra impedir isso.
Assim, sem que ninguém soubesse, a Electra mandou o irmão pra ficar aos cuidados da irmã do Agamenon, chamada Anaxíbia. Essa tinha se casado com o Rei de Cirra, chamado Estrófio, e terminou de criar o sobrinho.
Outras versões contam a mesma coisa, mas substituem a Electra por outros personagens nessa passagem do mito.
Uma versão afirma que, já fora de si devido ao ódio compulsivo que sentia contra o Agamenon, a Clitemnestra tentou matar o Orestes com as próprias mãos, enxergando nele tão somente o herdeiro legítimo do marido. E foi em função disso que a Electra decidiu mandar o garoto pra longe.
Depois de saberem que o Orestes tinha sido mandado pra Cirra, o Egisto e a Clitemnestra, com exceção das reclamações dessa última contra a Electra, não parecem ter se incomodado, pois não tomaram nenhuma medida pra eliminar o príncipe em Cirra (aparentemente, viram o afastamento dele de Micenas como a resolução do problema). E assim como a Electra imaginava, eles se livraram do Agamenon no mesmo dia em que ele voltou de Tróia.
Em Cirra, o Orestes foi educado ao lado do Príncipe Pílades, filho do Estrófio e da Anaxíbia. E na adolescência, os 2 se tornaram amantes.
Até aquela época, o Orestes nunca soube com clareza do passado dele. Mas então, o deus Apolo fez uma aparição ao jovem príncipe, explicando a ele tudo o que tinha acontecido e, pela tradição já mencionada, ordenando que ele se mobilizasse pra vingar a morte do pai imediatamente.
Outra versão diz que a Electra sempre manteve contato com o Orestes através de cartas e mensageiros, explicando a ele desde sempre tudo o que se passava no Palácio Real de Micenas.
Tais notícias não eram nada animadoras: o Egisto e a Clitemnestra tinham posto no Mundo uma filha chamada Erigone e um filho chamado Aletes (e esse último tinha sido reconhecido como herdeiro do Trono de Micenas!); a Crisótemis, embora fosse contra o que a mãe tinha feito com o pai, preferia não se rebelar contra ela e se curvar diante do padrasto pra viver em paz; e a Electra, por ter se rebelado abertamente contra o assassinato do Agamenon e contra o casamento da Clitemnestra com o Egisto, foi obrigada por esses a se casar com um pobre pastor de ovelhas, indo morar num barraco no campo afastado do palácio, passando a viver na miséria.
E quando o Orestes chegou à idade adulta, a Electra explicou que tinha chegado a hora de ele vingar a morte do pai.
Nessa versão, ele só fez um ritual pra pedir a autorização de Apolo pra cumprir o dever dele. Mas, mesmo assim, seguiu em frente sob as bênçãos desse deus.
Na companhia do Pílades, o Orestes foi pra Micenas, se mantendo disfarçado até pensar no que podia fazer. Mas não foi só contra o rei e a rainha que ele descarregou sua ira: o irmão do Palamedes, que tinha dado aquela falsa notícia à Clitemnestra e piorado mais ainda a situação, foi morto pelo Orestes e pelo Pílades.
Indo visitar o túmulo do Agamenon, o Orestes esbarrou com a Electra, que também tinha ido visitar o túmulo do pai.
Embora não visse o Orestes há anos, a Electra reconheceu o irmão por ele deixar no túmulo do pai como oferenda uma mecha de cabelos. Ou, segundo outra versão, por um anel que ele usava. Ou ainda, de acordo com uma 3ª versão, porque um velho que ia passando, ao olhar pro jovem desconhecido, se espantou e comentou com ela como aquele rapaz tinha o rosto igual ao do falecido rei quando era jovem.
De qualquer forma, foi ali que eles se reuniram.
Sob as instruções da Electra, o Orestes foi ao palácio ainda disfarçado e pediu pra falar com a rainha, se identificando como um mensageiro do Rei de Cirra que trazia uma notícia pra ela. E ao ser recebido, revelou que a mensagem era a morte do Príncipe Orestes. Mas ao falar isso, ele viu que a mãe, embora fizesse uma superficial encenação de tristeza, não conseguia esconder a alegria por ter se livrado pra sempre da ameaça de ser morta como vingança.
Tentando controlar a ira que sentiu ao ver isso, o Orestes continuou falando com a Clitemnestra, dizendo que, em Cirra, queriam saber o que fazer com o cadáver do príncipe. Mas a rainha se limitou e mandar que o “mensageiro” esperasse ali e mandou chamar o rei pra falar com ele.
