E aproveitando que hoje, 27 de Agosto, é o Dia do Psicólogo, vou aproveitar pra dar uma palavrinha sobre o assunto.
Como vocês sabem, há uns 2 meses atrás, o Brasil foi sacudido pelas ideias da teocracia pentecostal que está se formando em Brasília. Esses teocratas queriam legalizar o procedimento de ‘cura’ de homossexuais pelas mãos de psicólogos evangélicos. Em outras palavras, queriam dar aos psicólogos evangélicos o direito legal de submeter os pacientes deles à ‘cura’ da homossexualidade através de pregações de passagens da Bíblia e encontros com pastores pentecostais homofóbicos.
Obviamente, todos os psicoterapeutas sérios se opuseram à ideia. E o projeto acabou sendo arquivado no início de Julho, embora os teocratas lá de Brasília tenham dito que pretendem fazer uma nova tentativa de fazer ele passar.
Mas toda essa situação tem nos obrigado a fazer uma reflexão: se você descobrisse que um psicólogo é evangélico, você se consultaria com ele?
No meu caso, eu posso dizer tranquilamente que NÃO. Se eu começasse a fazer consultas com um psicólogo e ele revelasse que é evangélico, com certeza eu nem voltaria pra consulta seguinte.
Não estou nem dizendo isso por causa do posicionamento dos evangélicos em relação aos homossexuais. Até porque, mesmo que ele viesse com papo de “cura gay” pra cima de mim, isso simplesmente não ia produzir efeito nenhum. Em 1º lugar, porque não há nada pra curar (homossexualidade não é ferida nem doença e a palavra “cura” só se aplica a feridas e doenças). E em 2º lugar, porque eu não quero deixar de ser gay nem de longe.
Mas eu estou dizendo isso porque, em qualquer outra situação, sobre qualquer outro assunto, o psicólogo evangélico em questão não vai me analisar em nada. Ele só vai tentar me fazer concordar com a interpretação que ele segue da Bíblia.
Se você for a um desses psicólogos e contar alguma coisa sobre a sua vida pessoal que faz bem a você (pode nem ter nada a ver com sexo), mesmo que essa coisa não tenha nada de ilegal, mesmo que essa coisa agrade todas as pessoas ligadas a ela, se essa coisa for contra a interpretação que esse psicólogo faz da Bíblia, ele vai tentar fazer você desistir dessa coisa.
Aí, você vai dizer:
“Mas eu me sinto feliz fazendo isso!”
E ele vai responder:
“Eu não chamo isso de ‘felicidade’! Chamo de ‘pecado’!”
Ou então ele vai dizer que é o demônio que está iludindo você pra fazer você se sentir feliz com aquilo e aí levar você pro Inferno.
Afinal, não são coisas assim que 99% dos pentecostais e neopentecostais falam quando encontram alguém que não é da igreja deles?
O mais irônico de tudo é que foi pra tudo isso que os teocratas lá de Brasília nos alertaram com as atitudes deles, né? Eles mesmos deixaram claro que um psicólogo evangélico é um terapeuta de profissionalismo duvidoso.
Mesmo que alguém seja psicólogo e evangélico e saiba separar uma coisa da outra, daqui pra frente ele vai ser olhado com desconfiança pelos pacientes. Só outros evangélicos mesmo é que vão confiar nele de olhos fechados e, à menor menção da Bíblia, já vão se considerar salvos porque estão se consultando com um “homem de Deus”, e não com um psicólogo “mundano” de outra religião.
Nesse sentido, os psicólogos evangélicos acabaram dando um tiro no próprio pé.
Bom, fica aí algo pra refletir e pra levar em conta toda vez que você encontrar um psicoterapeuta novo.
Até mais!
Como vocês sabem, há uns 2 meses atrás, o Brasil foi sacudido pelas ideias da teocracia pentecostal que está se formando em Brasília. Esses teocratas queriam legalizar o procedimento de ‘cura’ de homossexuais pelas mãos de psicólogos evangélicos. Em outras palavras, queriam dar aos psicólogos evangélicos o direito legal de submeter os pacientes deles à ‘cura’ da homossexualidade através de pregações de passagens da Bíblia e encontros com pastores pentecostais homofóbicos.
Obviamente, todos os psicoterapeutas sérios se opuseram à ideia. E o projeto acabou sendo arquivado no início de Julho, embora os teocratas lá de Brasília tenham dito que pretendem fazer uma nova tentativa de fazer ele passar.
Mas toda essa situação tem nos obrigado a fazer uma reflexão: se você descobrisse que um psicólogo é evangélico, você se consultaria com ele?
No meu caso, eu posso dizer tranquilamente que NÃO. Se eu começasse a fazer consultas com um psicólogo e ele revelasse que é evangélico, com certeza eu nem voltaria pra consulta seguinte.
Não estou nem dizendo isso por causa do posicionamento dos evangélicos em relação aos homossexuais. Até porque, mesmo que ele viesse com papo de “cura gay” pra cima de mim, isso simplesmente não ia produzir efeito nenhum. Em 1º lugar, porque não há nada pra curar (homossexualidade não é ferida nem doença e a palavra “cura” só se aplica a feridas e doenças). E em 2º lugar, porque eu não quero deixar de ser gay nem de longe.
Mas eu estou dizendo isso porque, em qualquer outra situação, sobre qualquer outro assunto, o psicólogo evangélico em questão não vai me analisar em nada. Ele só vai tentar me fazer concordar com a interpretação que ele segue da Bíblia.
Se você for a um desses psicólogos e contar alguma coisa sobre a sua vida pessoal que faz bem a você (pode nem ter nada a ver com sexo), mesmo que essa coisa não tenha nada de ilegal, mesmo que essa coisa agrade todas as pessoas ligadas a ela, se essa coisa for contra a interpretação que esse psicólogo faz da Bíblia, ele vai tentar fazer você desistir dessa coisa.
Aí, você vai dizer:
“Mas eu me sinto feliz fazendo isso!”
E ele vai responder:
“Eu não chamo isso de ‘felicidade’! Chamo de ‘pecado’!”
Ou então ele vai dizer que é o demônio que está iludindo você pra fazer você se sentir feliz com aquilo e aí levar você pro Inferno.
Afinal, não são coisas assim que 99% dos pentecostais e neopentecostais falam quando encontram alguém que não é da igreja deles?
O mais irônico de tudo é que foi pra tudo isso que os teocratas lá de Brasília nos alertaram com as atitudes deles, né? Eles mesmos deixaram claro que um psicólogo evangélico é um terapeuta de profissionalismo duvidoso.
Mesmo que alguém seja psicólogo e evangélico e saiba separar uma coisa da outra, daqui pra frente ele vai ser olhado com desconfiança pelos pacientes. Só outros evangélicos mesmo é que vão confiar nele de olhos fechados e, à menor menção da Bíblia, já vão se considerar salvos porque estão se consultando com um “homem de Deus”, e não com um psicólogo “mundano” de outra religião.
Nesse sentido, os psicólogos evangélicos acabaram dando um tiro no próprio pé.
Bom, fica aí algo pra refletir e pra levar em conta toda vez que você encontrar um psicoterapeuta novo.
Até mais!
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