AVES DO LAGO ESTÍNFALO
Na Arcádia, existia uma
floresta, que tinha as copas de suas árvores tão entrelaçadas que quem
caminhasse por ali mal conseguia ver o Céu quando olhava pra cima.
Além da escuridão
dominante, a floresta também assustava principalmente por causa de um lago
chamado Estínfalo, que ficava em algum lugar ali no meio das árvores...
Acontece que aquela
parte específica da floresta era habitada por centenas de monstruosas e enormes
aves de rapina, que tinham afiadas penas de aço. E quando viam um humano, essas
criaturas disparavam suas penas contra ele como flechas, exterminando várias
pessoas que já tinham passado pelas proximidades do lago.
Além das perdas de
vidas humanas, essas aves também faziam rápidas e ferozes investidas contra as
plantações da região, devastando tudo o que era cultivado ali e levando um
prejuízo incalculável aos agricultores.
Ninguém sabia
exatamente de onde essas criaturas tinham vindo. Mas alguns afirmavam que elas
tinham fugido de sua região de origem ao serem atacadas por uma alcateia de
lobos. E aí se instalaram nas margens do lago que encontraram naquela floresta,
supostamente por se parecer com o lugar onde viviam antes.
Exterminar as Aves do Lago
Estínfalo foi o 5º trabalho do Hércules.
Mas o problema
principal não era matar as aves, e sim fazer elas se mostrarem, já que elas
passavam a maior parte do tempo entocadas nas copas das árvores da floresta.
Decidida a ajudar o
Hércules, Atena pediu a Hefesto que construísse castanholas mágicas capazes de
produzir um barulho ensurdecedor e deu esses apetrechos ao herói: de acordo com
a deusa, se ele tocasse esses instrumentos às margens do Lago Estínfalo,
produziria um barulho tão alto e tão desagradável que faria as aves se
assustarem e saírem de suas tocas, voando pelo Céu aberto.
Tudo aconteceu como
Atena previu. E assim que as aves se mostraram voando no Céu, sem nenhum
obstáculo na frente, o herói abateu uma por uma com suas flechas sujas com o veneno
da Hidra de Lerna.
Uma versão que procura
racionalizar o mito diz que algumas mulheres, filhas de um homem chamado
Estínfalo, moravam às margens de um lago e negaram hospitalidade ao Hércules
quando ele passou pela região. Mas acolheram em casa alguns inimigos dele.
Indignado, ele matou as
mulheres a flechadas.
ESTÁBULOS DO REI AUGIAS
O Rei Augias governava
Élis, um pequeno reino da Arcádia, onde mantinha um rebanho bovino de milhares
de cabeças.
Mas, como era muito
preguiçoso, ele passou 30 anos sem limpar seus estábulos, o que acabou criando
verdadeiras montanhas de estrume empedrado ao redor dos estábulos, impossíveis
de ser removidos dali pelas mãos de um ser humano e espalhando por toda a
região uma catinga insuportável.
Limpar os estábulos foi
o 6º trabalho do Hércules.
O herói assegurou ao
rei que limparia os estábulos num único dia. E diante das óbvias dúvidas do
Augias, o Hércules pediu a 10ª parte dos rebanhos pra ele, caso cumprisse o que
prometia.
Certo de que o herói
não daria conta do recado, o rei fingiu concordar e ainda acrescentou ao prêmio
uma parte do próprio reino de Élis, tendo como testemunha na hora o filho dele,
o Príncipe Fileu.
Com sua assombrosa
força, o Hércules desviou 2 rios que corriam nas proximidades, fazendo as águas
deles correrem com toda a força entre os estábulos, desmoronando as montanhas
de estrume que tinham se acumulado ali e arrastando os pedacinhos que sobraram
por muitos e muitos quilômetros de distância.
Poucas horas depois, terminada
a limpeza, o Hércules desviou os rios de volta pros lugares onde corriam
naturalmente. E depois, chegou pro Augias e pediu as partes do rebanho e do
reino que tinha apostado com ele.
Mas o rei, furioso, se
recusou a pagar ao herói o combinado, o que provocou a indignação do Fileu: se
colocando ao lado do Hércules, o príncipe exigiu que o pai cumprisse com a
palavra.
Mais furioso ainda, o
Augias exilou o Hércules e o Fileu de Élis.
Anos depois, quando já
tava livre de todos os trabalhos, o Hércules declarou guerra ao Augias, invadiu
Élis, matou o rei e entregou o trono ao Fileu.
Nenhum comentário:
Postar um comentário