O Orestes foi deixado sozinho numa sala do palácio até que o Egisto chegasse pra conversar com o “mensageiro”. E assim que isso aconteceu, o príncipe sacou a espada e cravou no rei, que soltou um sonoro urro de dor.
Ouvindo isso, a Clitemnestra foi correndo até a sala, encontrando o cadáver do marido caído no chão e o filho de espada em punho olhando furioso pra ela.
Nesse momento, chegaram o Pílades e a Electra, que encorajaram o Orestes a seguir em frente, embora a rainha se jogasse aos pés do filho implorando clemência. E ele, apesar de ficar em dúvida sobre o que fazer na hora, acabou cumprindo o destino e decepando a cabeça da mãe com um golpe de espada.
Encontrando logo depois a Erigone, o Orestes tentou matar ela também. Mas Ártemis, de quem a princesa era devota, teletransportou ela pra Atenas e salvou a princesa.
O Aletes, aparentemente, fugiu ao ver o que ocorria, esperando pra voltar e tentar pegar o trono quando tivesse oportunidade.
Outra versão conta a mesma coisa até a chegada do Orestes ao palácio, mas explica que o Egisto e a Clitemnestra estavam num jardim do palácio, só na companhia dos guardas, fazendo um ritual religioso, quando o Orestes chegou.
Ele matou o rei imediatamente, revelando no mesmo instante quem era e por quê tinha feito aquilo. E os guardas avançaram nele, mas foram mortos também.
Mas quando ele se aproximou da rainha pra fazer o mesmo, ela lembrou a ele que era a mãe dele e que ele deveria se lembrar do que acontece a quem mata a própria mãe... A Clitemnestra se referia às Erínias, terríveis deusas carrascas que atormentam infinitamente os filhos que cometem atos contra as mães.
Mas essa advertência da Clitemnestra não impediu que o Orestes degolasse ela. Como também não impediu que as Erínias se manifestassem no mesmo segundo em que ele matou a rainha. As deusas apareceram rodando em volta dele e espetando ele profundamente com terríveis agulhões, que provocavam uma dor devastadora.
A partir dali, ninguém entendia os gestos do Orestes querendo espantar alguma coisa em volta dele e menos ainda se entendia os gritos de dor dele, já que tanto as Erínias quanto as feridas que elas causavam só eram enxergadas pelo próprio Orestes.
Embora não soubesse o que acontecia, a Electra se colocou ao lado do irmão e foi ajudando ele no que podia.
Seguido pela irmã, o príncipe saiu correndo desorientado pelas estradas da Grécia até chegar ao templo de Apolo, em Delfos, onde foi pedir a ajuda do deus. Só que, nem usando todo o seu poder, Apolo conseguiu fazer as Erínias se afastarem e pararem a tortura. Mas elas disseram ao deus que deixariam o Orestes em paz se ele fosse julgado em público e conseguisse ser absolvido pelos juízes desse julgamento.
Assim, Apolo chamou a deusa Atena e, junto com ela, organizou tal tribunal de julgamento.
O pai da Clitemnestra e a filha que ela teve com o Egisto, ou seja, o Rei Tíndaro e a Princesa Erigone, além de um primo dela chamado Períleo, também queriam esse julgamento, furiosos com o assassinato da Clitemnestra e querendo que o Orestes fosse condenado. E foram dar seus testemunhos contra ele na ocasião.
O tribunal era composto por 12 jurados e o que a maioria decidisse seria o veredicto. Mas, depois de ouvir as testemunhas, 6 deles declararam o Orestes inocente e os outros 6 declararam ele culpado. Assim, pediram que Atena desse um voto de desempate. E ela declarou o príncipe inocente, absolvendo ele e fazendo a Erínias se afastarem.
Mesmo assim, pra se certificar que essas deusas deixariam ele em paz dali pra frente, o Orestes sacrificou uma porca como oferenda a elas.
Ao ouvir e não aceitar o veredicto, o Erigone se suicidou enforcada.
Uma versão diz que, no último segundo, o Orestes chegou e impediu o enforcamento, propondo à irmã que eles vivessem em paz dali pra frente e se casassem (na Grécia Antiga, o casamento entre irmãos era permitido se eles fossem filhos só do mesmo pai ou só da mesma mãe). E desse casamento eles chegaram a ter um filho.
