Oi!!!
O texto de hoje vai ser só em Português porque diz respeito a uma situação específica aqui do Brasil.
Tenho observado que todos os domingos, no programa Esquenta, apresentado pela Regina Casé, ela tem feito uma campanha ‘antigueto’.
Na verdade, isso não é nenhuma novidade nas mensagens que a Regina passa: ela sempre procurou transmitir a ideia de que “gueto é filho do medo” e, por isso, o que a gente deve fazer é procurar se misturar com pessoas que vivem em outras realidades e fazem parte de outros grupos.
E o Esquenta procura fazer basicamente isso, né? Eles misturam no palco pessoas de classes sociais diferentes, de religiões diferentes, de comportamentos sexuais diferentes e por aí vai.
Bom, tudo bem. Até é possível fazer isso em muitos casos. Mas nem sempre!
Se alguém me perguntar se é difícil conviver com as diferenças, eu vou responder tranquilamente que não, mas desde que sejam só diferenças.
Explica-se: se eu penso de uma forma sobre um determinado assunto e você pensa de outra forma sobre o mesmo assunto, desde que haja tão somente uma divergência de opiniões, sem um tentar obrigar o outro passar a concordar com a opinião dele, não tem problema. Eu acho que aquele assunto tem que ser resolvido de uma forma, mas não tento forçar você a pensar da mesma forma que eu penso. E você acha que tem que ser resolvido de outra forma, mas não tenta me forçar a pensar da mesma forma que você pensa.
Conviver com as diferenças até esse ponto, não tendo nada além de diferenças, é facílimo.
Os problemas só começam quando um tenta forçar o outro a pensar as mesmas coisas que ele pensa, a acreditar nas mesmas coisas em que ele acredita, a ver o Mundo da mesma forma que ele vê e outras situações adjacentes a essas.
Então, conviver com as diferenças não é um problema. Mas conviver com o proselitismo, aí sem sombra de dúvida, É!
Por exemplo, experimente seguir o conselho da Regina em relação a uma igreja pentecostal ou neopentecostal, daquelas bem extremistas e bem radicais. Experimente se misturar com as criaturas que frequentam aquele estabelecimento e ter uma relação pessoal com elas. Diga a essas criaturas que você segue uma religião diferente da delas e que você tem um comportamento sexual que não é o que aquela igreja dita como certo. Eu só sugiro uma coisa: vá usando capacete, colete a prova de balas, armadura...
Sem exagero: você vai ser, NO MÍNIMO, xingado, vaiado e amaldiçoado com a recitação de alguma passagem do 1º Testamento da Bíblia. E ainda vão expulsar você da igreja no mesmo minuto, a não ser que você “se converta” e passe a repetir que nem um papagaio as coisas que o pastor daquela igreja prega.
Aí é que está a questão: nesse caso, existe PROSELITISMO, e não apenas DIFERENÇAS.
Os guetos aparecem por causa do proselitismo, e não das diferenças. No gueto, a pessoa sabe que quem está em volta dela não vai tentar impor que ela siga um estilo de vida que não interessa a ela, não vai xingar ela de nada, não vai tentar expulsar ela dali...
Então, inevitavelmente, a tendência da sociedade é se dividir em guetos, querendo ou não querendo. Principalmente enquanto existirem criaturas como esses evangélicos que eu descrevi acima.
Eu não diria que os guetos são filhos do medo, mas sim que eles são simplesmente resultados da forma como grupos ditatoriais e totalitários tratam quem não pensa da mesma forma que eles.
E vão deixar de existir esses grupos ditatoriais e totalitários (principalmente os de fundamento religioso)? Óbvio que não. Então, também não vão deixar de existir os guetos.
Fica aí algo pra refletir.
Até!
O texto de hoje vai ser só em Português porque diz respeito a uma situação específica aqui do Brasil.
Tenho observado que todos os domingos, no programa Esquenta, apresentado pela Regina Casé, ela tem feito uma campanha ‘antigueto’.
Na verdade, isso não é nenhuma novidade nas mensagens que a Regina passa: ela sempre procurou transmitir a ideia de que “gueto é filho do medo” e, por isso, o que a gente deve fazer é procurar se misturar com pessoas que vivem em outras realidades e fazem parte de outros grupos.
E o Esquenta procura fazer basicamente isso, né? Eles misturam no palco pessoas de classes sociais diferentes, de religiões diferentes, de comportamentos sexuais diferentes e por aí vai.
