sábado, 1 de novembro de 2014

23ª ENQUETE

Oi!!!

Bem-vindos a Novembro!
E vamos à enquete do mês:
Bom, acho que qualquer pessoa que tá lendo esse texto já esbarrou por aí com evangélicos agressivos, ferozes e desrespeitosos. Dê um passeio pelo centro de qualquer grande cidade do Brasil e você vai ver alguns deles em alguma praça “pregando” de uma forma que incentiva preconceito contra outras religiões, incentiva preconceito contra outros estilos de vida, incentiva preconceito contra uma forma de se vestir diferente da deles, incentiva preconceito contra Biologia e outras ciências que não concordam com o fundamentalismo bíblico...
Se você, por alguma raridade do destino, nunca chegou a ver pessoalmente esse tipo de situação, com certeza você já viu algum pastor midiático pregando dessa mesma forma na televisão ou mesmo na Internet. Duvido que não!
Pois é. Ver um evangélico (principalmente se for um pentecostal ou um neopentecostal) se comportando assim não é novidade pra ninguém.
Mas existem alguns que chegam pra você, pelo menos no início, com uma fala mais mansa, com ares de que vão aceitar você do jeito que você é e por aí vai.
Aí tem gente que cai nessa armadilha e diz:

“Por que vocês generalizam tanto os evangélicos? Nem todo evangélico é desrespeitoso e preconceituoso! Eu tenho um amigo que é evangélico, conheço ele há um tempão e ele nunca me faltou com respeito. Ele só quer a minha amizade e nunca tentou me converter à igreja dele.”

Bom, existem 2 explicações possíveis pra alguém fazer esse tipo de comentário defendendo os evangélicos:

1ª-A pessoa que diz isso é muito alienada e nunca percebeu que o pretenso “amigo” evangélico dela já tentou levar ela pra igreja dele algumas vezes (porque COM CERTEZA já tentou!) e já falou mal de pessoas diferentes dele na frente dela várias vezes (porque COM CERTEZA já falou!).

2ª-A pessoa que diz isso encontrou evangélicos que, como eu disse mais acima, têm aquela fala mais mansa, que têm aqueles ares de que vão aceitar ela do jeito que ela é...

Só que, se a gente prestar um pouquinho só de atenção nas coisas que esses evangélicos falam, a gente vê que a capa é completamente diferente do resto do livro.
Vejam uma entrevista com uma evangélica chamada Ana Paula Valadão, que vocês vão entender melhor o que eu digo. Clique aqui pra ver:


Como vocês viram, ela tem uma fala mansa, ela passa uma ideia inicial de que não vai discriminar ninguém e tal. Então, ela ilustra bem o tipo de evangélico ao qual eu me refiro.
Mas vamos ver mais a fundo as mensagens que ela passou:
Em 1º lugar, ela deixa claro que aceita qualquer homossexual na igreja dela, DESDE QUE ele entre no tal do “processo”.
O que os evangélicos chamam de “processo”, quando se referem à homossexualidade? É simplesmente a mesma coisa que eles chamam de “cura gay”. Ou seja, o homossexual vai pra alguma igreja evangélica, passa a ser mais um a sustentar o pastor daquela igreja com dízimos, passa a ser constrangido ao ser apontado pelos demais frequentadores da igreja por ser homossexual, começa a mentir pra ele mesmo dizendo que ele é heterossexual (embora ele NUNCA deixe de sentir desejos sexuais por pessoas do mesmo sexo), se casa com uma mulher, passa a ter com ela uma vida sexual sem prazer, dá falsos testemunhos naquela mesma igreja de que agora ele se libertou do que ele chama de “vontade do diabo” e dá suas escapadinhas por fora com outros homens quando tá longe de casa e longe da igreja (os banheiros masculinos públicos das grandes cidades do Brasil não me deixam mentir: o que não falta ali é homem evangélico casado com mulher chupando todas as rolas disponíveis que ele vê).
Simplificando: a “cura gay” ou o “processo” que os pentecas e os neopentecas tentam impor não passa disso na prática.
Bom, ainda mantendo a linha de não agredir diretamente, a evangélica em questão também não fala abertamente em impor o “processo”: ela diz que ela vai plantar uma “sementinha” que aos poucos vai fazer a pessoa “se libertar de uma prática de pecado”. Mas isso é tão somente a mesma coisa que dizer “EU ESTOU AQUI PRA TENTAR FORÇAR VOCÊ A MUDAR”, só que ela fala isso com outras palavras. É ou não é?
No final, ela não se aguenta mais e acaba dizendo com todas as letras que “não é normal ser homossexual” e que o homossexual não pode acreditar que isso é normal.
E pra encerrar, ela bate naquela velha tecla que 90% (ou mais) dos evangélicos batem de querer dizer que TODO homossexual só virou homossexual porque foi estuprado na infância. Evangélicos fazem o impossível pra passar essa ideia SEMPRE! É impressionante!
Bom, eu fui virgem intocado até os 22 anos e sempre senti desejo sexual por homens. Eu não fui estuprado em momento nenhum da infância e menos ainda “virei” homossexual: eu sempre fui. E acredito que a grande maioria dos homossexuais possam dizer a mesma coisa.
Agora vejam: ela fala isso tudo que eu disse aqui, mas fala isso com uma fala mansa. Então, pros incautos, pros que cometem o erro de baixar a guarda diante de evangélicos, ela passa uma imagem de que não tá discriminando ninguém.
É por essas e por outras que, quando um evangélico tenta se aproximar de mim pra falar de assuntos pessoais, eu já me afasto no mesmo instante: seja lá o que ele tenha a dizer, eu não estou interessado.
Bom, depois de dar esse exemplo, a pergunta que eu tenho a fazer esse mês é a seguinte: você já caiu na conversa de algum evangélico que aparentemente não tinha nada contra você e depois viu que a falta de preconceito dele não passava de falsidade?

4 comentários:

Anônimo disse...

Depois a crentalhada reclama quando sofre preconceito....

Anônimo disse...

O pior é que esses fariseus acham que estão sendo totalmente tolerantes, totalmente paz-e-amor com essa conversa fiada!

Anônimo disse...

Independente do evangélico ser grosseiro ou mansinho, pra mim, quem é crente não desperta interesse nenhum. Crente pra mim é um cidadão, um ser humano, mas jamais será meu amigo. Alguém que acredita nos absurdos que eles acreditam, que prega os obscurantismos que eles pregam, está abaixo do meu padrão mínimo de racionalidade, civilização e cultura. Simples assim.

Anônimo disse...

Eu até dou o benefício da dúvida pra católicos, anglicanos, luteranos etc porque nessas igrejas eu já encontrei gente realmente esclarecida e generosa, inclusive gays bem resolvidos. Mas isso eu nunca vi nas universais da vida, e duvido, duvido muito, que seja possível. Se acontecesse de uma pessoa com qualidades naturais cair numa igreja dessas, eu não concebo que ficasse lá dentro por muito tempo. A inteligência é incompatível com esse tipo de culto, é o que eu penso.