De uma relação eventual
de Zeus com uma ninfa chamada Plutó, nasceu um orgulhoso filho chamado Tântalo.
Ele ganhou de presente
do pai o Monte Sípilo, na Ásia Menor (atual Turquia), passando a governar essa
montanha como rei.
Dono de muitas
riquezas, o Rei Tântalo se casou e teve vários filhos. Mas as várias versões do
mito discordam sobre o nome da esposa dele e sobre a quantidade exata de
filhos.
Na juventude, ele foi
muito querido pelos deuses olímpicos e chegava até a ser convidado pras festas
que as divindades davam no Monte Olimpo. Mas, devido a atitudes que o jovem rei
foi tomando, a coisa começou a caminhar no sentido oposto...
Um dia, um ladrão
chamado Pândares chegou ao Monte Sípilo carregando um cachorro de ouro que
pertencia ao próprio Zeus. E pediu ao Rei Tântalo que guardasse momentaneamente
o animal encantado (provavelmente até Zeus se desinteressar de perseguir ele
pelo roubo do cachorro), pois ele voltaria pra buscar depois. Mas o Tântalo,
também interessado no cachorro de ouro, escondeu o animal e guardou pra ele.
O deus Hermes, enviado
por Zeus, passou por ali pedindo o cachorro de volta. O velhaco Pândares voltou
ali pedindo o cachorro de volta. Mas o rei respondeu simplesmente que não sabia
do que eles estavam falando.
Furioso, Zeus enterrou o
Tântalo dentro do Monte Sípilo.
Um dia, observando a
Terra, Zeus viu um rapaz pastoreando alguns rebanhos perto de Tróia. Era um
príncipe chamado Ganimedes. E excitadíssimo com a beleza do moço e
principalmente com as coxas musculosas dele, Zeus quis aquele príncipe pra ele.
Ele desenterrou o Tântalo,
exigindo que em troca ele planejasse o melhor momento pra pegar o Ganimedes ou
mesmo pra ajudar pessoalmente no arrebatamento do rapaz. E o rei, aproveitando
a oportunidade pra se livrar da prisão na terra do Monte Sípilo, se colocou ao
lado do pai e esquematizou com ele o que ele queria.
Transformado em águia,
Zeus agarrou o jovem príncipe e levou ele pro Olimpo, passando a descarregar
nele seu inesgotável apetite sexual.
Mas o Rei de Tróia, ao
saber do arrebatamento do filho e sem ter poder pra se vingar diretamente de Zeus,
marchou contra o Tântalo, conseguindo expulsar o rei e os outros membros da
Família Real de seu reino no Monte Sípilo.
Nos anos que se
passaram depois disso, o Tântalo voltou a ser aceito nas festas do Olimpo, pras
quais costumava levar junto um dos filhos dele, chamado Pélopes. Mas voltou a
cometer deslizes, consequentemente voltando a irritar os deuses...
Quando saía dali e
voltava à Terra, o ex-Rei do Monte Sípilo sempre aproveitava quando ninguém
estava vendo e, com a ajuda do Pélopes, roubava os restos de comida e bebida
divinas que sobravam das festas, dando de presente a seus amigos humanos esse
alimento que era exclusivo dos deuses. E ainda por cima contava fofocas a todos
sobre os assuntos pessoais dos deuses que ele testemunhava durante as festas.
Mas o grande crime e
sacrilégio que o Tântalo cometeu contra os deuses foi quando ele quis testar se
as divindades tinham mesmo todo o conhecimento que diziam que tinham. E então,
ele matou e esquartejou o Pélopes, cozinhando o garoto e servindo a carne dele
em bandejas aos deuses durante uma festa, pra ver se eles adivinhavam o que era
aquilo.
Vendo do que se tratava
logo de início, quase nenhum dos deuses tocou na macabra refeição, se limitando
a olhar furiosos pro Tântalo... Só a deusa Deméter, que na hora estava com o
pensamento longe dali, preocupada com problemas pelos quais sua filha Perséfone
passava, não viu do que se tratava e acabou comendo um ombro do garoto sem
perceber.
Apiedados do Pélopes,
os deuses reconstruíram o corpo do garoto e ressuscitaram ele, dando também a
ele um ombro de marfim pra substituir o que Deméter tinha comido. Mas não
deixaram de castigar o Tântalo pelo sacrilégio cometido e atiraram ele ao
Tártaro, o gigantesco calabouço subterrâneo onde os inimigos dos deuses
olímpicos passam o resto da eternidade sendo submetidos a torturas.
Sobre o castigo imposto
pelos deuses ao antes rico e poderoso rei, as versões do mito discordam.
Algumas dizem que as divindades colocaram no corpo dele uma fome e uma sede enlouquecedoras
e jogaram ele num lago do Tártaro de água cristalina e coberto por ramos
carregados de frutas gordas, enormes e de aparência extremamente apetitosa, mas
que tanto a água quanto as frutas correm pra longe do Tântalo toda vez que ele
aproxima a boca delas, o que ele continua tentando fazer infinitamente. E
outras versões dizem que ele foi colocado sobre um grande rochedo localizado num
lugar escuro e que fica eternamente tremendo e prestes e cair, obrigando ele a
passar o resto da eternidade correndo e se jogando de um lado pro outro pra
tentar manter o equilíbrio do rochedo.
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