Bom, tudo bem. Até é possível fazer isso em muitos casos. Mas nem sempre!
Se alguém me perguntar se é difícil conviver com as diferenças, eu vou responder tranquilamente que não, mas desde que sejam só diferenças.
Explica-se: se eu penso de uma forma sobre um determinado assunto e você pensa de outra forma sobre o mesmo assunto, desde que haja tão somente uma divergência de opiniões, sem um tentar obrigar o outro passar a concordar com a opinião dele, não tem problema. Eu acho que aquele assunto tem que ser resolvido de uma forma, mas não tento forçar você a pensar da mesma forma que eu penso. E você acha que tem que ser resolvido de outra forma, mas não tenta me forçar a pensar da mesma forma que você pensa.
Conviver com as diferenças até esse ponto, não tendo nada além de diferenças, é facílimo.
Os problemas só começam quando um tenta forçar o outro a pensar as mesmas coisas que ele pensa, a acreditar nas mesmas coisas em que ele acredita, a ver o Mundo da mesma forma que ele vê e outras situações adjacentes a essas.
Então, conviver com as diferenças não é um problema. Mas conviver com o proselitismo, aí sem sombra de dúvida, É!
Por exemplo, experimente seguir o conselho da Regina em relação a uma igreja pentecostal ou neopentecostal, daquelas bem extremistas e bem radicais. Experimente se misturar com as criaturas que frequentam aquele estabelecimento e ter uma relação pessoal com elas. Diga a essas criaturas que você segue uma religião diferente da delas e que você tem um comportamento sexual que não é o que aquela igreja dita como certo. Eu só sugiro uma coisa: vá usando capacete, colete a prova de balas, armadura...
Sem exagero: você vai ser, NO MÍNIMO, xingado, vaiado e amaldiçoado com a recitação de alguma passagem do 1º Testamento da Bíblia. E ainda vão expulsar você da igreja no mesmo minuto, a não ser que você “se converta” e passe a repetir que nem um papagaio as coisas que o pastor daquela igreja prega.
Aí é que está a questão: nesse caso, existe PROSELITISMO, e não apenas DIFERENÇAS.
Os guetos aparecem por causa do proselitismo, e não das diferenças. No gueto, a pessoa sabe que quem está em volta dela não vai tentar impor que ela siga um estilo de vida que não interessa a ela, não vai xingar ela de nada, não vai tentar expulsar ela dali...
Então, inevitavelmente, a tendência da sociedade é se dividir em guetos, querendo ou não querendo. Principalmente enquanto existirem criaturas como esses evangélicos que eu descrevi acima.
Eu não diria que os guetos são filhos do medo, mas sim que eles são simplesmente resultados da forma como grupos ditatoriais e totalitários tratam quem não pensa da mesma forma que eles.
E vão deixar de existir esses grupos ditatoriais e totalitários (principalmente os de fundamento religioso)? Óbvio que não. Então, também não vão deixar de existir os guetos.
Fica aí algo pra refletir.
Até!
2 comentários:
Concordo! A gente luta para minimizar esta questão, mas o prosetilismo é algo muito forte, creio que sempre vai existir. Pega um Skinhead daqueles que odeiam gays e poe num bairro onde tem gays assmidos? será que vai haver respeito entre diferenças.Pode ser pelo gay, porque terá receio de cruzar com o dito na rua.
Sim. Esse é outro exemplo do que eu quis dizer.
A convivência entre pessoas de grupos diferentes é possível, é claro. Mas não em todos os casos. Não tem como lutar contra essa questão.
Agora um recado pra todos: como a palavra ´gueto`, pelo que pude ver, tem significados meio diferentes pelo Brasil a fora, quero esclarecer que o gueto ao qual eu me referi aqui nesse post significa ´´grupo de pessoas que pensam e se comportam de forma bem parecida``, ´´grupo de pessoas que veem o Mundo de forma parecida``.
Quando a pessoa acaba decidindo buscar um grupo assim, ela tá simplesmente fugindo do proselitismo e/ou da violência que ela já encontrou em outros grupos. Como eu dei o exemplo dos pentecostais, o Augusto deu o exemplo dos skinheads... Se você já conviveu com grupos assim, eu acho até muito normal que você queira buscar um gueto pra não ser mais agredido e atacado como certamente já foi.
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