quarta-feira, 11 de setembro de 2013

É POR ISSO QUE EU NÃO ACEITARIA SER PADRINHO DE UM CASAMENTO EVANGÉLICO

Oi!!!

Bom, não era esse o post que eu ia mandar hoje. Mas, como não tive tempo de fazer o que eu queria, vai esse aqui que estava programado pra outro dia, mas que é mais simples.
Uma vez, no Ultra CECG&B, eu fiz um post sobre a questão de ser padrinho de um casamento católico. Se você não viu, lá vai o link:

http://ultracecgb.blogspot.com.br/2012/05/ser-padrinho-de-um-casamento-catolico.html

Bom, dessa vez vou falar sobre por quê eu rejeitaria ser padrinho de um casamento evangélico.
Antes de tudo, temos que lembrar que é um tanto quanto impossível que um evangélico me convide pra isso, porque eu não tenho amigos evangélicos. Mas vamos supor que eu conhecesse um evangélico de ideias moderadas e não proselitistas (ou seja, uma exceção entre eles), que eu estabelecesse uma relação de amizade com ele e aí ele me convidasse pra ser padrinho do casamento dele...
Mesmo assim, eu não aceitaria.
Os motivos principais são os mais óbvios: sou gay, sou candomblecista e não coloco a Bíblia acima da Constituição Brasileira nem acima da Ciência. E sabemos que os evangélicos de modo geral (mas principalmente os pentecostais e neopentecostais) vão na contramão de tudo isso.
Já sei que alguém vai dizer:

“Ah, mas mesmo que um evangélico pense assim, se ele convidou você pra ser padrinho do casamento dele é porque ele tem algum tipo de consideração por você.”

Lamento, mas isso não muda o fato de existir um antagonismo em fase extrema entre mim e os demais membros da igreja dele, que também vão estar presentes ali. E eu não sou tão ingênuo a ponto de acreditar que um gay, democrata, darwinista e candomblecista vai ficar ileso se colocando no meio de uma turba evangélica. Ainda mais dentro da igreja deles, que é onde eles manifestam todos os exageros e excessos deles e passam de todos os limites aceitáveis e inaceitáveis.
É claro que eu vou sofrer algum tipo de agressão verbal ali vindo dos membros daquela igreja. E certamente essa agressão vai vir acompanhada de uma tentativa de conversão forçada em meio a gritos e ataques histéricos.
Os evangélicos que não estiverem fazendo isso diretamente contra mim ali na hora vão estar no mínimo em volta incentivando os outros que estão fazendo.
É pra evitar situações assim que eu nem sequer entro numa igreja evangélica. Então, menos ainda vou participar de um casamento ali como padrinho.
Além disso, já que se trata de uma cerimônia de uma igreja evangélica, é mais coerente, mais lógico e mais inteligente que o evangélico que está se casando chame alguém da igreja dele pra participar disso.
Então, se alguém é gay e membro de uma igreja evangélica e um membro hétero da igreja dele resolve convidar ele pra ser padrinho do casamento, aí até que faz um certo sentido. E como esse gay evangélico já deve estar bem acostumado mesmo a ser pisado e agredido por evangélicos, é muito provável que ele nem se incomode em ser tratado da forma como eu seria.
Bom, fica aí algo pra refletir.

Até!

4 comentários:

Iziel disse...

Eu respeito muito os evangélicos e todas as religiões e seus praticantes, mas está ficando insuportável conviver com alguns deles e suas "verdades absolutas". Ninguém pode ter uma opinião contrária a deles, que já é censura, perseguição e preconceito religioso. Eu só consigo resumir os evangélicos a uma coisa:
"Fazer fofoca e se meter na vida dos outros usando como desculpa a Bíblia para isso".
Um ponto interessante é que eu não vejo ninguém perseguindo e criticando nenhum evangélico, o que eu vejo é justamente o contrário, e eles perseguindo e criticando os outros por não seguir seus dogmas.
Abração Leo.

Leo Natura disse...

Exatamente isso.
Abração também!

Anônimo disse...

kkkkkkkkkkkkk que viajem jovem. Vc tem uma visão altamente preconcebida. Pelo jeito nunca entrou em uma igreja evangélica. Em TODOS grupos existentes, sempre existe uns extremistas. Assim como pensam que evangélicos são isso tudo que falou aí, obviamente quem nao conhece os centros de candomblé também pensam que lá so tem gente que meche diretamente com satanás, e são todos pessoas que só fazem macumba pra atrasar a vida dos outros. Tudo isso é pre-conceito. A gente só pode falar que algo acontece daquele jeito quando conhecemos de perto. E te digo que em igreja evangelica tem muita gente preconceituosa, como em todos os outros lugares, mas esses nao passam de apenas ocupantes de cadeira, pois se algum dia for ver de perto, perceberá que não é bem como ouve falar e que será mais bem recebido que em qualquer outro lugar que vc for da cidade.

Leo Natura disse...

Bom, nem tão “jovem”, porque já tenho 38 anos. E ao longo da minha vida, a maioria dos evangélicos que já vi estavam longe de ser pessoas controladas e moderadas.
Quanto a em todos os grupos existirem extremistas, sim, com certeza existem. Mas, pelo menos no Brasil, eu nunca vi um rabino chegar em público pra pregar ódio contra outras religiões e outros estilos de vida, nunca vi um monge budista chegar em público pra pregar ódio contra outras religiões e outros estilos de vida, nunca vi um babalorixá chegar em público pra pregar ódio contra outras religiões e outros estilos de vida, nunca vi um sacerdote wiccaniano chegar em público pra pregar ódio contra outras religiões e outros estilos de vida...
Já pastores evangélicos chegando em público pra pregar ódio contra outras religiões e outros estilos de vida a gente vê 10 por metro quadrado, né?
Um bom exemplo disso é o seu adorado Silas Malafaia, que se autodenomina representante de todos vocês, evangélicos. E eu só vejo meia dúzia de vocês dizendo “Silas Malafaia não me representa.”.
O resto de vocês dizem:

“O Pastor Silas Malafaia pode falar de forma agressiva, mas tudo o que ele fala tem fundamento bíblico.”

Ou, quando alguém que não é evangélico se defende de um ataque verbal cometido por esse pastor, já vi alguns de vocês dizendo:

“Você não vai ganhar nada falando mal das pessoas assim. Se o pastor prega a Verdade e a Verdade dói, vocês, mundanos, têm mais é que calar a boca e baixar a cabeça.”

Então, nota-se que a maioria de vocês aceitam mesmo ser representados por ele e por pastores, bispos e adjacências que se manifestam da mesma forma que ele.
Parece que os “ocupantes de cadeira”, como você chama, não são tão poucos assim nas igrejas evangélicas.