De qualquer forma, em agradecimento a Atena, o príncipe construiu um altar dedicado ela no mesmo lugar em que tinha sido realizado o julgamento.
Outra versão conta que, minutos depois de matar a Clitemnestra, o Orestes foi preso pelo povo que Micenas, que não aceitou ver um filho matando a mãe. E sendo julgado logo depois, ele foi condenado à morte. Mas conseguiu fugir da cidade antes que a sentença se cumprisse.
Uma 3ª versão conta a mesma coisa, mas diz que a condenação dele foi só ser exilado de Micenas.
Tendo em mente que o assassinato da mãe traria energias negativas pra ele praticamente pelo resto da vida, o Orestes fez um ritual pra saber como se livrar definitivamente dessas energias. E Apolo respondeu no ritual que ele deveria ir até o litoral da Táurida, se apossar de uma estátua de Ártemis que ficava num templo ali e levar a estátua pra Atenas.
Desde a volta do Orestes a Micenas até esse ponto, a Electra tinha acompanhado ele sempre. Mas nessa viagem à Táurida, acharam que seria melhor ela ficar em Micenas. E foi na companhia do Pílades que o Orestes foi cumprir a exigência de Apolo.
Só que eles não sabiam que o culto de Ártemis na Táurida girava em torno de sacrifícios humanos. E pelas tradições de lá, quando um estrangeiro de aproximava do templo de Ártemis, deveria ser sacrificado à deusa!
Conclusão: assim que eles chegaram lá, foram presos e postos como vítimas de sacrifício. Mas a sacerdotisa que realizaria o ritual veio falar com eles antes, pois a forma como o sacrifício era feito variava de acordo com o passado da vítima. E ao ouvir o Orestes e o Pílades contarem suas histórias e mencionarem os nomes dos seus pais e mães, a sacerdotisa reconheceu eles e revelou a própria identidade: ela era a Ifigênia, a irmã do Orestes teletransportada pra Táurida muitos anos antes, na ocasião do sacrifício a Ártemis! Ao chegar à Táurida naquela época, ela tinha se iniciado no sacerdócio de Ártemis e agora dirigia o templo da deusa.
Decidida a ajudar o irmão, a sacerdotisa armou um plano, explicando ao Rei da Táurida que, devido ao passado dos estrangeiros, eles tinham que ser levados à praia pra serem lavados com água do Mar antes de serem sacrificados. E que a estátua de Ártemis tinha que ir junto, pois esse ritual precisava da presença dela.
O rei concordou e mandou alguns guardas ajudarem a sacerdotisa a armar tudo isso na praia. Mas quando já estava tudo do jeito que a Ifigênia explicou, ela ordenou que os guardas se afastassem, alegando que só sacerdotes podiam ver o ritual. E assim que eles caminharam pra longe, o Orestes, o Pílades e a Ifigênia saíram correndo e levando a estátua da deusa junto.
Quando os guardas viram, os 3 já estavam num barco, remando pra longe da praia. Mas, pouco depois, ondas fortes empurraram eles de volta pra lá.
Informado do que ocorria, o rei foi correndo até a praia, disposto a matar os 3. Mas Atena fez uma aparição diante dele na hora, ordenando que deixasse os 3 irem embora em paz.
Apesar de ter obedecido a deusa a princípio, o rei continuou a perseguir os jovens depois disso. E os 3 foram correndo pelas terras do Oriente Próximo em busca de refúgio, até que chegaram às proximidades da casa de um sacerdote de Apolo e, se identificando, pediram ajuda a ele. Mas não sabiam que, durante a Guerra de Tróia, o Agamenon tinha raptado uma filha daquele sacerdote, chamada Criseis, e usado ela como escrava, só devolvendo ela ao pai por exigência do próprio Apolo.
Mais tarde (talvez querendo ganhar a simpatia do rei pra que ele não fizesse nada contra eles), o sacerdote mandou a Criseis voltar pra junto do Agamenon. Mas, quando se desinteressou dela, o rei mandou ela de volta pra junto do pai, com 1 filho e 1 filha dele.
Querendo se vingar das poucas e boas que tinha passado por causa do Agamenon, o sacerdote pensou em entregar os jovens ao Rei da Táurida. Mas a Criseis lembrou a ele que Apolo se enfureceria se o sacerdote fizesse isso, pois os jovens estrangeiros eram irmãos de netos dele.
Com a ajuda do irmão que descobriu naquelas terras, o Orestes matou o rei que perseguia ele. Depois, na companhia do Pílades e da Ifigênia, voltou a navegar na direção da Grécia.
Chegando lá, ele construiu um novo templo de Ártemis perto de Atenas, onde depositou a estátua da deusa. E depois, ainda na companhia do Pílades e da Ifigênia, foi pra Delfos (aparentemente pra fazer os últimos rituais dedicados a Apolo e declarar que a missão dada pelo deus tinha sido cumprida).
Alguns meses antes, a notícia do que tinha acontecido na Táurida tinha chegado a Micenas, mas de forma alterada: diziam que o Orestes e o Pílades tinham sido sacrificados pela Ifigênia.
Fora de si ao ouvir isso, a Electra saiu correndo pelas estradas da Grécia durante meses, até chegar ao templo de Delfos. E lá encontrando a Ifigênia, atacou ela ferozmente com uma tocha acesa, só não provocando outra tragédia porque o próprio Orestes, ao ver o que se passava do outro lado do templo, veio correndo na direção das irmãs e segurou a Electra, explicando a ela o que tinha acontecido de verdade e fazendo ela se acalmar.
Enquanto isso, ao ficar sabendo da aparente morte do Orestes, o Aletes voltou a Micenas e se declarou o novo rei, como filho e herdeiro do falecido Egisto.
Ao saber disso, o Orestes voltou pra lá com as irmãs e o amante e matou o Aletes, finalmente assumindo o poder como Rei de Micenas.
Depois de tudo isso, o Orestes decidiu realizar o antigo sonho do pai e do tio de se casar com a Hermione pra unir os reinos de Micenas e Esparta. Mas ela, devido a negociações que o Menelau tinha sido forçado a fazer, agora estava casada, contra a vontade, com outro homem.
Aproveitando uma oportunidade em que a Hermione e o marido estavam viajando por Delfos, o Orestes armou uma confusão pelo lugar por onde eles passariam. E durante o tumulto, ele levou a princesa, sob o consentimento dela, pra longe dali, tendo tempo ainda de matar o marido dela.
Alguns afirmam que foi a própria Hermione que, tendo conseguido se comunicar antes com o Orestes, pediu a ele que livrasse ela do marido e planejou o assassinato junto com ele.
Do casamento do Orestes com a Hermione nasceu um filho chamado Tisâmeno.
Declarado Rei de Esparta depois desse casamento, o Orestes também foi reconhecido como rei pelo povo de Argos.
Depois disso, ele se despediu do amante Pílades, que voltou pra Cirra pra assumir o poder como novo rei. E a Electra, se casando com o Pílades, foi junto com ele.
Todas as tragédias pelas quais o Orestes e a família dele passaram eram consequências de uma antiga maldição lançada sobre eles por um cocheiro chamado Mírtilo, vítima de uma traição cometida pelo bisavô do Orestes...
E a última desventura que ele teve que enfrentar foi uma epidemia de peste que se abateu sobre todos os reinos dele.
Consultando Apolo através de um ritual religioso, o Orestes ficou sabendo que a peste se devia à ira dos deuses nativos dos territórios que tinham sido arrasados pelos gregos durante a Guerra de Tróia. E como os 2 comandantes gregos principais tinham sido o Agamenon e o Menelau e o Orestes era o herdeiro dos 2, esses deuses agora estavam castigando ele.
Sem perder tempo, o jovem rei mandou colonos pros territórios mencionados com ordens de reconstruir as cidades que ficavam ali e restaurar o culto dos deuses locais. E feito isso, a epidemia sumiu.
Depois disso, a paz se instalou nos reinos do Orestes, que governou por 70 anos até morrer de velhice, com quase 100 anos de idade.
O corpo dele se agigantou depois da morte, atingindo mais de 4 metros da cabeça aos pés. E isso foi visto como um sinal dos deuses de que a cidade onde ele fosse sepultado ficaria protegida contra qualquer guerra enquanto os ossos dele permanecessem lá
Assim, sobre o local onde o Orestes foi sepultado, uma versão diz que foi em Tégea. Por isso, mais tarde, quando Esparta declarou guerra a essa cidade, os espartanos se preocuparam em roubar os ossos do rei do túmulo onde ficava, conseguindo, só depois disso, dominar Tégea.
Outra versão diz que o corpo dele foi mandado pra Roma, onde foi sepultado no subsolo do templo do deus Saturno.
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